SCGás quer produzir biometano para atender todas as regiões do estado

14 Fevereiro 2017 15:30:00

Com alto custo de investimento para construir gasodutos em todas as regiões, alternativa é produção local de gás em aterros sanitários

Murici Balbinot
Foto: Murici Balbinot
A medida é um passo importante para a interiorização do gás

A SCGás (Companhia de Gás de Santa Catarina) está estudando a possibilidade de produção e distribuição de biometano em todas as regiões do estado. O objetivo é utilizar dejetos de aves e suínos da agroindústria como insumo para produzir gás em municípios onde não há infraestrutura de dutos. Desta forma, o interior, principalmente o Oeste, teria acesso mais rápido à nova energia. 

A medida é um passo importante para a interiorização do gás. A rede de dutos, que hoje vai até Rio do Sul, necessita de um investimento de R$ 380 milhões para chegar ao Oeste, o que é considerado caro e demorado pelos técnicos da SCGás. No novo modo, o gás poderia ser produzido diretamente nestas regiões a partir de aterros sanitários. "Com isso, nós poderemos atender a realidade distinta que é o atendimento do gás natural, hoje priorizado na costa catarinense. Podemos interiorizar com o gás natural renovável", disse o presidente da Companhia, Cosme Polêse.

A SCGás também apresentou um projeto de redes locais. Pela proposta, cidades e indústrias interessadas na compra do gás natural poderão receber o produto por meio de caminhões de GNL, quando o gás é resfriado e comprime seu tamanho em 600 vezes. As duas alternativas foram apresentadas a autoridades do setor em reunião da Câmara para Assuntos de Energia da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), na tarde desta terça-feira (14), na Capital.


"O biogás é o rumo", diz Polêse. Para ele, é uma importante "janela de oportunidade" para integrar mais regiões do estado na distribuição de gás. E ainda dará mais autonomia para o estado, que hoje depende da importação do gás. Em janeiro, o governo anunciou redução da tarifa, mas a valorização internacional do petróleo pode puxar os preços, de novo, para cima. "Essa realidade pode não ser a mesma daqui a pouco", disse.

A empresa ainda está expandindo a rede de gasodutos. As principais regiões atendidas são a Grande Florianópolis, o Sul e o Vale do Itajaí, e há previsão de expansão nos próximos meses para a Serra.

O biogás e o biometano

O biogás é produzido no aterro sanitário quando o material orgânico, sem presença de oxigênio, realiza uma reação biológica. Ou seja, o lixo comprimido libera naturalmente o biogás: é necessário apenas uma estrutura de coleta. Do biogás extraído, é produzido o biometano (um subproduto), que seria um gás mais 'puro', ideal para a indústria.

A experiência cearense

Polêse esteve em Fortaleza-CE em janeiro para visitar uma estrutura de produção de biometano que serve de modelo à iniciativa catarinense. Lá, o gás segue por dutos do aterro diretamente para a unidade consumidora, já que a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) não permite que ele seja conduzido junto ao gás natural tradicional. No aterro, são produzidos, diariamente, 70 mil m³ de biometano. 




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