Alerta! Já está faltando água
Folha do Oeste
São Miguel do Oeste
5/9/2012 11:21:58
Há mais de 30 dias que não chove no extremo oeste catarinense
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Em praticamente 20 dias a Administração Municipal de SMOeste distribuiu mais de 720 mil litros de água

O inverno ainda não terminou, mas a onda de calor continua predominando e em boa parte do sul do Brasil. Na região extremo oeste catarinense, já são mais de 30 dias sem chuva e alguns agricultores já começam a ter problemas com o abastecimento.

Os efeitos e as consequências das perdas rurais da última estiagem, que sequer completou um ano, ainda estão presentes na memória de muitos trabalhadores rurais que perderam boa parte do que plantaram ou amargaram reduções na produção e qualidade do leite. “Ainda não está faltando água para o consumo humano, mas começa a ficar difícil repor para os animais beberem”, diz o agricultor Ari Giovanaz, da linha Jacutinga Arroio Veado, em São Miguel do Oeste. Giovanaz é produtor de gado para corte e, percebendo a dificuldade para saciar a sede dos animais, recorreu à ajuda da Administração Municipal. “Desde sexta-feira (dia 31) estão trazendo água para a propriedade e isso está ajudando de momento”, destaca ele, temendo que possa acontecer neste ano uma seca ainda pior que a última registrada na região: “Tem que chover logo para amenizar. Eu acho que se não cair água nesses meses de setembro e outubro pode acontecer uma estiagem forte”, opina.

PLANTIO

O secretário de Agricultura de São Miguel do Oeste, Atílio Antonio Stolarski, diz que a situação da falta de chuva já deixa moradores rurais em estado de alerta: “É preocupante, porque no plantio de milho já há má germinação; os produtores de fumo também não conseguem plantar e o desenvolvimento das pastagens para o gado podem ficar comprometidas. Estamos percebendo bastante falta de água em alguns lugares, já que as últimas chuvas não repuseram os mananciais”, destaca. Segundo Stolarski, de 21 de agosto até 1º de setembro já haviam sido distribuídos mais de 720 mil litros de água às famílias que alegavam problemas no abastecimento. “Estamos auxiliando em torno de 30 famílias e esses pedidos tendem a aumentar cada vez mais, caso o tempo continue seco”, diz. Até o momento, as comunidades migueloestinas mais atingidas são as de linha Aparecida, Bela Vista das Flores, Oito de Março e Vista Alta. “Também estamos atendendo uma parte de Campos Salles. Mas é bom ressaltar que onde executamos as redes de água de fonte caxambu, ainda não está havendo esse problema”, ressalva.

Em Guaraciaba, o secretário de Agricultura, Leonildo Dilli, também reforça que a falta de água começa a se tornar um problema para o meio rural do município. “Os pedidos começaram há uns 10 dias, eram duas famílias e agora já são cinco. Aqui também está faltando água para o consumo dos animais”, diz ele, que completa: “São praticamente as mesmas famílias que foram atingidas pela última seca, não houve medidas preventivas por parte destas pessoas. Essa semana, estaremos reunidos com a Defesa Civil do município para visitar essas propriedades e alertaremos sobre quais as melhores alternativas preventivas que poderão ser adotadas”.

CAUTELA

“A situação não é alarmante, mas temos que tomar cuidado, ter cautela nesse momento e evitar ao máximo o desperdício de água”, avisa o gerente da agência regional da Casan, Gilmar Rigo. Desde a semana passada, em alguns pontos de São Miguel do Oeste, moradores perceberam a falta de água em determinados momentos do dia. Contudo, segundo Rigo, até o momento não se adotou nenhuma medida preventiva ou sistema de rodízio. “Estamos em alerta, já se percebe que o manancial está diminuindo e se persistir a estiagem vamos ter que adotar alguma alternativa”, enfatiza ele, destacando que o consumo das famílias aumentou nos últimos meses começa a preocupar. “O pessoal deve economizar e não desperdiçar água nesse momento. Sabemos que houve falta d’água em alguns bairros em determinadas horas do dia e isso por causa do alto consumo. Se essa situação perdurar por uns 20 dias ou mais é provável que sejamos obrigados a adotar o rodízio de abastecimento”.

Municípios atingidos pela estiagem receberão máquinas agrícolas

A ministra chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, anunciou na tarde dessa segunda-feira, dia 3, que os municípios atingidos pela estiagem vão receber máquinas e equipamentos agrícolas. O investimento do Governo Federal é de R$ 10 milhões. Ideli ainda destacou que nessa primeira etapa serão 21 municípios selecionados e ao todo serão 79 cidades.

O critério adotado privilegia os municípios com maior número de decretos de emergência nos últimos dez anos. A norma foi definida em reunião com o secretário de Articulação Nacional de Santa Catarina, João Matos e do secretário da Defesa Civil do Estado, Geraldo Althoff. Dos 21 municípios selecionados, Palma Sola e José Boiteux são as cidades que mais sofrerem os efeitos da estiagem, com sete decretos de emergência, e serão automaticamente contemplados. Os demais municípios que apresentaram entre seis a cinco decretos também serão selecionados. Na região de abrangência da Ameosc (Associação dos Municípios do Extremo Oeste de Santa Catarina) foram contemplados Palma Sola, Belmonte, Dionísio Cerqueira, Iporã do Oeste e Itapiranga.

Previsão para os próximos dias

Conforme dados da Epagri Ciram, de hoje até sexta-feira, dia 7, o tempo não deve mudar muito e o sol deve predominar entre algumas nuvens no Estado. A temperatura fica um pouco mais baixa durante esta quarta-feira e se eleva, de forma atípica para a época do ano, amanhã e na sexta-feira. A Epagri Ciram aponta que entre os dias 9 e 18 há indicativos de pelo menos dois eventos de chuva no Estado, com previsão de chuva mais significativa para o leste do Rio Grande do Sul e sudeste de Santa Catarina. Até ontem, dia 4, não havia previsão de declínio acentuado de temperatura nesse período. Ainda segundo a Epagri Ciram, o início da primavera deverá vir acompanhado de boa quantidade de chuva. Já para os meses de outubro e novembro, a previsão é de chuva acima da média climatológica, bem distribuídas em toda Santa Catarina; Como se trata de uma ‘previsão’, agora só resta esperar e torcer para que esta não venha a mudar drásticamente ao longo dos próximos dias.

 

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