Às vésperas de criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), a Câmara de Vereadores de Curitibanos foi lacrada, na tarde da última quinta-feira (2), durante uma Força Tarefa do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), de Lages, órgão ligado ao Ministério Público. Com um mandado de busca e apreensão, o grupo fechou a porta do Poder Legislativo a chave e instalou-se um “ninguém entra, ninguém sai” no prédio.
Do lado de dentro, documentos foram apreendidos para posterior investigação e os vereadores Adelson Urioste e Osni Righes (Nico), presidente da Casa, acompanharam os trabalhos, sem poder deixar a Câmara. Do lado de fora, os vereadores Flaris Camargo, José Setembrino Medeiros (Binho), Ivan França Moreira e Valdeci Garcia (Gugu) aguardavam o fim da ação para poderem entrar no imóvel.
Segundo Gugu, a Força Tarefa chegou a Curitibanos no início da tarde. “Por volta das 13h40’, tentei protocolar documentos e não pude porque a Câmara já estava lacrada”, informou.
Para o vereador Flaris, a ação demonstra que a investigação está tendo resultados, envolvendo diferentes setores, como Polícia e Ministério Público. “É sinal de que estão trabalhando”, avaliou.
A apreensão de documentos, que foram encaminhados a Lages, fará com que a empresa de auditoria contratada para realizar a vistoria nas contas do Legislativo, que já havia iniciado os trabalhos, suspenda a apuração, de acordo com o vereador Gugu. “Não haverá documentos para serem analisados. Da mesma forma, a CPI que instalaríamos nesta segunda- feira (6) também está comprometida. Vamos investigar o que sem documentos?”, completou.
Até o fechamento desta edição, a Força Tarefa não havia finalizado os trabalhos no Legislativo e nenhuma informação oficial por parte de seus representantes foi repassada.
CPI
Após a surpresa da chegada da Força Tarefa do Gaeco de Lages, na quinta (2), esta segunda-feira (6) também promete ser movimentada na Câmara de Curitibanos, com a volta dos vereadores à atividade após 45 dias de recesso. A oficialização de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os gastos do Legislativo será o foco central da primeira sessão ordinária do ano, que inicia às 20 horas e é aberta ao público.
Com projeto de resolução que cria a CPI assinado pelo presidente da Câmara Osni Righes (Nico) em 13 de janeiro, a sessão deve definir detalhes, como os três vereadores que comporão a Comissão e qual período de contas será investigado. De acordo com o projeto, a CPI terá um prazo de 90 dias para as apurações, podendo ser prorrogado por mais 45 dias, com o objetivo de investigar o desvio de dinheiro da conta da Câmara no fim de 2011, que deixou vereadores e servidores sem salários em dezembro e acumulou, de acordo com levantamento preliminar, quase R$ 30 mil em dívidas, pagas em janeiro.
O caso ganhou repercussão nacional e, em Curitibanos, vem mobilizando a sociedade. Para a tarde desta segunda-feira (6), às 15 horas, está sendo organizado um “panelaço” em frente à Câmara. O convite para o protesto circulou pela Internet, durante a última semana, mas não foi divulgado quem estaria organizando a ação.