Os efeitos da estiagem estão causando prejuízos incalculáveis, mas o pior- a eminência real do êxodo rural . Políticas direcionadas principalmente aos jovens com o intuito de garantir a sucessão das propriedades, são medidas que até então são patrocinadas pelas cooperativas de produção e de crédito, como alternativas para garantir o sistema, que de certa maneira aqui no Oeste catarinense está correspondendo às expectativas previstas.
Os pequenos agricultores estão vivendo um período de verdadeira provação diante das turbulências e incertezas a que estão sendo submetidos. Para os jovens, principalmente os que sobrevivem das migalhas que recebem esporadicamente, frutos deste sistema capitalista selvagem, que alguns preferem chamar de globalização, são as principais vítimas neste momento, mesmo que não passe de ilusão, acreditam que na cidade a vida é melhor, pois podem contar, faça chuva ou faça sol, com o seu dinheiro no bolso a cada final de mês.
Mesmo que se transfiram da roça em direção às grandes cidades, não significa que obterão o sucesso almejado. Existem vagas ilimitadas de trabalho, porém as empresas exigem qualificação profissional dos candidatos, quando muitos passarão a enfrentar essa terrível realidade, sobrando como alternativas, na maioria das vezes, o trabalho pesado na construção civil ou de serviços esporádicos que surgir. Lamentavelmente esta é a dura realidade do mundo em que vivemos.
Urge que medidas concretas sejam tomadas com a maior brevidade possível, para evitar que amanhã a situação possa se tornar insustentável para esses nossos irmãos em Cristo. Esperar apenas da classe política pode ser uma temeridade, uma tarefa arriscada para o momento. Crédito de emergência, prorrogação de financiamentos, troca troca de sementes, é a mesma coisa que receitar a paciente com infecção aguda, chá de cidreira. Se facilitar o doente acaba ‘batendo as botas’.
Muitos poderão até tentar me crucificar, outros ironizar, que por sinal já estou acostumado, principalmente daqueles que vivem enclausurados em amplas salas refrigeradas de Chapecó, Florianópolis ou São Paulo, recebendo polpudos salários no final de cada mês. Estes não conhecem o trabalho a que estão submetidos a nossa gente aqui no interior- independente se é dia de Natal, Ano Novo, sem direito a férias, carteira de trabalho assinada, para limpar diariamente chiqueiros, trocando camas de aviários, e por fim, recebendo normalmente em troca muito aquém do que merecem. E a maior ingratidão como prêmio de consolação, na aposentadoria recebem valores que não passam de uma afronta para quem viveu toda sua vida enfrentando chuva, sol, geada ou calor.
Para esta casta privilegiada que vive na camada de cima da sociedade, a quem me referi, podem entender como um retrocesso o que proponho para tentar reverter a situação dos que já estão com o ‘pé no estribo’ em direção as cidades. Que se crie um programa oficial, envolvendo os Governos Federal, Estadual e Municipal, em parceria com as cooperativas de produção, Cooper A1 e Auriverde que sabem fazer muito bem as coisas a acontecer, oferecendo uma linha de crédito com juros subsidiados a longo prazo, no mínimo com três anos de carência, suficiente para construir instalações mínimas, sem a necessidade inicial de ordenhadeiras, para comprar novilhas de boa genética, fornecendo semens sexados para que nasçam novilhas de alta linhagem, sem esquecer, é claro, da profissionalização dos mesmos, pois ordenhar uma vaca não é apenas puxar nas suas tetas, mas observar primeiro a alimentação fornecida.
Para os que não interessam a bovinocultura de leite, inverte-se os investimentos para a engorda(terminação) de suínos, com instalações que possam receber um número de leitões que, quando gordos, um caminhão truck possa carregá-los de uma só vez. Se puder unir os dois projetos numa mesma propriedade, até formando um condomínio com outros interessados, com certeza absoluta é uma alternativa viável e lucrativa dentro da realidade existente. Com a palavra as lideranças políticas, empresariais e cooperativistas, tanto para me criticar ou, quem sabe, aproveitar algo sobre o que acredito economicamente viável para os moldes das pequenas propriedades.
Se este humilde palmitense estivesse no lugar do prefeito de Palmitos Norberto Gonzatti, independente de estiagem ou não, há tempo teria proposto tal iniciativa. Como não estudei o suficiente - completei apenas a ‘catequese forte’, enquanto o prefeito estudou e concluiu curso superior, de minha parte, me atenho apenas a produzir e vender honestamente jornais. Mesmo assim levo a vida que pedi a Deus.
Por Irno Devitte - irno@promitos.com.br