'Brasil precisa ser passado a limpo', diz Glauco Côrte no encerramento da Jornada da Inovação

19 Maio 2017 11:01:00

Na ocasião foi entregue a Ordem do Mérito Industrial de Santa Catarina e Ordem do Mérito Industrial da Confederação Nacional da Indústria

Foto: Marcos Campos

Na manhã desta sexta-feira (19), durante o encerramento da Jornada Inovação e Competitividade da Indústria Catarinense, a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) entregou a Ordem do Mérito Industrial de Santa Catarina e Ordem do Mérito Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI). A Federação também prestou a homenagem do Mérito Sindical conferida aos sindicatos que cooperam para o fortalecimento da representatividade empresarial catarinense e que permanecem filiados durante 25, 30 e 40 anos.

A Ordem do Mérito Industrial de Santa Catarina é a comenda é o mais alto reconhecimento da indústria do Estado, e homenageia cinco industriais que se destacam. Receberam a ordem Ademar Sapelli, da Sancris, de Brusque; Álvaro Weiss, da Artefama, de São Bento do Sul; Carlos Rodolfo Schneider, do Grupo H Carlos Schneider, de Joinville; José Samuel Thiesen, da Ceraçá, de Saudades; além do governador Raimundo Colombo. O homenageado com Ordem do Mérito Industrial da Confederação Nacional da Indústria foi Ingo Fischer, da Irmãos Fischer, de Brusque.


Governador Raimundo Colombo, Glauco José Côrte, José Manuel Thiesen, Ingo Fischer,
Carlos Rodolfo Schneider, Álvaro Weiss, Ademar Sapelli e Edson Campagnolo
Foto: Marcos Campos

Em nome de todos os homenageados Ingo Fischer fez um discurso emocionado, onde contou m pouco da sua história de vida profissional, que começou com uma loja para conserto e bicicletas e hoje, junto com quatro irmãos que viraram sócios fabrica eletrodomésticos, materiais para construção civil e, claro, bicicletas. "É com orgulho que revejo minha trajetória. Sou, como muitos aqui, o exemplo dos que começaram pequenos, mas que com muito trabalho prosperaram. Não penso em me aposentar, pois quem se aposenta tem a vida muito curta", enfatiza Ingo.

Representando a CNI estava o presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Edson Luiz Campagnolo, que falou sobre o atual momento político brasileiro e a situação de instabilidade que prejudica a economia e a indústria: "Precisamos ter coragem. Enquanto nos silenciarmos e não participarmos da política vamos continuar enfrentando crises como esta. Devemos contaminar a população com otimismo".

O presidente da Fiesc, Glauco José Côrte, parabenizou os homenageados e disse ser um privilégio poder mostrar os bons exemplos que o Estado tem. Falou também que apesar da situação política do país, principalmente nos últimos dias "a indústria catarinense segue trabalhando pelo desenvolvimento de Santa Catarina". Reafirmou a necessidade das reformas trabalhista e da previdência e da importância da Lei da Terceirização. Falando diretamente ao governador Raimundo Colombo, disse: "Gostaria de agradecer e, mais do que isso, ter a garantia de que o Governo do Estado não irá aumentar os impostos, principalmente o ICMS. Essa foi uma atitude de visão do governo e gostaria de agradecer".

Ainda sobre a situação política do país, Glauco diz que, embora agora a situação prejudique a economia é preciso que a situação seja esclarecida para acabar com a corrupção: "O Brasil precisa ser passado a limpo", afirma. 

O governador Raimundo Colombo falou sobre o esforço do industrial catarinense, que, apesar da crise continua investindo em seu negócio e sobre o futuro econômico: "Os números já mostram uma melhora na economia e temos boas previsões para o futuro. Para mim, receber esta comenda é um aviso de que o esforço que tenho feito tem que continuar".


Foto: Bianca Backes/Agência Adjori

Perfil dos homenageados

Ademar Sapelli: nascido em Brusque, formado em matemática e filho de um caldeirista de curtume e de uma funcionária pública municipal, Ademar fundou a empresa Sancris, em 1987, nos fundos de sua própria casa, na sua cidade natal. A empresa, inicialmente uma distribuidora de aviamentos, cresceu e hoje trabalha na produção e comercialização de linhas, fios e zíperes. A companhia tem uma carteira de aproximadamente 4,5 mil clientes, emprega mil trabalhadores em suas três unidades fabris e atende o mercado nacional e internacional. Antes de fundar a empresa, Sapelli, que é irmão gêmeo de Ademir e tem mais quatro irmãs, começou sua vida profissional como empacotador em um supermercado, depois trabalhou como almoxarife e vendedor na Irmãos Fischer. Além disso, foi representante comercial na Companhia Industrial Schlosser. Sapelli também tem forte om atuação no associativismo, integra a Associação Comercial de Brusque há 30 anos, é membro do Conselho do Hospital de Azambuja e atua em outras entidades filantrópicas. 

Álvaro Weiss: Natural de São Bento do Sul, aos oito anos de idade Álvaro Weiss entregava leite e ajudava os pais na roça para complementar a renda da família de músicos, que formava uma banda liderada pelo pai. Sem deixar de estudar, aos 15 anos ele foi trabalhar na fábrica de chocolate Buschle, onde exerceu as funções de serviços gerais e auxiliar de escritório. Em 1957 foi convidado para trabalhar na Artefama. Iniciou na contabilidade, passou pelas áreas administrativa e de vendas, chegou à presidência e hoje está à frente do conselho de administração. Weiss participou de um dos momentos mais importantes da companhia, que foi o início das exportações de artefatos de madeira, em 1967, para os Estados Unidos. Posteriormente, foram embarcados móveis de jardim para Inglaterra e Austrália. Na década de 1980 aumentou o volume exportado para o mercado norte-americano e no final de década de 1990 o Brasil entrou com mais força no mercado moveleiro mundial. Álvaro também se destacou no associativismo, com a fundação da Associação da Indústria Moveleira e o Sindicato das Indústrias da Construção e do Mobiliário de São Bento do Sul.   

Carlos Rodolfo Schneider: Bacharel e mestre em administração de empresas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) em São Paulo, Carlos Rodolfo dirige o Grupo H. Carlos Schneider, de Joinville, que tem entre suas empresas a Ciser, companhia fundada em 1959 e atualmente líder na América Latina na produção de fixadores. A empresa tem capacidade produtiva de 6 mil toneladas por mês e 27 mil produtos agrupados em 436 linhas para atender 20 mil clientes em mais de 20 países. Carlos Rodolfo presidiu a Associação Empresarial de Joinville (Acij) e a Celesc. Atualmente, o industrial é coordenador nacional do Movimento Brasil Eficiente, que busca melhorar a eficiência da gestão pública, é membro do Conselho Superior de Economia da Fiesp, do Conselho Político e Social da Associação Comercial de São Paulo e do Conselho Empresarial da América Latina (Ceal). Também é articulista em diversos jornais e revistas do país. 

João Raimundo Colombo: O governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo, é natural de Lages e iniciou a vida pública aos 26 anos. Em sua carreira política, acumula experiências como secretário de Estado, presidente da Celesc e da Casan, deputado estadual, federal e senador, além de três mandatos como prefeito de Lages. Quando senador, recebeu o prêmio Mérito Legislador 2008, do Instituto de Estudos Legislativos Brasileiro (Idelb). Raimundo Colombo foi eleito governador do Estado em 2010 e reeleito em 2014. Como governador, cumpriu o compromisso firmado nas campanhas de 2010 e 2014 de não aumentar a carga tributária em Santa Catarina. A crise financeira e fiscal que afeta praticamente todos os Estados brasileiros levou grande parte dos governos estaduais a aumentar impostos. Colombo manteve-se fiel à convicção de que elevar carga tributária atrasaria a retomada da economia e focou os esforços do governo no corte das despesas. 

José Samuel Thiesen: Filho de agricultores e vindo de uma família de 13 irmãos, Thiesen é natural de Rio Pardo (RS). Mudou-se para Saudades aos quatro anos de idade, em 1948, e no final da década de 1960 foi morar na Suíça, onde viveu por quatro anos. De volta ao Brasil, em 1974 fundou junto com líderes cooperativistas a Ceraçá (Cooperativa de Eletrificação Rural Vale do Araçá), empreendimento que nasceu com a missão de levar energia elétrica para as propriedades rurais de Saudades e outras cidades da região. Ao longo dos anos, a organização foi crescendo e diversificando os negócios e hoje emprega cerca de mil trabalhadores. Atua nas áreas de distribuição de energia, elaboração de projetos de energia para indústria, construção civil e agricultura, execução de obras de construção civil residenciais, comerciais e industriais, além de possuir uma rede regional de lojas que comercializa materiais de construção, elétricos e eletrodomésticos. Ele também fundou as empresas Finestra, que fabrica móveis de madeira maciça, e a Mauê, que é composta por Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH's). No total, José tem 11 empresas em diversos segmentos.   

Ordem do Mérito Industrial da CNI 

Ingo Fischer: A modesta oficina de conserto de bicicletas aberta por Ingo Fischer, aos 17 anos, em 1961, se transformou em um conglomerado industrial de 150 mil metros quadrados, que gera 800 empregos. Com faturamento anual bruto superior a R$ 575 milhões, a empresa, localizada na cidade de Brusque, é líder nacional no mercado de fornos elétricos domésticos. Com espírito empreendedor, Ingo e seus irmãos Nivert, Norival, Egon e Edemar, desde cedo perceberam e aproveitaram as oportunidades que surgiram. Eles diversificaram os trabalhos na pequena oficina, até começar a produzir equipamentos para a indústria de alimentos e, mais tarde, linhas em série, levando a Irmãos Fischer ao atual portfólio de mais de 200 produtos, em linhas de eletrodomésticos, equipamentos para construção civil, bicicletas e até casas modulares de metal. Além de liderar o surgimento e o desenvolvimento da indústria, Ingo Fischer se destaca pela liderança empresarial e pelas ações sociais e comunitárias, sendo, por exemplo, provedor do Hospital Azambuja, desde 1997, entre outras atividades, além de ser vice-presidente da Fiesc para o Vale do Itajaí Mirim.

Receberam a medalha do Mérito Sindical:

Categoria Bronze (25 anos) - Sindicato da Indústria de Extração de Carvão (Siecesc/Criciúma)

Categoria Prata (30 anos) - Sindicato da Indústria da Cerâmica Vermelha (Sindicer/Rio do Sul)
Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon/Criciúma)
Sindicato da Indústria da Madeira (Simca/Caçador)

Categoria Ouro (40 anos) - Sindicato das Indústria de Cerâmica (Sindiceram/Criciúma)
Sindicato da Construção e Mobiliário de Jaraguá do Sul



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