Considero uma verdadeira afronta as condições de trafegabilidade que oferece a SCT-283, entre as cidades de Mondaí a Chapecó. Um deboche praticado pelos nossos governantes e avalizados pela grande maioria dos nossos deputados estaduais, federais, inclusive dos três Senadores da República – Luiz Henrique, Cacildo Maldaner e Paulo Bauer, para quem desembolsa tanto dinheiro aos cofres públicos, por meio da arrecadação mensal de ICMS e impostos sobre veículos.
Independente de opção partidária, pois em suma poucos se diferem entre si, acredito que dá para contar nos dedos das mãos – e aposto que sobram dedos, dos deputados que realmente estão comprometidos com o Oeste, um dos principais celeiros deste Estado, para reverter esta situação que há tempos se mostra caótica. Posso até estar vendo miragens no horizonte, e o calor infernal que se abate na região é propício para que isso aconteça, mas sinceramente, não consigo vislumbrar a presença efetiva do Governador Raimundo Colombo neste corredor situado as margens do rio Uruguai, como um agente de transformação em favor do comércio pujante instalado ao longo deste trecho.
Em Mondai, berço de grandes empresas – Móveis Henn, a maior indústria moveleira de Santa Catarina, Indústria Têxtil Oeste, Fábrica de rações da Cooper A1, Laticínios Mondaí,entre outras, são empresas que estão a mercê desta rodovia. Nem me atenho nesta oportunidade de protestar em nome das pessoas de mãos calejadas, bem como de empreendedores dirigentes de empresas, pela incrível deficiência que se encontra o setor elétrico existente neste recanto abençoado por Deus, dependentes da boa vontade da direção da Celesc para sanar um problema que vem se arrastando há um bom tempo, para continuar fomentando a economia regional.
Poderia enumerar tantas outras empresas instaladas em Riqueza, Caibi, Palmitos, São Carlos e Águas de Chapecó, que diuturnamente estão sujeitos a pagar um preço muito alto causado por acidentes, inclusive com a perda da própria vida, apanhados numa das tantas armadilhas que estão a espreita da próxima vítima, ao longo do referido trajeto, que mais parece um solo lunar, tamanhas as crateras existentes.
Governador Colombo: Perdoe-me se avanço o sinal, mas humildemente sugiro que o senhor reserve um dia de sua agenda e tente pessoalmente conversar com os empresarios que apontei de Mondaí e os transportadores de rações, aves, suínos, leite, motoristas de ônibus e de ambulâncias e perceba o drama que vivem esses nossos irmãos de estradas. Verdadeiros soldados, heróis sem fardas, mas que orgulham a cada um de nós através do seu trabalho diário.
O senhor, a exemplo do seu Secretário João Rodrigues , até pouco tempo eram ferrenhos adversários das hostes petistas, mas acabaram “virando o cargueiro, se bandeando de mala e cuia “, para apoiar, com a bancada do PSD a Presidente Dilma Rousseff. Quem sou eu para comentar positiva ou negativamente tal decisão. Vivemos em plena democracia e governar é encurtar distâncias e isso ficou muito evidente que suas aproximações políticas podem render bons frutos politicamente.
Governador: O momento agora é o mais propício possível para transformar apoio político em ações administrativas, de reunir toda a representividade político catarinense lotado em Brasília e Florianópolis, para federalizar a SCT -283, transferindo para a União a responsabilidade de transformá-la numa rodovia federal, pois é lá que está concentrada a maior fatia do bolo federativo. Só para exemplificar da importância que representa esta rodovia para a economia local: Apenas a indústria de rações da A1, em Mondaí, recebe cerca de 1.500 caminhões/mês, a maioria bi-trem, carregados de milho e soja oriundos do Paraná e Mato Grosso. Em menor escala acontece com o transporte de madeiras para a Móveis Henn. Há aproximadamente 500 carretas, em grande número de bi-trem, apenas em Caibi e Mondai. Proibir o trânsito desses caminhões pesados pela SCT-283 é fácil, o difícil é encontrar solução, que antevejo na federalização da mesma.
Por Irno Roque Devitte - irno@promitos.com.br