Por Alessandra Devitte - interina
Alessandra Devitte
27/1/2012 11:07:07

Contrastes x Semelhanças
Em recente viagem pela Argentina e Chile, visitando povoados localizados no noroeste argentino e em meio ao Deserto de Atacama - considerado o mais árido do mundo, fiquei impressionada com a organização social destes locais inóspitos, localizados a mais de 3000 metros de altitude em relação ao nível do mar.
A região agitada que serviu de ligação entre as altas montanhas andinas do norte argentino ao Peru, é hoje o destino de quem busca isolamento com uma dose extra de aventura entre montanhas multicoloridas e estradas que levam a povoados pré-incaicos que ainda têm muitas histórias para contar. São tantas que a Unesco declarou a região como “Itinerário Cultural de 10.000 anos” e desde 2003 é Patrimônio Cultural e Natural da Humanidade.
O que antes fora uma região disputada por povos como os aimarás, omaguacas, incas e espanhóis, é hoje um corredor de atrativos naturais, arqueológicos e culturais que recebe  turistas de todas as partes do mundo.
Por que então, essa aventura vem sendo citada aqui neste espaço, semanalmente utilizado pelo meu querido pai? É simples. Percorri, na companhia de outros amigos palmitenses e migueloestinos, cerca de 5800km de carro para conhecer estes locais e me dei conta, mais uma vez, que temos aqui em nossa cidade um espaço tão rico quanto, mas que infelizmente não recebe o mesmo valor. E de que espaço falo? Sim caros leitores, falo do Balneário de Ilha Redonda, que desde 2003 me instiga a desenvolver projetos como tema de estudo da faculdade e recentemente o utilizei como fonte de pesquisa para minha dissertação de mestrado.
Tive, mais uma vez, a certeza de que para atrair turistas, não precisamos de muito. Precisamos de organização e com isso definir a verdadeira vocação do balneário e dotá-lo de infra-estrutura necessária para receber estes turistas. Temos aqui belezas naturais incríveis. Temos também patrimônio arqueológico, recém mapeado no EIA-RIMA da Usina Foz do Chapecó que poderia ser explorado como turismo educativo.
Quando falo em desenvolvimento turístico, não falo de ruas asfaltadas e muito menos de grandes obras como o centro de eventos. Falo sim, de organização comunitária e administrativa, para atrair investidores conscientes, para a implantação de restaurantes, hotéis, pousadas ou hostel que tenham condições de atender a demanda. Falo de valorização da cultura local, da implantação de serviços como internet, ambulatório e telefone. E falo principalmente, da capacitação dos moradores para a qualidade de atendimento e de orientação aos milhares de turistas que aqui chegam e que, além das piscinas, não tem mais do que se ocupar.
É simples. Temos tudo aqui em nossas mãos. Não precisamos inventar moda, nem querer ser igual ou diferente de outro lugar. Basta sermos nós mesmos... e agir, antes que tudo se perca!



 
 

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