A Universidade do Contestado (UnC) acumula déficit anual de R$ 4 milhões. A informação foi dada pelo reitor da UnC, José Alceu Valério, durante reunião com políticos e empresários no Centro Empresarial de Canoinhas na segunda-feira, 28. “Vamos buscar esse dinheiro com bancos, mas temos condições, obviamente, de cumprir esse compromisso”, afirmou.
A reunião teve por objetivo unir forças no sentido de melhorar a imagem da instituição depois que o Índice Geral de Cursos (IGC) do Ministério da Educação (MEC) enquadrou a UnC no conceito 2, numa escala que vai de 1 a 5. Para o MEC, o conceito 2 é considerado insatisfatório.
Valério frisou que o Conselho Estadual de Educação, que de fato fiscaliza a UnC, vê a Universidade com outros olhos, tanto que deu conceito bem mais otimista à UnC em avaliação feita no ano passado. Ele reconheceu dois pontos fracos, que precisam ser melhorados. O primeiro se refere à necessidade de ampliar o número de professores com dedicação exclusiva em tempo integral. A segunda se refere à criação de mais dois mestrados e um doutorado. A UnC oferece hoje mestrado em Desenvolvimento Regional. Estes dois quesitos, segundo Valério, foram fundamentais para o conceito do IGC. O reitor frisou ainda que o conceito não reflete a capacidade de todo o corpo discente da Universidade. Ele citou o exemplo do curso de Radiologia, que participou da prova do Exame Nacional de Desempenho do Estudante (Enade) com apenas dois alunos. O curso, inclusive, nem existe mais.
Ao falar da condição financeira da UnC, Valério disse que um dos objetivos da atual gestão é tentar recursos federais, que possam dar novo fôlego à Universidade.
MARKETING
O pró-reitor de Canoinhas, Argos Gumbowsky, falou sobre a ideia de se criar um plano de marketing, com envolvimento de toda a sociedade. “Pessoas bem-sucedidas, empresários de sucesso que passaram pela UnC podem dar seus testemunhos”, sugeriu.
A rádio UnC FM deve veicular testemunhos de ex-alunos da UnC que seguiram carreiras de sucesso. Vários deles, presentes à reunião, se comprometeram a prestar depoimentos. “A instituição tem 41 anos, seria justo um ano apagar 40 anos de história?”, questionou Gumbowsky. O pró-reitor disse que a UnC vai fazer o dever de casa, mas cabe à comunidade ajudar, já que “a UnC sempre esteve voltada para a sociedade.”
O responsável pelo departamento financeiro da UnC, Carlos Eduardo Carvalho, lembrou que a UnC hoje cobra pelo menos metade do valor da mensalidade de faculdades particulares do litoral e que isso prejudica o ensino. “Cobrando mensalidades menores, há dificuldade para pagar doutores, que optam por faculdades federais”, exemplificou. Ele lembrou que a UnC já pagou vários doutorados que deixaram a instituição depois de formados. “Podemos lutar contra a corrente? Não podemos”, afirmou.
Ele defendeu o fechamento dos cursos que dão prejuízo e o investimento em cursos que vão bem.
Várias pessoas, entre políticos e empresários, apoiaram a iniciativa da UnC e firmaram compromisso de apoio à instituição.
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