84,1% dos comerciantes acreditam que 2020 será um ano melhor que 2019

Foto: Foto: Murici Balbinot/Arquivo

O comércio varejista catarinense é um dos que mais cresce no Brasil. Em setembro deste ano, último dado disponível, a alta no volume de vendas chegou a 8,1% no acumulado de 12 meses. Entre os segmentos que tiveram melhor desempenho estão equipamentos para material de escritório, informática e comunicação e combustíveis e lubrificantes. Por outro lado, livros jornais e revistas apresentam forte queda. 

Segundo o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de SC (Fecomércio/SC), Bruno Breithaupt, as vendas estão em níveis próximos aos períodos imediatamente anteriores à crise econômica. "O comércio já superou seus piores momentos, vividos em 2016 e 2017. Porém, desde o início de 2019, as vendas diminuíram o ritmo de crescimento e a recuperação parece ter atingido o limite que poderia, dadas as condições da economia", analisou. 

Ele acredita que para que o comércio varejista continue se expandindo são necessárias medidas de estímulo ao mercado interno. "O desemprego ainda está elevado e precisa ser reduzido; a renda permanece estagnada; e o crédito está se recuperando de maneira lenta. Atacar esses problemas nos próximos meses, por meio da redução dos juros e estímulos ao investimento produtivo, é fundamental". 

A recuperação da economia mostra que, muito embora esteja crescendo em um ritmo mais lento do que o esperado, deve melhorar agora no último trimestre do ano. Juros em queda, abertura de postos de trabalho, ainda que puxado pela informalidade, e melhora no índice de confiança dos empresários do ramo contribuem para essa percepção. 

A observação é do assessor Institucional da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de SC (FCDL/SC), João Carlos Dela Roca. Ele revelou que uma pesquisa de expectativa de vendas, 66% dos lojistas acreditam que haverá uma melhora no próximo Natal em relação ao de 2018. 

Outro dado que ele destaca como positivo é a liberação de recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Neste caso são dois os efeitos: uso desses valores para compras de final de ano ou para negociar o pagamento de dívidas para limpar o nome do consumidor. 

"Com certeza a possibilidade de voltar a comprar em parcelas vai aquecer as vendas. Um levantamento feito no SPC (Serviço de Proteção ao Crédito) mostra que 72% das dívidas são de valores até R$ 500,00", apontou. 

Os preferidos 

Também de acordo com pesquisa, o segmento de vestuário mantém a posição como o mais movimentado para as vendas de Natal. A expectativa é que 31% das vendas para a data mais importante para o comércio sejam de vestuário. Na sequência vêm calçados (12,24%) e joias e acessórios (11,22%), brinquedos (7%) e smartphones (5%). O índice restante é diluído entre outros produtos. 

O gasto médio é projetado com uma pequena alta, devendo ficar em torno de R$ 150,00 por presente. Para dar conta do movimento maior trazido pelo Dia das Crianças, Black Friday e pelo Natal, os entrevistados afirmaram que vão contratar trabalhadores temporários. 

Um em cada quatro empresários pretende ampliar o quadro de funcionários entre outubro de 2019 e fevereiro de 2020, conforme aponta pesquisa da Fecomércio/SC com 400 empresas nas cidades de Florianópolis, Itajaí, Blumenau, Joinville, Criciúma, Lages e Chapecó. 

Por mais que o ritmo da retomada da economia seja lento, o que se reflete em um comportamento conservador no consumo, o levantamento feito pela FCDL/SC mostra que 84,18% dos comerciantes acreditam que 2020 será um ano melhor que 2019. 

O presidente da FCDL/SC, Ivan Tauffer, também está otimista as iniciativas promovidas até aqui pelo governo federal. Mas alerta: "Só estaremos pavimentando uma estrada segura para um futuro mais produtivo se essas medidas forem verdadeiramente acompanhadas de contenção de gastos públicos e investimentos em infraestrutura."

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