Opinião
28 de Janeiro de 2012 - 06:28
As vertentes do Cooperativismo
“Cooperativas Constroem um Mundo Melhor”. Esse é o slogan escolhido oficialmente pela Organização das Nações Unidas (ONU) para o Ano Internacional das Cooperativas, comemorado em 2012.
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Para Organização Brasileira de Cooperativas, o OCB, a iniciativa da ONU é mostrar para sociedade, principalmente a urbana, os benefícios da prática cooperativista, sensibilizando-a de que esse é o caminho para um desenvolvimento sustentável e socialmente mais justo.
Em Santa Catarina as cooperativas regularmente registradas na OCESC/OCB, são constituídas em 12 ramos distintos tendo mais de um milhão de associados. O setor sustenta o desenvolvimento do Estado, com destaque ainda para o ramo agropecuário, pioneiro nesse modelo de organização.
O cooperativismo catarinense vem se destacando com a participação expressiva no sistema financeiro, de 4%. É registrado o crescimento na área de saúde e transportes. No Brasil somam mais de 6.650 cooperativas, com mais de nove milhões de cooperados, sendo o crédito o ramo com maior representação. Com base nesses dados a reportagem do FolhaSete entrevistou lideranças do setor, em quatro ramos distintos. Eles destacam perspectivas para 2012, elencando pontos positivos, dificuldades e tendências.
OCESC
O presidente da Organização das Cooperativas de Santa Catarina – OCESC, Marcos Zordan, acredita a comemoração da ONU, com ano Internacional do Cooperativismo dará ainda mais impulso para o setor, favorecendo as organizações já estruturadas. “Esse reconhecimento representa a contribuição do cooperativismo para o desenvolvimento socioeconômico, além de promover a valorização do segmento e, consequentemente, o crescimento nos mais diversos ramos”, disse.
A iniciativa permite discussões sobre a contribuição das cooperativas para a geração de emprego e integração social. Zordan destaca que através de um modelo de negócio, o cooperativismo contribui para o desenvolvimento socioeconômico dos associados e comunidades. “O sistema cooperativista gera estímulo, crescimento e distribuição igualitária de renda, o que fortalece todos os setores da economia do país. É um modelo que dá certo e merece incentivos do poder público”.
Crédito
O cooperativismo de crédito foi o setor que mais cresceu no Estado e o movimento também é de ascensão no país. A presidente do Sicoob/Crediauc, Maria Luísa Lasarim, confirma esse crescimento tanto de associados quanto de retorno da sociedade com as ações realizadas pelo segmento. Destaca que a área financeira é muito dinâmica e exige das diretorias atualizações constantes. “A gente prevê um grande ganho para o cooperativismo de crédito neste ano, tendo em vista a tramitação de matéria na Câmara Federal, onde prevê o acesso direto das cooperativas de crédito aos recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT)”, justifica.
Segundo Maria Luísa, caso aprovada a matéria, será um ganho positivo ao associado, tendo em vista maior agilidade as linhas de crédito com taxas subsidiadas pelo governo Federal. Em termos de região, a presidente do Sicoob/Crediauc pontua o crescimento dos associados e a busca pela excelência na prestação de serviços.
Transporte
O setor de transporte no cooperativismo está crescendo no ponto de vista do vice-presidente da Coopercarga, Paulo Simioni. Cita como exemplo a expansão nos negócios das cooperativas pequenas. “Entendemos que o cooperativismo é o melhor caminho para fortalecer os pequenos transportadores e potencializar eles frente aos grandes embarcadores”. Ele percebe ainda um grande crescimento de cooperativas de transportes na região.
Simioni alerta para necessidade de gestão administrativa profissional. “O crescimento do Brasil é ilimitado e já dá uma alavancada boa nas empresas de transportes, porém temos a dificuldade da malha viária. Temos caminhões com tecnologias modernas rodando em malhas rodoviárias precárias, dificultando o aproveitamento dessa frota”. Além disso, acredita que a falta de mão de obra especializada é outro entrave para o setor, e cobra investimentos do governo Federal em ambas as situações. Para 2012, prevê expansão do segmento.
Agropecuária
O presidente da Copérdia, Valdemar Bordignon, acredita que o cooperativismo é “o sistema mais democrático e justo que a sociedade busca para se organizar, tendo soluções em grupo e melhor receptividade pelas instituições”. Sobre o setor agropecuário, destaca a redução da participação na atividade, em função de que é uma classe que reduz o número de pessoas. “O cooperativismo na área rural, já foi a grande estrutura, porém a partir do momento que a sociedade urbana se atentou para isso, está buscando se sustentar em cooperativas”.
Bordignon revela que o desafio na agropecuária é incentivar a permanência de jovens no campo, pois o trabalho agrícola está sendo realizado por pessoas mais velhas, e a transferência de mão-de-obra é a grande preocupação. A situação ainda vem de encontro com os endividamentos agrícolas, altos custos e a desvalorização da proteína animal. “O trabalho engajado é incentivo para o fortalecimento da atividade”.
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