Início do ano e fim das férias. É hora de contabilizar os gastos e fazer projetos para o decorrer de 2012, mas o que muitas pessoas não esperam é ter de contabilizar, junto a essas despesas, prejuízos causados por furtos em residências, crime cada vez mais comum em toda a região. De acordo com o delegado de Polícia Romildo Parno, desde que a legislação foi alterada, em maio do ano passado, substituindo a prisão preventiva por penas alternativas para um grande número de crimes, a prática de furtos aumentou consideravelmente.
Ele ressalta que, na época de férias, do início de dezembro de 2010 até fim de janeiro de 2011, ocorreram 35 registros de furtos na comarca de Curitibanos. Após a sanção da nova lei, do início de dezembro de 2011 até meados de janeiro de 2012, foram 55 registros. “É praticamente 60% de aumento. A Polícia não consegue tirar os praticantes de furto de circulação e eles tomaram consciência de que não ficam presos; assim, há aumento de ocorrências e de pessoas lesadas”, lamenta.
O delegado salienta que a nova lei prevê que a prisão preventiva seja substituída, em alguns casos, por pagamento de fiança, obrigatoriedade de o acusado apresentar- se periodicamente à Justiça, monitoramento eletrônico ou recolhimento domiciliar noturno. Em casos de furtos simples, mesmo o acusado sendo detido em flagrante, poderá ser beneficiado com uma dessas medidas cautelares e não ser levado à prisão. Nesse tipo de ocorrência, a fiança é arbitrada pelo próprio delegado, já no caso de furto qualificado, o juiz é responsável pelo arbitramento da medida cabível. “A tendência é acontecer um abrandamento da lei e não o rigor. A morosidade dos julgamentos gera sensação de impunidade, a Polícia fica sem ter o que fazer e o indivíduo continua praticando furto”, frisa.
O delegado orienta que as pessoas evitem deixar as casas sozinhas, porque os furtos estão acontecendo a qualquer hora do dia, com maior frequência nos fins de semana, mas até mesmo quando as pessoas saem para trabalhar. Ele ressalta que o ideal é que, ao viajar, deixe-se um parente ou amigo responsável por dormir na residência, para não ter surpresas desagradáveis ao retornar. Romildo elenca que cães de guarda, alarmes, câmeras, muros altos e grades inibem, mas não resolvem o problema. “Devemos nos precaver cada vez mais, até o dia em que ficaremos presos em nossas casas e os bandidos soltos na rua”, finaliza.