Ido era comissário de polícia aposentado e estava em tratamento de saúde há 1 ano, com problemas respiratórios crônicos e recebendo a atenção do Município através de aparelhos de oxigênio cedidos para seu uso. Mas na terça-feira (8), o Ido passou mal e procurou o Pronto Atendimento (PA) onde ficou em contato com outras pessoas, na recepção. A doença não havia sido diagnosticada até então.
Pela gravidade do caso, Ido foi removido para o hospital São Vicente de Paulo e posteriormente detectado a meningite C foi para a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) onde ficou em completo isolamento. Exames em Ido foram feitos, mas a constatação de que a doença era contagiosa veio na sexta-feira pós a sua morte. A família não sabia do risco de contaminação.
Por volta das 17 horas de sexta-feira, equipe da Vigilância Epidemiológica de Mafra esteve na residência de Ido onde administraram os comprimidos do medicamento que imuniza as pessoas que tiveram contato com a doença. Três pessoas estavam na casa e a elas foi fornecido dois comprimidos de Rifanpicina que seriam ingeridos um por dia. A notícia se espalhou rapidamente e levou pânico aos familiares do falecido Ido Rodrigues. Resultado – no mesmo dia, os Rodrigues ligaram para a responsável pela Epidemiologia do Município, Denise Dallagnol que por sua vez, tentou acalmar a família, mas sem sucesso. A secretária de Saúde, Maria Beatrice Reynolds dos Santos, então foi acionada e um encontro foi marcado para o dia seguinte, sábado, às 10h, a fim de resolver o impasse. Os Rodrigues exigiam o medicamento de imunização.
No local agendado, no Núcleo Materno Infantil, para surpresa de Denise e de Beatrice se encontravam 30 pessoas e não havia medicamento para todos. Segundo informações da família Rodrigues, disponível mesmo a saúde do Município só dispunha de comprimidos para seis pessoas. A resposta aos apelos dos Rodrigues estava sendo resumido que seis seriam imunizadas, 24 não.
Diante do medo de uma suposta contaminação, homens, mulheres e crianças da família Rodrigues, pediram por telefone a intervenção do juiz de Direito, que foi até o local onde estava sendo travado a discussão, entretanto quando o magistrado chegou no Posto de Saúde, o impasse já havia sido contornado. A Secretária de Saúde já havia entrado em contato com a Regional da Saúde e pediu que fosse liberado o medicamento Rifanpicina, que é o mesmo usado em tratamento de tuberculose e o Estado providenciou os devidos comprimidos nos municípios de Rio Negrinho e São Bento do Sul. Às 16 horas de sábado todas as pessoas do grupo estavam imunizadas.
A secretária Beatrice informou que o caso repercutiu de forma exagerada, uma vez que, pessoas que não tiveram contato com o paciente Ido estavam no grupo de 30 pessoas que exigiam a medicação. Bia ressaltou que a Vigilância Epidemiológica está tentando entrar em contato com as pessoas que estiveram lado a lado com o idoso no PA na terça-feira. Embora remota, esses sim, segundo Bia, podem precisar ser medicamentos contra a meningite meningocócica tipo C.
Segundo Bia, ela entende que a família Rodrigues passou por momentos de tensão, no entanto ainda considerada um fato isolado e sem alardes e lamentou a repercussão dos acontecimentos de final de semana.
Meningite tipo C
A meningite é uma doença que consiste na inflamação das meninges – membranas que envolvem o encéfalo e a medula espinhal. Ela pode ser causada, principalmente, por vírus ou bactérias. O quadro das meningites virais é mais leve e seus sintomas se assemelham aos da gripe e resfriados. Entretanto, a bacteriana – causada principalmente pelos meningococos, pneumococos ou hemófilos – é altamente contagiosa e geralmente grave, sendo a doença meningocócica a mais séria. Ela, causada pela Neisseriameningitidis, pode causar inflamação nas meninges e, também, infecção generalizada (meningococcemia). O ser humano é o único hospedeiro natural desta bactéria cujas sequelas podem ser variadas: desde dificuldades no aprendizado até paralisia cerebral, passando por problemas como surdez.
A transmissão se dá pelo contato da saliva ou gotículas de saliva da pessoa doente com os órgãos respiratórios de um indivíduo saudável, levando a bactéria para o sistema circulatório aproximadamente cinco dias após o contágio. Como crianças de até 6 anos de idade ainda não têm seus sistemas imunológicos completamente consolidados, são elas as mais vulneráveis. Idosos e imuno deprimidos também fazem parte do grupo de maior suscetibilidade.
A doença chega a matar em cerca de 10% dos casos e atinge 50% quando a infecção atinge a corrente sanguínea e é este um dos motivos da importância do tratamento médico. Febre alta, fortes dores de cabeça, vômitos, rigidez no pescoço, moleza, irritação, fraqueza e manchas vermelhas na pele - são de início semelhantes a picadas de mosquitos, mas rapidamente aumentam de número e de tamanho, sendo indício de que há uma grande quantidade de bactérias circulando pelo sangue - são alguns dos seus sintomas.
Encontre um tema na
Busca por conteúdo