Deficiência no atendimento é apontada como principal entrave no combate às drogas
Tatiani Magalhães - AL
24/8/2011 09:07:00
Estado possui apenas 800 leitos destinados aos pacientes que precisam tratar a saúde mental.

A audiência pública realizada na Câmara Municipal de Itajaí pelo Fórum Permanente de Combate e Prevenção às Drogas da Assembleia Legislativa, presidido pelo deputado Ismael dos Santos (DEM), confirmou que o aumento no uso de entorpecentes tem relação direta com a o aumento da criminalidade. Por outro lado, deficiências na saúde pública prejudicam o atendimento aos dependentes e a reversão deste quadro. Hoje, o estado possui cerca de seis milhões de habitantes e apenas 800 leitos destinados aos pacientes que precisam tratar a saúde mental.

De acordo com o presidente do Fórum, ouvir os profissionais da saúde, da segurança e as entidades que atuam com prevenção e recuperação, nas várias cidades onde as audiências têm sido realizadas, contribuiu bastante para a elaboração do diagnóstico do estado que será finalizado no último encontro marcado para o próximo dia 29, na sede do Poder Legislativo em Florianópolis. “A intenção das audiências é justamente conhecer o problema e articular junto ao governo estadual medidas para sanar a situação”, explicou o deputado Ismael.

Itajaí, com pouco mais de 160 mil habitantes, já ocupa o terceiro lugar no ranking de homicídios no Estado, atrás apenas de Joinville e Florianópolis que registram o dobro da população. A sociedade do município e região acredita que possibilitar a reabilitação aos usuários é o principal passo para diminuir a criminalidade e o tráfico de drogas no Alto Vale de Itajaí.

Entre os relatos apresentados, os depoimentos de inúmeros funcionários e voluntários do Centro de Atendimento Psicossocial (CAPS) do Alto Vale de Itajaí confirmaram que a principal falha é a falta de estrutura na saúde pública nas áreas de prevenção e tratamento de usuários de drogas. Para a coordenadora de Saúde Mental do CAPS, Scharline Bergaminni a avaliação mental do usuário é o primeiro passo para recuperação, porém para esse atendimento são necessários recursos. “O estado precisa entender que o usuário de drogas precisa de cuidados, não apenas de punição”, frisou.

Fortalecendo a ideia de que este é o caminho para enfrentar este problema que atormenta e destroi as famílias, o presidente do Conselho Municipal de Políticas sobre Drogas (Comad), Alexandre Frankem Berger salientou que a questão é reforçar a saúde pública: “Não podemos continuar tratando os usuários apenas como caso de polícia, esses jovens e adolescentes precisam de cuidados”.

Em sua avaliação, o deputado Maurício Eskudlark (PSDB) apontou o consumo de entorpecentes como uma questão abrangente e que a cada dia vem atingindo diferentes classes sociais. “Temos um problema de ordem social que não atinge somente os usuários e suas famílias, mas toda a comunidade, pois o consumo contribui de forma assustadora para o aumento dos índices de criminalidade”, alertou. Também participaram do debate a deputada Ana Paula Lima (PT) e o deputado Volnei Morastoni (PT). 

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