Um item básico para estudantes pode tornar-se prejudicial se utilizado de maneira incorreta. A mochila, aliada dos pequenos na hora de levar os materiais à escola, pode ser mocinha ou vilã, dependendo da forma como é utilizada.
Para evitar problemas com o peso dos materiais na volta às aulas este mês, o ortopedista Gustavo Miranda dá dicas de como amenizar o impacto do peso das mochilas para crianças em idade escolar. O médico salienta que algumas crianças precisam levar à escola livros grandes e pesados, sobrecarregando a coluna vertebral quando transportam esses objetos.
O médico alerta que o peso ideal a ser carregado pelos pequenos não deve ultrapassar 10% do peso do estudante. “Essa regra também não vale com base no ‘achomêtro’. Os pais devem realmente mensurar quanto pesa a mochila, para que esse peso não atrapalhe o desenvolvimento dos filhos”, orienta o ortopedista, frisando que, caso a criança permaneça por um longo período carregando esse peso, pode ter sérios problemas, como de postura e dores na coluna.
Outra dica é dar preferência às mochilas com alças duplas, que distribuem o peso de maneira correta. As bolsas com alça única – que se usa em apenas um lado – ou que são levadas na mão, por exemplo, podem trazer prejuízos à saúde dos alunos.
Dores nas costas, postura incorreta ou sinais que indiquem algum problema na coluna devem servir de alerta aos pais. Isso porque o peso excessivo inibe o crescimento dos pequenos e, de acordo com Gustavo Miranda, pode piorar casos leves de escoliose ou outros desvios na coluna. “Nesses casos, é importante suspender o peso das mochilas e procurar um especialista, para que a situação seja revertida o mais breve possível através de um trabalho multidisciplinar que envolve a medicina e a fisioterapia”, aconselhou.
Uma alternativa para quem não consegue livrar- se do peso é buscar as mochilas com rodinhas, que amenizam o esforço. “Normalmente, quando a criança apresenta dor devido ao peso da mochila, quando muda a maneira de levar os materiais, sem sobrecarregar a coluna, os sintomas desaparecem rapidamente”, observou.
COMÉRCIO
Mesmo que o gosto pela mochila preferida seja maior para as crianças, no comércio local, os pais estão procurando por modelos que não agridam a postura ou a saúde dos pequenos. A proprietária da Papelaria Lux Dhébora Costa Pellizzaro revelou que a preferência dos pais é por mochilas com rodinhas, para crianças menores de 8 anos; já para os maiores de 10, a preferência é pelas mochilas de duas alças. “As mochilas de duas alças só são compradas para as crianças que já têm força suficiente para suportar o peso”, frisou.
Dhébora avaliou, ainda, que, se os horários escolares fossem mais equilibrados, com matérias iguais a cada dia de aula, o peso das mochilas seria amenizado. Além disso, a proprietária observou que, mesmo não sendo as ideais para transportar livros, as mochilas com alças transversais são as preferidas dos estudantes que frequentam cursos alternativos e precisam carregar menos peso.