Adjori/SC
Biodigestores: fontes alternativas de energia limpa
Folha do Oeste
Itapiranga
8/6/2010 08:40:00
Instalação de Biodigestores gera energia a partir de dejetos suínos em Itapiranga
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Inventado por chineses em 1936, de um modo geral a instalação de um biodigestor está associada à produção de biogás e, em menor, escala de biofertilizante. O biogás é uma mistura de gases, sobretudo metano (CH4) produzido por bactérias que digerem matéria orgânica em condições anaeróbicas, isto é, em ausência de oxigênio. O biofertilizante é um efluente líquido que sai do biodigestor após o período de tempo necessário à fermentação da matéria orgânica pelas bactérias.
Além do biogás e do biofertilizante, o biodigestor permite a obtenção de outros benefícios como o saneamento e a preservação do meio ambiente. Aspectos que assumem enorme importância social, uma vez que estão associados à reciclagem de resíduos orgânicos.
Os biodigestores mais utilizados no Brasil podem ser classificados em dois grupos: os que não precisam ser abastecidos com matéria orgânica diariamente, chamados de biodigestores em batelada e os que precisam de abastecimento diário, chamados de biodigestores contínuos.
O biogás produzido pode ser usado como combustível, além de ser utilizado para cozinhar em residências rurais próximas ao local de produção. Pode também ser aproveitado no aquecimento de instalações para animais muito sensíveis ao frio ou no aquecimento de estufas de produção vegetal. Mas, em geral é usado na geração de energia elétrica, através de geradores elétricos acoplados a motores de explosão adaptados ao consumo de gás.
O biofertilizante, afora possuir água, apresenta também elementos químicos como nitrogênio, fósforo e potássio em quantidades e formas químicas que podem ser usados diretamente na adubação de espécies vegetais através de fertirrigação. O biofertilizante não exala cheiro forte, não atrai moscas, além do que é isento de sementes de ervas daninhas e da maior parte de agentes patogênicos, o que não ocorre com estercos frescos.

BIODISGESTORES
NA REGIÃO
A região oeste de Santa Catarina terá em 2011 miniusinas geradoras de energia elétrica a partir do uso dos dejetos suínos, por meio dos biodigestores. As construções destas usinas alternativas de energia é uma iniciativa realizada através do Projeto Alto Uruguai - Cidadania, Energia e Meio Ambiente, que a Eletrosul, a Eletrobrás, a Unochapecó, a UFRJ e o MAB realizam em 19 municípios de Santa Catarina e 10 do Rio Grande do Sul.
Em Santa Catarina, é realizado nos municípios de Chapecó, Águas de Chapecó, Caxambu do Sul, Caibi, Concórdia, Flor do Sertão, Guatambu, Itapiranga, Ipuaçú, Mondaí, Paial, Palmitos, Quilombo, Riqueza, São Carlos, São Domingos, São João do Oeste, Seara e Xavantina. Somente na microbacia da comunidade de Santa Fé Baixa, em Itapiranga, que é afluente do Rio Uruguai, foram instalados 10 biodigestores em propriedades rurais dedicadas à produção e onde se comercializam suínos. Um deles funciona na propriedade do suinocultor e secretário da Associação dos Biodigestores, Vito Aluísio Sausen.
Além da possibilidade de ganhos financeiros, Sausen explica que os benefícios provenientes dos biodigestores são muitos. O suinocultor aponta que desde a instalação do biodigestor na propriedade, o cheiro de esterco suíno diminuiu bastante, além da proliferação de insetos. A questão ecológica também é um fator que traz benefícios aos moradores. “A gente está em uma situação complicada, sabemos que estamos criando animais altamente poluidores. Por isso temos que pensar no futuro de nossos filhos”, ressalta.
Antes da construção dos biodigestores, alguns criadores construíam os chiqueiros próximos a lugares onde passava a água; assim os dejetos suínos eram jogados no rio, o que contribuía para a poluição dos leitos. Uma alternativa era a chamada esterqueira, mas, de acordo com Sausen, não era muito eficiente, pois o processo de fermentação não se completava, o que fazia com que o esterco viesse a apodrecer. A armazenagem de grande quantidade de esterco proveniente dos suínos era outra dificuldade encontrada pelos suinocultores.
Até o fim deste ano, deve ser construída na comunidade de Santa Fé Baixa uma miniusina que captará a produção do gás de todas as propriedades que possuem biodigestores. O investimento inicial será de cerca de R$ 640 mil e vai transformar o gás metano produzido pelos dejetos suínos em energia elétrica que deverá gerar em torno de 150 kW/hora, atendendo a mais de 400 famílias. O local onde será edificado a miniusina ainda não foi definido, mas, com a comercialização da energia, os suinocultores devem conseguir uma receita extra. Desde a instalação do projeto, revela Sausen, a idéia era a de produzir energia elétrica, tanto para propriedades como para a comercialização. “Na verdade, será aproveitado aquilo que está sendo jogado fora”, comenta.
A venda de energia será negociada com a Celesc, que deve comprar o gás dos suinocultores através da associação montada por eles, denominada Associação dos Biodigestores. É a associação que vai negociar a venda de energia com a Celesc. Sausen alega que, se não fosse por meio do projeto, dificilmente os criadores de suínos teriam condições de instalar um biodigestor na propriedade, avaliado, segundo o suinocultor, em cerca de R$ 60 mil.

ENERGIA LIMPA
O esterco vem do chiqueiro através de tubulações, passa por uma espécie de filtro denominado “caixa de areia”; ali ficam retidos determinados sais minerais que não são digeridos pelos animais “e sob hipótese alguma o próprio biodigestor consegue digerir”, diz Sausen. Portanto, a função da caixa de areia é coletar e reter esses materiais não digeridos.
Da caixa de areia, os dejetos suínos são encaminhados para o biodigestor, onde ocorre a fermentação anaeróbica, sem a presença de ar, quando o material vai fermentando e enchendo de gás metano o reservatório. Dentro do biodigestor, o esterco se põe em três camadas: no fundo, a parte mais densa e pesada, no meio, a parte líquida, na parte superior se condensa a substância mais leve do esterco. Para que a fermentação deste material ocorra por inteiro, é necessário um sistema de recirculação que misture os dejetos dentro do biodigestor. Caso isso não aconteça, a parte que fica exposta na superfície do biodigestor pode apodrecer mesmo sem a presença do ar. “Essa recirculação também é responsável pela reativação das bactérias, que têm papel importante no processo”, explica o secretário da Associação dos Biodigestores.
A metodologia é interessante e requer alguns cuidados dos produtores. O uso demasiado de antibióticos no tratamento dos animais, por exemplo, pode afetar o processo do biodigestor, matando as bactérias responsáveis pela fermentação do excremento e prejudicando uma fermentação eficiente. “O sistema de recirculação também não pode ser muito violento porque o processo de fermentação é feito por colônias de bactérias distintas e que não podem se misturar”, explica o secretário.
O resíduo expelido pelo biodigestor ao final do processo se concentra na “caixa de saída”, um tanque aberto, que em média deve ter capacidade de armazenar cerca de 30 dias de produção do biodigestor. A cada volume de carga na entrada corresponde à saída do mesmo volume de líquido do biodigestor, que é muito menos poluente do que o retirado diretamente do chiqueiro.
 

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