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Redes sociais serão coadjuvantes na escolha dos prefeitos
Redação
19/1/2012 09:14:27
As ferramentas de interação com os políticos têm sido muito utilizadas pelos internautas mafrenses seja para questionar ou elogiar os políticos locais. Apesar de ocuparem cada vez mais espaço na vida dos cidadãos, as ferramentas de interação não têm força para definir o voto do eleitor, ainda que influenciem no debate eleitoral
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As redes sociais estão a cada dia mais presente na vida dos brasileiros, essa nova onda já chegou a nossos municípios. Muito utilizadas pelos políticos mafrenses, a interatividade através das novas tecnologias ainda não é muito difundida entre os rionegrenses.
Os vereadores rionegrenses ainda utilizam timidamente as redes sociais, mas aos poucos estão aderindo. Em Mafra vereadores, secretários, correligionários tem feito uso quase que diariamente das redes sociais, aonde através de suas páginas pessoais divulgam suas ações, respondem questionamentos da população e também acabam adentrando no público mais jovem – que se costuma dizer não se interessa por política.
A utilização da internet como ferramenta da interação tem sido bem vista pela sociedade mafrense. É interessante verificar que ao contrário do que se costuma dizer, que os jovens adultos não gostam de política, por serem a maior parte dos internautas eles utilizam as redes sociais para se informar do que acontece em nosso município e questionam os políticos e pessoas públicos sobre os seus posicionamentos.
O professor Arlindo Costa acredita que as redes sociais estão mais atentas aos trabalhos de políticos - assumem uma repercussão maior - até por que o Facebook e o MSN estão aí. Segundo Costa, falta em Mafra e Rio Negro um portal de cidadãos do tipo: como está indo o seu vereador/prefeito, transcrevendo projetos e ações semanais, número de projetos, faltas, e um link de contato com os mesmos. Os nossos políticos ainda não estão habituados a essa prática, diferente de ONGs e grupos de outras cidades que acompanho. Quem souber fazer uso da internet irá largar na frente. Acredito que a internet deveria ser um portal de diálogo. A internet poderia ser esse portal democrático: Vou dar um exemplo, as pessoas se cadastram na internet para patrolamento – via web - ficamos sabendo o dia e hora da realização do trabalho - para que melhor transparência?
Os três principais pré-candidatos a Prefeitura de Mafra - Milton Antunes (PSDB), Roberto Agenor Scholze (PT), e Wellington Bieleck (PSD) - estão presente nos duas redes sociais de maior destaque no momento: Twitter e Facebook. O Twitter é conceituado como um "microblog" e na prática serve para passar uma mensagem em apenas 140 letras. A proposta inicial era que ele fosse utilizado para contar exatamente o que você está fazendo no momento; no entanto a utilização atual é bem diferente. Já o Facebook é uma rede social que reúne pessoas a seus amigos e àqueles com quem trabalham, estudam e convivem. O website possui mais de 800 milhões de utilizadores, nele as pessoas podem compartilhar informações, links, publicar fotos, mensagens, etc.
O vereador Roberto A. Scholze (PT) - utiliza das redes sociais desde o início do seu mandato. A sua página no microblog esteve entre os mais acessados de Santa Catarina no ano de 2011, sua colocação era 46º, sendo o 3º político com a página mais visitada. Atrás do governador do estado Raimundo Colombo e do deputado Kennedy. Por padrão, o relatório lista as mais influentes pessoas usando o Twitter com base em seus resultados coletados recentemente. A lista leva em conta o “índice de influência”, que avalia o número de vezes que o nome de alguém é citado ou retuitado no microblog, e não apenas o número de seguidores.
O secretário de Desenvolvimento Urbano, Milton Antunes, tem utilizado quase diariamente do seu Facebook como ferramenta de comunicação. Ele tem utilizado sua página para prestar contas à população sobre as obras que estão sendo realizadas, responder questionamentos e críticas. Além de anunciar as próximas ações de sua Secretaria e usá-lo como uma espécie moderna de ouvidoria. A sua página tem dito bastante acesso, principalmente, por sua atitude de responder prontamente o questionamento dos moradores.
O secretário de Desenvolvimento Regional da SDR de Mafra, Wellington Bieleck, durante algum tempo utilizou sua página pessoal, mas atualmente tem utilizado o Facebook, porém como ferramenta pessoal.
Eleição
No entanto apesar de tudo isso, segundo especialistas no pleito de 2012 a internet não terá papel decisivo nas eleições municipais. Apesar da importância que saber utilizar de forma correta as novas tecnologias têm ultimamente, as velhas práticas de campanha deverão se sobrepor às novas mídias: debates e o “corpo-a-corpo” com o eleitorado tendem a se manter como palanques eleitorais fundamentais para nortear a decisão dos eleitores.
As redes sociais, como Orkut, Facebook e Twitter, ainda não têm capacidade de decidir sozinhas uma eleição, mas esse ambiente cria possibilidades de diálogo e interação entre o eleitorado e o candidato. Segundo a consultora de marketing político Gil Castillo, a internet, bem utilizada, é capaz de aprofundar muito o debate político. No entanto, só ela não é peça chave para a eleição”, ressalta.
Dados
Segundo pesquisa divulgada recentemente pelo Ibope, o Brasil possui 46,3 milhões de usuários ativos de internet atualmente. O que significa que apenas aproximadamente 24% da população do país acessa diariamente a internet. Por isso, o cientista político Emerson Cervi, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), afirma que as próximas eleições não serão decididas pelos debates fomentados em redes sociais.
De acordo com ele, em municípios menores, com menos de 100 mil habitantes, essa tendência ficará ainda mais clara. “Em cidades maiores, a internet pode ajudar a fazer alguma diferença, mas mesmo assim não será com poder de decidir uma eleição”, completa Cervi.
Apesar da possibilidade de acesso á informação, isso só não adianta é importante que a população busque as informações. De acordo com Cervi, três em cada quatro internautas passam longe de temas políticos na rede. “A maioria acessa os sites com outras finalidades de entretenimento. É necessária uma mudança cultural que a tecnologia, por si só, não influencia”, diz.
O cientista político e coordenador de pesquisas na área de novas mídias da UFPR, Sérgio Braga diz o brasileiro ainda precisa ser educado para usar as redes sociais. “O desafio é fazer o bom uso dessas redes. Mas, mesmo mal utilizada, ela acrescenta à democracia. Nesse espaço, o político vai se mostrar como ele é”, salienta.
Braga acredita que as novas redes midiáticas serão usadas para fins políticos em todas as cidades do país. “Independente do tamanho da cidade, elas serão utilizadas de forma intensa. Mas será de uma forma gradativa que essas mídias poderão decidir uma eleição”.
Assim sendo, os candidatos nesse ano deve estar nas duas frentes: fazer o uso correto das novas tecnologias para difusão da informação e como ferramenta de interação, além de circularem bastante pelas ruas das nossas cidades, fazer as tradicionais visitas.

ENQUETE
O Diário conversou com os três pré-candidatos à Prefeitura de Mafra e que estão presentes nas redes sociais para ver como eles veem a utilização da internet na política. Você vê a internet como uma forma positiva de interação dos políticos com o público?
Roberto Scholze: A internet é algo muito positivo para o contato do político com o público. Eu utilizo de todas as ferramentas que ela possibilita para isso como: blogs, enquetes, redes sociais. Acredito que ela veio para ficar e ela é uma ferramenta para o político se manter atualizado com o que acontece a sua volta e também manter o contato com a população. A utilização dessas ferramentas e o feedback que recebo da população me ajudam a nortear os meus trabalhos.
Wellington: Está crescendo cada vez mais a adesão da sociedade a internet como forma de interação e isso só tende a crescer cada vez mais. Como tudo ela tem pontos positivos e negativos. Ela é positiva por ajudar na comunicação entre homem público e sociedade. Porém a partir do momento que se monta uma página da internet criou-se um elo com a população e este contato deve ser continuo, ou seja, é importante ter tempo para manter atualizada a página, conversar com as pessoas, atender suas demandas.
Milton: A internet propicia a transparência, pois tudo que é feito, as informações publicadas podem ser acessadas por milhares de pessoas. Além de ser uma ferramenta que amplia as possibilidades democráticas e de participação popular, pois as pessoas podem opinar, questionar, criticar. A meu ver, ela é uma importante forma de interação; eu tenho utilizado para explicar o funcionamento da secretária, ouvir o que as pessoas têm a dizer, dar retorno sobre seus questionamentos, etc.

Você acha que ela terá um papel importante nas eleições deste ano?
Roberto Scholze: Acredito que ela terá uma influência. Para mim, ela é uma das formas mais honestas de contato porque ali o que o político fala fica registrado para o mundo. No entanto, ela não será decisiva na escolha do eleitor; ainda hoje as antigas formas de contato como o corpo-a-corpo, as tradicionais visitas continuam tendo mais importância.
Wellington: As eleições serão um momento forte é o trabalho de toda área de comunicação será fundamental. É importante ter um cuidado especial com a internet, dando a atenção necessária, pois a partir do momento que se abre um meio virtual de contato um elo foi criado e não pode ser fechado, ou deixado de lado; se isso acontecer à utilização desse meio pode ser prejudicial.
Milton: Acredito que ela será importante para dar transparência as ações: ajudará na prestação de contas dos trabalhos, apresentação da experiência. Além de propiciar uma comunicação mais rápida com a população. Ela irá contribuir para a democracia.
 

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