Deixa eu te contar...
16/7/2010 10:35:00

(FINAL)

 

Vendo que ficava pobre com aquele empregado, o fazendeiro resolveu matá-lo o mais depressa possível, de um modo que não o levasse à Justiça. Disse que andava um ladrão rondando o curral e deviam vigiar, armados, para prender ou afugentar a tiros. A ideia era atirar em Malazarte e dizer que se tinha enganado, supondo-o um malfeitor. De noite, o fazendeiro foi para o curral e Pedro devia substituí-lo ao primeiro cantar do galo. Quando o galo cantou, Malazarte acordou a velha e disse que o marido a esperava no curral e que levasse a outra espingarda, porque ele, Pedro, ia fazer o cerco pelo outro lado. A velha apanhou a carabina e foi, sendo morta pelo fazendeiro com um tiro, certo de que abatia, pelo vulto, o atrevido criado. Assim que a velha caiu, Pedro apareceu chorando e acusando o amo. Este, assombrado, pagou muito dinheiro para não haver conhecimento da Justiça e ofereceu ainda mais dinheiro se o Malazarte fosse embora, sem mais outra proeza. O rapaz aceitou e voltou rico para casa dos pais. (FIM)

 

***

 

Havia um rei muito orgulhoso, que não tinha crença religiosa, porém, muito supersticioso, pois gostava de consultar magos, adivinhas ou feiticeiros. Quando nasceu o primeiro filho, mandou chamar um mago para dizer-lhe o destino do príncipe. O mago concentrou-se e disse secamente: - Seu filho morrerá de um raio!

- Pois eu evitarei! Disse o rei. - Com os recursos da ciência, construirei uma torre protegida em todos os lados com pararraios, paredes grossas e revestidas de chapas de ferro e ali conservarei o meu filho, e quando meus astrônomos me avisarem que o tempo vai mudar, ele ficará ali, até o tempo firmar, e, assim, o destino há de ser mudado. - Não adianta! Disse o mago. - Só Deus pode mudar o nosso destino.

Mandou imediatamente construir a torre e mandou instalar ali os aposentos do príncipe, e este só saía com o tempo muito firme e depois dos seus astrônomos afirmarem tempo bom, tantas horas. Um dia qualquer, o príncipe desejou ir caçar, e o rei chamou seus astrônomos, e, depois de receber o sim de cada um deles, montaram, depressa, em seus fogosos cavalos, os tocaram a toda velocidade para alcançarem a torre. Quando já se achavam a pouca distância da torre, caiu uma tremenda descarga elétrica que fendeu a torre de alto a baixo, até os alicerces. O príncipe e os seus nada sofreram. O rei ouviu, então, uma voz que lhe disse:

-Vês, rei orgulhoso e tolo, o que é o poder de Deus? Teu poder e tuas precauções de nada valeriam se o príncipe estivesse encerrado na torre, pois teria morrido fatalmente, por quanto era seu destino, mas Deus fez isso para te mostrar o seu infinito poder, cortando por essa maneira o destino do teu filho. Só ele pode dar ou mudar o destino de suas criaturas e não a sabedoria dos homens. O rei tornou-se desse dia em diante, muito crente e dizia: - Nada pode se comparar com o poder de Deus!!!

 

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