Assembleia do Sindicato dos Trabalhadores da Educação (Sinte) na quarta-feira, 6, decidiu pela manutenção da greve, que completa hoje 52 dias.
Os docentes, que se reuniram na Passarela Nego Quirido, em Florianópolis, seguiram para a frente da Secretaria Estadual da Educação, onde fizeram uma manifestação. O secretário de Estado da Educação, Marco Tebaldi, disse que as assembleias regionais evidenciaram a vontade da maioria em terminar a greve, mas quem teria condições de vir até a Capital e participar da reunião geral pertence à minoria que prevaleceu no encontro de quarta-feira.
REGIÃO
Das 30 assembleias regionais de professores para analisar a última proposta do governo e decidir pelo fim ou pela continuidade da greve, as regionais de Florianópolis, São José, Tubarão, Criciúma, Joinville, Mafra, Itajaí, Araranguá, Laguna, Ibirama e Videira, que representam cerca de 57% do número, votaram pela continuidade da greve. As demais regionais têm autonomia e decidiram voltar às aulas, inclusive a regional de Canoinhas que responde pelos municípios de Irineópolis, Bela Vista do Toldo, Três Barras, Major Vieira e Porto União. Adão Lourenço, que faz parte do comando de greve da regional de Canoinhas, comenta que a decisão pelo fim da greve, foi em respeito aos alunos para que o ano letivo não se perca. “Voltamos para a sala de aula com compromisso de repor as aulas, mas continuamos indignados com a situação”, diz. De acordo com Lourenço, cerca de 50 professores de Canoinhas estiveram na assembleia estadual. “Percebemos que nas outras regiões os professores receberam apoio dos diretores de escolas, inclusive das Gerências de Educação, o que não aconteceu na região e por isso enfraquecemos”, acredita.
Segundo o Sinte, 60% dos profissionais estavam parados até o último levantamento da entidade, feito no início da semana passada. Já a Secretaria de Estado da Educação, diz que em seu último levantamento, feito na terça-feira, 5, com 893 das 1,3 mil escolas, 38% dos professores continuavam parados. O governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo, disse na assembleia estadual de quarta-feira, 6, que a decisão de manter a greve dos professores é um absurdo. Colombo argumenta, no entanto, que a maioria das assembleias regionais havia decidido pelo fim da paralisação. Para ele, quando isso acontece, a greve passa a ficar sem sentido, passando a ser política, com prejuízo à educação e aos alunos.
“PASSOU DOS LIMITES”
O governador determinou que a proposta feita aos docentes no domingo, 3, fosse encaminhada à Assembleia Legislativa (Alesc). O Projeto de Lei Complementar (PLC) propõe o pagamento do piso e a reestruturação da regência de classe no vencimento de agosto. Os índices das séries finais e do ensino médio, que hoje estão em 17%, passariam para 20%. Os percentuais das séries iniciais, que estão em 25%, passam para 30%. No entanto em decisão inédita, tomada na manhã de ontem, os líderes de todos os partidos na assembleia decidiram que só votam o PLC, se a maioria dos professores da rede pública estadual, retornar ao trabalho. Segundo o presidente da casa, Gerson Merisio, o parlamento quer dividir a decisão com a sociedade, pois acredita que o movimento “passou dos limites” e pode determinar a perda do ano letivo. Os deputados também questionaram a centralização da assembleia dos professores, realizada em Florianópolis. Eles acreditam que o resultado seria outro se o ato fosse realizado na região central do Estado ou no Oeste.
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