Busca no site
23 de Julho de 2010 - 13:36
Colonos ou Empresários Rurais?
Palmitos/SC - Irno Roque Devitte - redacao@expressodoeste.com.br
Neste espaço estendo todo meu respeito a uma das classes mais laboriosas do nosso Brasil. Nos últimos tempos, principalmente o setor cooperativista, prefere ao invés de chamar de Colonos, tratá-los de empresários rurais. Quero crer que a nova geração de técnicos entende que chamar de Colonos ofende, denigre a classe. Pelo contrário, ser Colono é um orgulho, entendo eu.
Os tempos mudaram, perdeu-se nesta trajetória um forte elo de ligação que unia as famílias dos Colonos. “Antigamente” havia solidariedade, as famílias ajudavam-se entre si, às vezes através de mutirões para preparar a terra, bem como no período da colheita. Bons tempos quando o dinheiro era guardado no ‘colchão’, e quando se emprestava- para o vizinho, compadre, para comprar uma colônia de terras, ou até por motivo de doenças, a garantia era ‘no fio do bigode’. Raríssimas vezes usavam de promissórias. Hoje os bancos ocuparam o espaço. Bons tempos quando a família engordava uma “chiqueirada” de porcos e com o dinheiro compravam, no mínimo, meia colônia de terras para os filhos. Com menos de 100 sacas de feijão iam à agência da “Wolks”, aqui mesmo em Palmitos, e comprava-se um Gol 0 km.
Na época, esses nossos irmãos da roça eram tratados de Colonos, sim senhor. Atualmente, com esta tal de modernidade, que os mais entendidos afirmam tratar-se de globalização, que Colono passou a ser chamado de ”Empresário Rural”, será que mudaram para melhor? Evidentemente que não. Quem mantinha 10 ou 20 porcas no chiqueiro, produzindo em ciclo completo, hoje, simplesmente não existem mais. Quem ainda insiste, nem com 100 porcas sobrevive, se já não quebraram, desfazendo-se muitas vezes de patrimônios para quitar as dívidas nos bancos.
Quem na região produzia feijão, foram incentivados a parar, até com desculpas esfarrapadas, que no Brasil Central, com lavouras irrigadas, produzem o ano inteiro, e com muito mais qualidade. E o que aconteceu? O campo esvaziou-se, emudeceu. O canto do sabiá parece que já não é o mesmo. O valente Colono de outrora, migrou para as grandes cidades, aumentando o cinturão de favelas, muitos, milhares, vivendo em precárias situações, desumanas até.
Enquanto tudo isso foi fomentado aqui por estes grotões, em ambas as margens das barrancas do rio Uruguai, espraiando-se para mais longe, as cercas das invernadas avançaram. A lavoura do feijão e do milho cederam espaço para pastagens dos rebanhos de gado. As fontes de águas cristalinas que brotavam, hoje praticamente desapareceram. Os capões de matos, até nas encostas foram derrubados. O uso descontrolado de venenos para limpar os campos, até de maneira criminosa, irresponsável, acabaram contaminando os mananciais. Era preciso dar lugar ao gado e estas fontes foram substituídas por grandes açudes.
A suinocultura passou a sofrer grandes revezes. Como esquecer a tal peste suína? Muitos ainda devem estar lembrados, aqui mesmo em Palmitos, quando alguns “chiqueirões” foram interditados para controlar que a doença se propagasse pelas imediações. Dos policiais requisitados para abater a tiros de fuzil, os porcos doentes e jogados posteriormente nas valas abertas. Quem sou eu para acusar alguém, mas será que a tal doença realmente existiu? Seria mera coincidência que mais tarde vendedores de reprodutores (as) das raças durock e landrace passaram a visitar os Colonos. Era preciso recompor os plantéis, na ocasião por raças européias.
O pequeno agricultor familiar, pobre deles, está pagando injustamente a ‘mula roubada’. Sem uma política sustentável, estão entregues a sua própria sorte.
Quem permanece no meio rural, para sobreviver dignamente nos dias atuais, é preciso estar integrado com alguma das agroindústrias da região, tanto para a criação de suínos como de aves. Se alguém optar em produzir independente, torna-se um candidato em potencial para quebrar. Não tem garantia de que vá vender sua produção. Quem é integrado, menos mal, conseguem ganhar alguns trocados. Mas por outro lado, investem quantias significativas de dinheiro para produzir. São donos das propriedades, mas não mandam nelas, apenas cumprem o que determinam. São empregados sem carteiras assinadas. Quando atingem os 60 anos, devem contentar-se com um salário mínimo para desfrutar da merecida aposentadoria.
Mas nem tudo está perdido. Alegrai-vos, povo de meu Deus, façam tocar os clarins. As eleições estão logo aí e junto virão as promessa dos candidatos- que transformarão água em vinho, assegurando que haverá salame pendurados nas árvores, preços justos para os produtos agrícolas, que não precisarão mais entrar na fila do SUS para ter consultas médicas de qualidade, tratamentos especializados. Até cirurgias de alta complexidade serão marcadas dentro do mês solicitado.
Bem não posso assegurar que tais promessas se concretizarão. Já imaginaram este escriba proclamando que o Grêmio será Campeão da Série A em 2010? Quem acreditará? Nem o Joarez Mânica, o mais fervoroso gremista que tenho notícia.
A todos os que labutam no meio rural para sustentar com dignidade as suas famílias, e garantir o alimento nosso de cada dia, que Deus sempre vos abençoe e ilumine seus passos.
Jornal Expresso d'Oeste - Todos os direitos reservados
" "Avenida Brasil - Edificio Lydia Bridi, 574,salas 300 e 301 - Centro - Palmitos/SC
" "E-mail: redacao@expressodoeste.com.br - Tel/Fax: (49)3647 0636
"
$msg