O caminho das drogas, ao contrário do que muitas pessoas pensam, pode ser revertido. Para isso, o usuário deve ser determinado, ter força de vontade e buscar a recuperação e, a fim de auxiliá-lo nessa tarefa, Curitibanos conta com a instituição de Narcóticos Anônimos (NA).
As reuniões são realizadas todos os domingos, às 20 horas, no Centro Comunitário Frei Eliseu Tambosi. No entanto, a procura pelo serviço é baixa, de acordo com LMS, coordenador regional de relações públicas do NA. “Há mais de um ano e meio, temos o grupo em Curitibanos e, atualmente, apenas três pessoas participam. Acredito que muitas outras precisam de ajuda, mas ainda não encontraram o caminho”, lamenta.
Ele salienta que, indiferente de que droga seja, a dependência não faz restrição social, religiosa ou econômica. Após viciar, conduz o usuário ao fundo do poço e, se ele não receber ajuda, pode não conseguir sair desse poço a tempo de preservar sua saúde, seus bens e até sua família.
L explica que o grupo NA é autossustentado e não aceita contribuições financeiras de pessoas que não pertençam à irmandade. As reuniões são gratuitas e autônomas, não dependem de qualquer instituição política, religiosa ou policial. “Muitas pessoas querem ajudar, mas o que precisamos é ajudar um ao outro. Partilhamos recuperação e experiências para nos mantermos limpos e quem frequenta as reuniões tem a identidade mantida em sigilo”, reforça.
Segundo L, o NA é formado por adictos em recuperação, que buscam sobreviver às adversidades, propagar entre eles a esperança e levar a mensagem ao adicto que ainda sofre. O coordenador explica que o adicto é escravo da droga, trabalha para o vício, rouba para o vício, engana para conseguir droga e, em consequência disso, acaba sofrendo e causando muito sofrimento para todos os que vivem ao seu redor. “O dependente faz tudo pela droga, fica contra todos que tentam ajudar e, se ele aceitar que precisa de ajuda, no NA, ele vai estar junto de pessoas iguais a ele, que, como ele, tentam superar as dificuldades”, completa.
L afirma que a pessoa recém-chegada ao NA é a mais importante do grupo, pois está buscando ajuda para afastar-se do vício, e o grupo, através de depoimentos e troca de experiências, auxilia nessa busca.
O membro do NA, PV, que está há oito anos sem usar drogas, revela que desestruturou a família por causa do vício. “O vício era meu chefe e demorei a entender isso. Por causa dele, causei muito sofrimento. Trabalhava não para minha família, mas para sustentar o bar e o traficante; a droga era o centro de minhas atenções”, relata.
P revela que sua irmã o convenceu a procurar o NA e, por querer sair da vida dependente, resolveu frequentar a instituição. Assim, aos poucos, recuperou o amor dos filhos e, hoje, com seu testemunho, busca auxiliar outras pessoas que vivem situação semelhante. “Um engano que fez com que eu não acompanhasse o crescimento dos meus filhos. Eu não admitia que não conseguia controlar o uso das drogas e, hoje, busco recuperar o tempo perdido, frequentando o NA”, declara, acrescentando que o dependente precisa do apoio familiar para conseguir manterse limpo. “A família é o elo entre o vício e o NA. Deve buscar informação e ajudar o dependente a compreender que está doente, precisando de ajuda, e não será julgado por isso”, conclui.
Contato
Além da sede física, o NA disponibiliza uma linha de apoio para adictos que precisem conversar ou de ajuda para controlar a vontade de usar drogas. Um membro do NA atenderá, através do número (49) 8816-9615, e poderá resgatar o ex-dependente, indo até ele para prestar ajuda ou indicando-lhe ações para acalmar possíveis crises de abstinência.
Programa de NA
O programa de recuperação de Narcóticos Anônimos trabalha os seguintes princípios:
- A admissão de que existe um problema
- A busca de ajuda
- A realização de uma profunda autoavaliação
- A admissão de defeitos a outro ser humano
- Reparações pelos danos causados
- Ajuda para adictos a drogas recuperarem-se
Linha de ajuda
(49) 8816-9615
