Novos leitos de UTI anunciados pelo governo não estão em funcionamento

RCN
Foto: Mauricio Vieira/Secom

O secretário de Estado da Saúde, André Motta Ribeiro, afirmou na quarta-feira, 10 que Santa Catarina pactuou a abertura de 313 novos leitos de UTI nas últimas semanas, num movimento emergencial que o Executivo faz para minimizar a alta demanda por atendimento. No entanto, apenas uma pequena parte das estruturas entraram de fato em funcionamento segundo a própria Secretaria. Nos últimos 30 dias, por exemplo, o número de leitos adultos de UTI SUS ativos subiu de 1.236 para 1.309, alta de 73 unidades.

O processo de abertura de novos leitos ocorre lentamente em um momento em que a pandemia avança em Santa Catarina. Na quarta-feira, 10, mais de 400 doentes graves esperavam uma vaga em um leito de UTI e cerca de 40 pacientes aguardavam uma vaga em leitos de enfermaria. A ocupação está acima de 95% em todas as regiões do Estado há pelo menos 15 dias.

"Nesses 30 dias de enfrentamento mais firme, inclusive com a minha ida e da equipe para várias regiões, nós trouxemos a pactuação de mais 313 leitos. Esse é um momento em que a gente está dispendendo todas nossas forças, os nossos recursos, os nossos entendimentos para que salve o máximo possível de pessoas e se cause o mínimo possível de sofrimento", disse André Motta.

A reportagem questionou a Secretaria de Estado da Saúde (SES) sobre a diferença entre o anunciado pelo secretário e o número de vagas na prática. A pasta informou que o número de leitos pactuados é ainda maior - 380 -, mas que apenas 112 estão em funcionamento. O principal entrave é a falta de profissionais de saúde para atenderem as novas unidades.

Na comparação com 30 dias atrás, a maior parte das regiões teve aumento do número de leitos, como o Grande Oeste (+58 unidades) e a Grande Florianópolis (+16). Por outro lado o Sul (-5 unidades) e o Vale do Itajaí (-17) perderam vagas. Segundo a SES, os leitos pactuados estão em processo de abertura e terão garantia financeira do Estado.

O aumento de oferta, no entanto, é visto como medida paliativa. O Ministério Público de SC (MPSC), em pedido de lockdown de 14 dias enviado ao Estado, afirma que é necessário frear a taxa de contágio. Para o órgão, sem políticas que promovam o distanciamento social a tendência é de que os novos leitos sejam ocupados e a rede continue lotada, sobrecarregando trabalhadores da saúde e o estoque de medicamentos e de oxigênio. 


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