Ela deixou de ser marca registrada de jovens para se tornar uma forma de expressão e subjetividade. “Tatuagem é uma forma de se expressar com desenhos que demonstram a personalidade e estilo de vida”, diz Caroline Hunka, 22 anos, que tem sete tatuagens pelo corpo. O uso da pele para expressar ideias, valores ou simplesmente vaidades é praticado há mais de 3,5 mil anos. Na época, a tatuagem servia para indicar quais indivíduos faziam parte da mesma comunidade. No começo da era moderna, a tatuagem era vista como sinal de marginalidade. Foi somente quando passou a ser vista no corpo de artistas e músicos que ela passou a ser símbolo de expressão de arte no corpo. Para o tatuador Daniel Vicente (também desenhista do CN), de Três Barras, o maior avanço da tatuagem artística atualmente foram os novos equipamentos disponíveis no mercado. “Como exemplo temos as tintas que são muito mais fortes e brilhantes”, diz. Vicente destaca também os materiais exigidos para conseguir a regulamentação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que tem melhorando a qualidade dos locais onde se faz tatuagem. Há cinco anos que Vicente deu início a atividade de tatuador. Inicialmente era um hobby. “Fazia as tatuagens em casa mesmo, com o passar do tempo, as pessoas começaram a me procurar e resolvi investir nesse segmento”, conta. Atualmente, a arte é o carro chefe de sua renda e lhe dá estabilidade financeira. “Trabalhei em outras áreas, mas agora estou em um momento de transição para me dedicar integralmente à tatuagem. Sempre sonhei em trabalhar e viver de arte."
CUIDADOS
De acordo com ele, os cuidados para fazer uma tatuagem devem iniciar pelo estúdio que deve ter total higiene e assepsia, agulhas descartáveis, biqueiras esterilizadas em autoclave, tintas próprias para pigmentação da pele, luvas e todo resto do equipamento descartável. “Além disso, após o término da tatuagem, a pessoa deve evitar o contato prolongado com o sol, mar, piscinas e poeira”, explica. Segundo Vicente, o uso de pomadas hidratantes e cicatrizantes não deve ser interrompido por um período de 15 dias. “Não se deve coçar e nem tirar as casquinhas que se formam sobre o desenho”, destaca. O estudante de Direito Roger Eduardo Rodriguez, 21 anos, destaca que é necessário que a pessoa tenha certeza do que quer tatuar. “Felizmente temos bons profissionais na região. Hoje é possível tatuar com qualidade”, ressalta o estudante que atualmente tem 16 tatuagens e pretende tatuar mais algumas. Para ele, as tatuagens representam uma maneira de ser único, algo que o diferencia. “Trago comigo coisas que gosto e que representam. O que realmente sou.”
PROCESSO
Sobre o processo da tatuagem, Vicente diz que depende muito da sensibilidade de cada pessoa e também da região a ser tatuada. “No geral é uma dor suportável”, comenta. Para Caroline, é uma dor que vale a pena. “Depois que você vê o trabalho feito do jeito que queria, é só curtir.” Para ela, o bom resultado de uma tatuagem começa pela escolha de um bom profissional. “Antes de escolher o desenho, escolha o profissional, se ele for bom, o resultado também será e não haverá arrependimento”, diz. A paixão da canoinhense por tatuagens começou bem cedo. “Desde criança admiro pessoas com tatuagens. Quando completei 17 anos, fiz a primeira e desde então tive vontade de fazer as outras”, conta. Para ela, a tatuagem é uma forma de se expressar com desenhos que demonstram a personalidade e estilo de vida. “Tem que fazer um desenho que realmente goste e que queira exibir para o resto da vida”, aconselha.
PRECONCEITO
De acordo com o tatuador, infelizmente ainda existe preconceito com pessoas tatuadas “Muitos preferem tatuar em regiões menos visíveis que possam esconder quando necessário”, conta. Segundo Vicente, tal atitude reflete o receio de rejeição ou até mesmo o medo de que se diminuam opções de emprego, por exemplo. Mas, de acordo com o artista, o preconceito vem diminuindo. “Hoje a maioria das pessoas vê tatuagem como arte." Caroline diz que nunca sofreu preconceito. “Não me importo com a opinião alheia. As pessoas têm é muita curiosidade sobre o assunto. Geralmente ouço elogios”, revela. Ao contrário de Caroline, Rodriguez conta que já sofreu preconceito. “Acredito que as pessoas que têm tatuagem devem mostrar que isso não interfere em seu caráter”, diz. Para ele, tal atitude, ajudará a mudar o conceito em relação à arte.
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