A partir deste mês os pacientes que possuem próteses de silicone nas mamas serão rastreados pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). A entidade desenvolveu o chamado Cadastro Nacional de Implantes Mamários, que receberá dados dos cinco mil cirurgiões plásticos associados da SBCP. Eles receberão suas senhas para acessar o banco de dados a partir desta semana. A medida se tornou necessária após a polêmica com o material usado para próteses mamárias da marca Poly Implant Prothèse (PIP), ocorrida em março de 2010, quando irregularidades na produção do produto foram detectadas pela agência sanitária francesa. O resultado foi a falência da empresa, fundada em 1991 no sul da França. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomenda avaliação médica para mulheres com silicone PIP e cancelou o registro de próteses de silicone da PIP no Brasil. De acordo com a médica Giovana Gianini Romano, especialista em cirurgia plástica, além dos casos de rompimento precoce das próteses da marca PIP, houve também alguns casos de câncer. “A fábrica foi fechada em 2010, após constatação de que o silicone utilizado era do tipo industrial, ou seja, mais barato e não do tipo específico para uso médico”, explica. Segundo a médica, mais de 25 mil próteses defeituosas desta marca foram implantadas em 12,5 mil mulheres brasileiras antes da proibição, a maioria nos Estados do sul do País.
RASTREAMENTO
O banco de dados de pacientes terá informações sobre os cirurgiões, pacientes e números de série, lote e marca das próteses usadas. No programa serão cadastrados os pacientes, cujas identidades serão mantidas em sigilo, o que é obrigação dos médicos. Os cirurgiões serão identificados por um número e terão uma senha. Isso vai estimular a informação, pois um médico não saberá dados do outro e nem sobre o paciente dele, mas terá acesso a informações gerais. Será possível detectar o Estado, a cidade, o médico que fez o implante, o motivo da cirurgia e em caso, de troca, a razão para isso. O cadastro teria sido uma ferramenta eficaz de prevenção quando ocorreram casos de infecções nas pacientes com prótese mamária em Campinas, em 2004. A especialista informa que é importante que o paciente verifique qual marca de próteses foi utilizada. “Todo paciente recebe a caixa com um livreto de orientações, etiquetas com o número do lote e a nota fiscal”, conta. De acordo com a médica se a marca for a PIP, é necessário agendar uma consulta com o cirurgião plástico responsável pela cirurgia e verificar qual o lote das próteses. Por meio de exame físico e de imagem saber qual a situação das próteses.
De acordo com a médica Giovana Gianini Romano, especialista em cirurgia plástica, se a paciente sentir dores nas mamas, endurecimento, vermelhidão ou ínguas nas axilas, há possibilidade de existir problemas com as próteses. “Nesse caso devem ser realizados exames de ressonância magnética para constatar o rompimento”, orienta. Segundo ela, o retorno pós-operatório anual é obrigatório, acompanhado se exames de ecografia mamária ou ressonância magnética. Na maioria dos casos o exame deve ser feito anualmente. “Se o paciente tem nódulos mamários ou história de câncer de mama, o retorno deve ser a cada seis meses”, comenta. A Anvisa sugere que os pacientes que utilizem implantes mamários de silicone da marca francesa PIP procurem seus médicos para realizar exames e serem avaliadas clinicamente. Já profissionais de saúde podem procurar suas pacientes e discutir com elas a melhor conduta a ser adotada.
RETIRADA
Serviços de saúde devem comunicar à Anvisa todos os casos que envolvam eventos incomuns ou a retirada do implante mamário preenchido de gel de alta coesividade (nome comercial do produto no Brasil). A notificação pode ser feita pela Notivisa, serviço que pode ser encontrado no site da agência. A autoridade sanitária francesa (Afssaps) recomendou que 30 mil mulheres na França retirem as próteses da marca por conta do alto risco de rupturas e de irritação cutânea. A agência afirma que a extração dos implantes seria uma medida preventiva, não emergencial. A PIP chegou a produzir 100 mil próteses ao ano, exportando 84% da produção, principalmente para América Latina (Venezuela, Brasil, Colômbia e Argentina), Espanha e Grã-Bretanha, mas no começo de 2010 a firma entrou em colapso ante as reiteradas denúncias de rupturas de suas próteses. Desde 2006, um em cada 14 implantes da marca colocados partiu-se.
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