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Cruzeiro do Vale > Reportagem Especial

09 de Abril de 2010 - 15:37

Possível saída da Bunge de Gaspar gera alerta na economia catarinense

A notícia de que a Bunge Alimentos foi extinta e se uniu à Bunge Fertilizantes para se tornar a Bunge Brasil, publicada pelo Jornal Cruzeiro do Vale em meados de março, provocou muitos comentários no cenário econômico catarinense.

Gaspar - Cruzeiro do Vale

Bunge

Bunge / Foto: N/A

A notícia de que a Bunge Alimentos foi extinta e se uniu à Bunge Fertilizantes para se tornar a Bunge Brasil, publicada pelo Jornal Cruzeiro do Vale em meados de março, provocou muitos comentários no cenário econômico catarinense. Especialistas de várias áreas foram em busca de informações sobre a possível saída do administrativo da Bunge de Gaspar. Apesar das especulações, nada de concreto foi divulgado pela assessoria de imprensa da empresa.


Diante dos fatos, os jornalistas Carlos Tonet, Marina Melz e Pedro Machado, do portal de informações e negócios Noticenter, de Blumenau, foram em busca de mais informações sobre o caso. A reportagem foi publicada no noticenter.com.br nesta quarta-feira, 7, e segue abaixo, na íntegra, para que os leitores do Cruzeiro do Vale possam ter mais informações sobre o assunto e sobre o possível impacto na economia gasparense, e catarinense, caso a Bunge deixe mesmo a cidade. A responsabilidade das informações é de seus autores.

 

Por
Carlos Tonet, Marina Melz e Pedro Machado
Portal Noticenter

Na semana passada o Noticenter noticiou que Santa Catarina pode estar prestes a sofrer um grande baque em sua economia. A Bunge, maior conglomerado agroindustrial da América Latina, com faturamento de R$ 30 bilhões, pode estar deixando o Estado nos próximos meses. A empresa mantém cerca de 700 funcionários na cidade de Gaspar, onde estão localizadas uma fábrica de margarina e o complexo administrativo central.


Dados apurados pelo Noticenter mostram que a Bunge está entre a cinco maiores empresas que contribuem para o índice de retorno de ICMS. Em 2009 o valor foi de aproximadamente R$ 40 milhões positivos. A empresa responde por cerca de 40% do retorno do ICMS de Gaspar, quantia que corresponde a R$ 7,6 milhões.
Nesta segunda-feira, dia 6, a redação do Noticenter foi informada de que mais uma indústria tem planos de deixar a cidade de Gaspar, motivada por problemas de logística. Consultada, a gerência regional da empresa negou a informação.


Com base em diversas fontes, ligadas a setores políticos e econômicos, o Noticenter elaborou uma lista com os principais itens relacionados a uma nova conformação industrial catarinense.

 

O que pode acontecer com as mudanças

BUNGE - Fruto de um planejamento estratégico definido em 2007, a Bunge pode deixar Santa Catarina e transferir toda a sua administração para São Paulo. Algumas pessoas já foram transferidas. Nos bastidores, aguarda-se para as próximas semanas o resultado de levantamentos de uma consultoria sobre toda a operação.

REFLEXOS - O Noticenter tentou obter junto à Secretaria da Fazenda do Estado o volume de ICMS recolhido pela Bunge, mas a informação não pode ser divulgada, de acordo com a assessoria de imprensa. A prefeitura de Gaspar também não quer se manifestar a respeito.

ICMS - Apesar de faturar mais de R$ 30 bilhões, o ICMS recolhido pela Bunge em Santa Catarina não é muito expressivo. De acordo com uma listagem de contribuintes obtida pelo Noticenter em 2007, a empresa não aparece sequer entre os 100 maiores arrecadadores do Estado.

EXPORTADORA - Por ser uma grande exportadora, a Bunge negocia com o governo estadual créditos em ICMS. Isso reduz significativamente sua arrecadação. O reflexo sobre o montante que ela deixa de arrecadar é subjetivo. Por ser uma grande empresa, a Bunge acaba por gerar muito retorno de ICMS a partir de suas operações.
Em 2009, por exemplo, ela ficou entre as cinco maiores empresas que contribuem para o índice de retorno do ICMS, com o valor de aproximadamente R$ 40 milhões positivos.

GASPAR - Um consultor especializado em multinacionais ouvido pelo Noticenter estima que a prefeitura de Gaspar deva perder algo próximo a R$ 7,6 milhões em arrecadação com a saída da Bunge. O orçamento total do município é de R$ 93 milhões, sendo que, deste total, R$ 19 milhões referem-se ao retorno ICMS. Ele calcula que a Bunge represente cerca de 40% do ICMS repassado para a prefeitura.

BOOM INDUSTRIAL - A região de Blumenau viveu um verdadeiro boom industrial nos anos 70, com a chegada de multinacionais como Albany, e Johnson & Johnson. A região também foi benefiacada com o surgimento da Ceval - Cereais do Vale, um empreendimento lançado pelo Grupo Hering, que nos anos 90 seria adquirido pela multinacional Bunge.

PERDA DE EMPRESAS - Nos últimos anos, porém, a região vem sendo atingida pelo êxodo de empresas. O caso mais recente foi o da Eletro Aço Altona, que anunciou mudança para Barra Velha por questões logísticas, que também estão entre as causas da saída da Bunge.
 

 

 

Mais uma saindo?

 

 

 

 

O Noticenter apurou que mais uma empresa estaria saindo de Gaspar, transferindo-se para outra cidade catarinense. O nome, por enquanto, não pode ser divulgado devido a negativas de sua direção. Isolada da BR-101 por graves problemas de trânsito, a região de Blumenau deixou de sediar investimentos recentes como a japonesa Takata-Petri, fabricante de cintos de segurança que analisou a situação da cidade, mas preferiu implantar a fábrica em Barra Velha. Um dos principais gargalos ao desenvolvimento é a BR-470, que em alguns trechos chega a registrar 70% do movimento da BR-101. Sem sua duplicação, a economia local corre o risco de entrar em colapso.

 

Mudanças criaram a Bunge Brasil

 

 

 

Parte das operações administrativas da Bunge já haviam sido terceirizadas para a empresa Sonda Procwork, que mantém uma unidade em Gaspar. O Noticenter entrou em contato com a assessoria de imprensa da Bunge em São Paulo. A empresa não confirmou, mas também não negou totalmente a informação. De acordo com a assessora Roberta Correia, "não existe decisão tomada a respeito da transferência da unidade administrativa nem sobre o encerramento das atividades em Santa Catarina".

Ela explica que a única mudança confirmada é na unificação da Bunge Fertilizantes e da Bunge Alimentos numa só empresa: Bunge Brasil. Agora, os trabalhos serão divididos em quatro áreas de negócio: fertilizantes, agronegócios, alimentos e ingredientes e açúcar e bioenergia. A nova empresa também terá uma presidência única, que será assumida por Pedro Parente, que foi Ministro Chefe da Casa Civil da Presidência (1999-2003) e vice-presidente do Grupo RBS até janeiro de 2010.

 

 

O Noticenter apurou que já existe uma grande movimentação de executivos e gerentes locais em decorrência da decisão. Alguns já recorreram a serviços especializados para relocação. De acordo com fontes próximas à empresa, a decisão da transferência havia sido tomada em 2007. O planejamento estratégico elaborado na época apontou o ano de 2012 como prazo final para a conclusão das mudanças. Ainda não é possível dimensionar o impacto de uma saída da Bunge para Gaspar e o Vale do Itajaí. Além de empregos diretos, a empresa influi diretamente na sobrevivência de centenas de pequenos fornecedores nas mais diversas áreas.

 

As fontes ouvidas pelo Noticenter reforçam a versão de que a saída da empresa poderia ter ocorrido antes, mas foi adiada. Segundo elas, alguns fatores são importantes para que a decisão seja mantida. Entre os principais motivos estão questões ligadas à qualidade de vida, muito valorizadas por executivos de grandes centros. A queda da qualidade de vida na região tem sido notada em questões como segurança e transportes. Até alguns anos atrás, funcionários e diretores da Bunge que moravam em Blumenau não levavam mais de 30 minutos para chegar na empresa. Hoje, leva-se quase uma hora. Outros fatores estão ligados à logística de produção. Os insumos estão muito longe das fábricas mantidas pela empresa em Gaspar. Além disso, o grupo acaba de investir na construção de uma planta industrial gigantesca no Centro-Oeste.

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