Dificuldades no fornecimento de gás natural nos estados do Sul podem fazer com que o eles tenham dificuldade em atrair empresas nos próximos anos. Enquanto a demanda pelo combustível cresce, devido ao maior consumo de empresas já instaladas e também a novos negócios, a oferta se aproxima do limite.
O problema decorre da restrita distribuição de gás à Região Sul do país, situação que foi tema de uma reunião, segunda-feira (23), entre as cúpulas das federações das indústrias dos três estados da região – Fiep (Paraná), Fiesc (Santa Catarina) e Fiergs (Rio Grande do Sul).
Hoje os três estados consomem 4,8 milhões de metros cúbicos por dia, 80% da capacidade de distribuição do gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol) para a região, que é de 6 milhões de metros cúbicos por dia. As indústrias respondem por 72% do consumo.
O Paraná usa diariamente 1,04 milhão de metros cúbicos e, mantidas as condições atuais, poderia consumir no máximo 2 milhões de metros cúbicos. Con¬siderando-se contratos já assinados e expectativas médias de crescimento, este número deve ser atingido em 2014. Esse é o prazo limite para que sejam feitas ampliações na atual rede de abastecimento no estado, de acordo com Luciano Pizzatto, presidente da Companhia Paranaense de Gás (Compagas), responsável pela distribuição do combustível no estado.
Santa Catarina dispõe de gás natural como fonte de energia desde o ano 2000, beneficiando 29 municípios. São transportados pela rede da Companhia de Gás de Santa Catarina (SCGás). O estado é o maior consumidor de gás do Sul do país: usa quase 40% dos 4,8 milhões de metros cúbicos diários consumidos na região. Com a dificuldade de aumentar a oferta para os próximos anos, o estado vê parte de suas empresas adiarem investimentos ou ainda tendo gastos acima do esperado, como afirma Otmar Muller, presidente da câmara de energia da Fiesc. Segundo ele, que também é diretor industrial da fabricante de revestimentos Eliane, o maior prejuízo é dos planos de expansão das empresas, que são limitados pela pouca oferta do produto.
Na reunião, foram apresentadas alternativas e opções que envolveriam toda a região. Uma delas é a construção de um terminal de gás natural liquefeito (GNL), em um dos portos do Sul. O combustível seria importado e distribuído a toda a região por dutos. Embora bem visto pelos participantes da reunião, o plano não é de fácil execução – o custo seria muito elevado e a provável disputa para hospedar o terminal, demorada.
Uma saída mais simples envolve uma mudança no funcionamento do Gasbol. Com uma maior compressão do gás que abastece seus dutos, o volume distribuído poderia passar dos atuais 6 milhões de metros cúbicos para até 9 milhões por dia. A alternativa, porém, resolveria o problema apenas no médio prazo.
No fim da reunião realizada na Fiep, as federações das indústrias dos três estados decidiram elaborar um documento conjunto para apresentar a situação ao governo federal. O manifesto cobra mais investimentos do executivo nacional para a distribuição de gás na Região Sul. Além disso, foi criado um grupo de trabalho com representantes das entidades, que deverão envolver os governos de cada estado na questão.
Planalto Norte catarinense
A expansão da rede de gasoduto tem sido requisitada por várias cidades do Paraná e Santa Catarina, inclusive pelo município de Mafra. No início de dezembro foi realizada uma manifestação em frente à 25ª SDR (Secretaria de Desenvolvimento Regional). O objetivo da manifestação foi pedir ao secretário de desenvolvimento Regional, Wellington Bielecki, que ele leve a reivindicação da população mafrense para a o governador do Estado, Raimundo Colombo.
Os defensores da vinda do gás natural defendem que ele poderia trazer mais desenvolvimento para o município com benefício imediato para as empresas já instaladas, além de servir de atrativo para futuros investimentos. Durante muito tempo uma das dificuldades para a vinda do combustível para o município era a distância que havia entre o gasoduto e Mafra, mas agora a cidade de São Bento do Sul e Rio Negrinho já possuem o gás. No entanto o município de Canoinhas, por intermédio do deputado Antonio Aguiar, tem a mesma reivindicação.
Segundo o presidente da empresa, Ivan Ranzolin, a implantação de um ramal de gás natural para o Planalto Norte, capaz de atender os municípios de Mafra, Canoinhas e Porto União já está em fase de estudos técnicos na SC-Gás. A informação foi passada ao deputado Antonio Aguiar quando o parlamentar apresentou a reivindicação da expansão do gasoduto para atender a demanda de indústrias da região e também o abastecimento de veículos, considerando a necessidade de diversificar a matriz energética regional, reduzindo custos para a indústria.
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