A pequena sala de espera do Centro de Diagnóstico por Imagem (CDI) Oswaldo Segundo de Oliveira já não comporta a demanda de pacientes que circulam por ali, especialmente na primeira hora da manhã e da tarde. É quando chegam as vans e micro-ônibus de várias cidades da região, com pacientes em busca de exames complexos como de ressonância magnética, equipamento de última geração que só em manutenção despende R$ 27 mil por mês. Os custos do Centro são tão grandes quanto as esperanças de quem por ali passa em busca de uma resposta para uma dor de cabeça constante ou para um caroço suspeito no peito.
Criticado pelo trato com pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) e pela falta de plantão – na semana passada, o presidente da Câmara de Vereadores, Beto Passos (PT) sugeriu que os equipamentos do CDI sejam cedidos ao Hospital Santa Cruz, a fim de garantir o funcionamento 24 horas –, o CDI ficou novamente em evidência depois que um paciente ficou com fratura exposta na cabeça por 16 horas aguardando o CDI abrir para fazer um exame de ressonância (leia ao lado).
O gerente do CDI, Luiz César Batista, rebate as críticas, lembrando que o CDI tem sim sobreaviso (um médico fica em casa, mas pode ser chamado a qualquer momento se houver urgência), mas para ultrassom. “Entregar os equipamentos para o Hospital seria inviável, já que o CDI é uma entidade pública, o Hospital não”, argumenta.
CONSÓRCIO
O CDI foi construído pelo Consórcio Intermunicipal de Saúde (CIS), formado pelos municípios que compõem a Associação dos Municípios do Planalto Norte (Ampla Norte). Os equipamentos foram doados pelo Governo do Estado, mas a manutenção é paga pelas prefeituras. Dessa forma, cada município tem direito a uma cota de exames por mês. A fim de pagar os altos custos, o CDI faz também exames particulares. A liberação para convênios com planos de saúde, no entanto, foi aprovada somente há um ano. “A prioridade é agendar SUS”, frisa Batista.
Quando começou a funcionar, o CDI tinha os equipamentos de raio X, ultrassom e ressonância magnética. Desde o ano passado, passou a funcionar também um mamógrafo. Apesar de ser um centro de excelência em exames, os médicos reclamam da falta de um equipamento de tomografia, que poderia ser vital no caso de Marciano Spack, que morreu há duas semanas no Pronto Atendimento. “Com a tomografia, teríamos plantão 24 horas. A ressonância magnética não tem (plantão), simplesmente porque não é um exame de emergência”, justifica Batista.
A sala para receber o tomógrafo já está pronta, mas falta o equipamento, avaliado em US$ 500 mil. “Neurocirurgião nenhum vem para Canoinhas se não tiver um tomógrafo”, alerta o médico radiologista do CDI, Gilberto Santos Rodrigues. A análise é simples. Sem tomógrafo, não há como o neuro ter um diagnóstico preciso para operar.
Segundo Batista as negociações para se alugar um tomógrafo estavam bastante adiantadas, mas o deputado Antonio Aguiar (PMDB) entrou na questão prometendo intervir junto ao Governo do Estado para a compra do equipamento. Em setembro, em visita a Canoinhas, o governador Raimundo Colombo (PSD) prometeu que o tomógrafo seria comprado, mas até agora nada foi concretizado.
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