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EM CIMA DA HORA
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Produtores locais abandonam a cultura
Ellen Colombo
25/11/2011 03:00:54
Dores de cabeça, vômito, tontura e náuseas são alguns sintomas da doença que afeta 54% dos produtores de tabaco
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 Uma pesquisa coordenada pelo Ministério da Saúde reportou o que chamou de primeiro relato do surto da doença do tabaco verde no Brasil. Em países como Estados Unidos e Índia, já existem comprovações de situações do gênero. O estudo do Ministério detectou 107 casos da doença no interior do Estado de Alagoas. Uma nova fase da pesquisa vai focar também plantações no Rio Grande do Sul, Estado que concentra a produção de fumo no País. A doença relacionada à folha do tabaco ainda verde, ou seja, recém colhido das lavouras, provoca uma espécie de overdose de nicotina absorvida pela pele e aparece em produtores de tabaco. A nicotina é absorvida pelo trabalhador na colheita das folhas. O suor, o orvalho e a chuva facilitam o contato da substância com a pele. O mal causa dores de cabeça, tontura, náuseas e cólica, pode durar alguns dias e afetar a mesma pessoa por várias vezes. De acordo com dados da Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar (Fetraf-Sul), um estudo realizado na Índia aponta para 54% de prevalência da doença entre os trabalhadores.

A DOENÇA
Os relatos são os mesmos: dores de cabeça, vômito, tontura e náuseas. “Eu passava mal na hora da colheita, acredito que sofria da doença do tabaco verde”, conta a agricultora Cacilda dos Santos, esposa do agricultor Ademar José dos Santos que, neste ano, devido a problemas relacionados à saúde e dívidas da safra passada, não vai plantar fumo. “Passamos a trabalhar com a produção de verduras e hortaliças para merenda escolar. A mudança da qualidade de vida foi total”, reforça Cacilda. De acordo com ela, a estrutura para o plantio de fumo está completa, mas a família que reside na localidade de Arroios, interior de Canoinhas, não pretende voltar a plantar fumo. “Além dos prejuízos econômicos, ainda tem os malefícios à saúde”, comenta. Ademar destaca que os prejuízos com preço baixo foram grandes na safra 2010/2011. “Ainda estou com dívidas, por isso, fiquei com medo de plantar. Cada ano está ficando pior.” Atualmente, ele tem três mil alqueires de hortaliças que são destinadas ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que adquire a produção de 48 famílias de agricultores em Canoinhas.

ALTERNATIVA
De acordo com Antônio Baio Sobrinho, responsável pelo repasse do programa aos agricultores de Canoinhas, o contrato feito com as famílias é anual. “Em 30 dias, após a entrega das verduras nas escolas, a prefeitura, por meio da Secretaria da Educação, repassa o recurso destinado ao pagamento das famílias”, explica. Segundo Sobrinho, o valor pago varia de acordo com a quantidade e com o produto que foi entregue. Cada família pode entregar até R$ 9 mil por ano. “A novidade é que em breve estaremos atendendo as escolas de União da Vitória-PR”, conta com entusiasmo. Sobrinho, que plantou fumo orgânico (sem agrotóxicos) até 2009, diz que desistiu definitivamente da fumicultura no ano passado e que não pretende voltar. “A maioria dos produtores está desistindo”, afirma. Ele comenta que a dificuldade ainda consiste em alternativas para as famílias. “A alimentação escolar não consegue agregar muitas famílias, pois o consumo nas escolas locais ainda é pouco, se comparado a demanda por tabaco”, diz. Para ele, o problema da doença do tabaco verde tem contribuído para a diminuição do número de plantadores de fumo. “Parei de plantar porque tive problemas de saúde”, comenta.

PREVENÇÃO

A maneira para prevenir contra a doença consiste na utilização de Equipamentos de Proteção Individual (EPI), como luvas e capas impermeáveis. De acordo com Sobrinho, a maioria dos produtores de fumo não utiliza os equipamentos, pois além de serem quentes, não são totalmente impermeáveis, o que colabora ainda mais para o aparecimento dos sintomas da doença do tabaco verde, quando a absorção da pele fica maior por causa do suor.

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