Vítima é sempre vítima

14 Abril 2017 10:08:00

Tatiana Ramos

Um ator renomado suspenso por assédio sexual. Um cantor sertanejo famoso indiciado por agredir a esposa. E, por fim, um BBB expulso do programa por indícios de agressão contra a namorada. As últimas semanas não têm sido fáceis para as mulheres... Últimas semanas? Será?

As histórias que ganharam destaque na mídia - infelizmente - são apenas exemplos de fatos lamentáveis que se repetem há muitos e muitos anos e que, por não envolverem personalidades, celebridades e sub-celebridades, acabam sendo sufocados entre quatro paredes. As notícias que revoltaram o público são, para muitas mulheres, uma rotina trágica e aparentemente sem saída. Em casas não vigiadas e onde não há paparazzi, a violência segue impune e desmedida, em suas mais variadas formas, sem que as vítimas tenham suporte para desvencilhar-se.

Do lado de fora, muitas vezes, o olhar é de crítica e preconceito. Por que essas mulheres aceitam essa condição? Por que não denunciam? Por que não reagem? Como sempre, estar distantes do problema nos torna mais capacitados a resolvê-lo... Mas e se a situação fosse conosco? Antes de condenar essas mulheres, é preciso colocar-se no lugar delas. Muitas vezes, quem está em um relacionamento abusivo tem dificuldades para perceber isso. Assim como acontece com dependentes químicos ou depressivos, há uma longa e dolorosa fase de negação até que se encare o problema de frente e, então, se vá à luta para resolvê-lo. Criticar e questionar a amiga que "aceita" essa situação só vai reforçar, na cabeça dela, todos os sentimentos negativos que esse tipo de relacionamento já alimenta. Se você quer realmente ajudar, dê apoio, regue sua autoestima com elogios e palavras de incentivo. De que outra forma ela encontraria forças para libertar-se?

Além do apoio psicológico, é possível ir mais longe. As delegacias especializadas em crimes contra as mulheres estão à disposição, com pessoal capacitado para auxiliar vítimas de violência. O velho ditado que diz que "em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher" já não tem - ou não deveria ter - espaço em uma sociedade que se pretende evoluída e civilizada. Por que se revoltar tanto com o comportamento de um homem violento visto na TV e fechar os olhos para o que acontece perto de nós, às vezes, com nossas vizinhas? Se, por qualquer razão, elas não têm voz para gritar por socorro, sejamos nós os megafones a lhes ajudar.

Por fim, como o importante é usar as coisas ruins para chegar a coisas boas, o que todo esse espetáculo midiático das últimas semanas nos traz de positivo é chamar atenção para o tema e desmistificar a ideia, por exemplo, de que esse tipo de violência está apenas nas camadas mais baixas da sociedade. Infelizmente, agressores estão em toda a parte e, nas voltas que o mundo dá, ninguém está livre de ser a próxima vítima



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