Passados alguns dias na Capital, embarcamos no ônibus rumo a São Leopoldo. Ao chegarmos perto de Canoas, um avião que me parecia gigantesco, voou sobre a lateral do ônibus, com um ruído ensurdecedor. Achei espetacular. Semanalmente cruzava algum avião por cima dos morros de Santa Clara, a terra natal, a longa distância, assemelhando-se a um gavião, coisa muito comum.
Em São Leopoldo nos hospedamos no hotel Berger, que anos mais tarde foi destruído por incêndio. Era uma bela manhã de outono. O Seminário Central ficava perto do hotel, na rua Dom João Becker. Era uma grande construção de três andares, ocupando dois quarteirões com capacidade de abrigar trezentos alunos seminaristas, candidatos ao sacerdócio. Dirigido por padres jesuítas, formava o clero diocesano do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e parte do Paraná. Entre os professores havia homens notáveis, como os padres Balduino Rambo, João Batista Réus, Ernesto Vogt, etc.
Meu irmão era o Antônio, dois anos mais velho que eu. Nosso encontro foi encantador. O pai e eu abraçamos o Toni, com lágrimas de alegria. Em breve juntou-se ao nosso pequeno grupo a dupla de gêmeos Olmiro e Orlando, filhos do tio Carlos, irmão mais velho do meu pai. O tio Carlos, embora católico praticante, não acreditava muito em nossas vocações. Sem contrariá-las, ele pretendia bancar o profeta, opinando: “Meus dois filhos nunca serão padres; nem o Urbano. O Antônio, sim, será mais do que padre”. O futuro mostrou o contrário. Os gêmeos tornaram-se padres jesuítas e morreram octogenários, fiéis à vocação, no Colégio Cristo Rei de São Leopoldo. Meu irmão Antônio, que estudou para ser padre franciscano, deixou o Seminário e formou-se professor e advogado na PUC. E eu, o menos comportado, persisti na vocação sacerdotal, na qual desejo perseverar até o epílogo da vida presente.