Benedito Novo fabrica apitos que imitam os sons de aves silvestres
CLARICE GRAUPE DARONCO/JMV
7/5/2013 11:06:09
Empresa que instalou-se no município transformou um material que era usado para a caça em uma peça com enfoque educativo
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CLARICE GRAUPE DARONCO/JMV
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BENEDITO NOVO – Alguém conhece um apito que tem som de aves silvestres? Sim, existem apitos com som de aves silvestres e os mesmos são confeccionados por uma empresa instalada no município de Benedito Novo. A Newart do Brasil transformou um material que até certo tempo eram utilizado infelizmente para a caça, em uma peça com um novo enfoque divertido e educativo ao mesmo tempo.
Segundo a responsável pelo departamento de vendas da empresa, Sonia Tomasoni, os apitos são perfeitos para ensinar e conscientizar as crianças da importância ecológica de se preservar os sons da natureza, podendo ser utilizados na observação e reconhecimento das aves de uma determinada região. Cada apito tem um som diferente. Eles imitam sons de aves silvestres, como por exemplo, da Codorna, Inhambuguaçú, Chororó, Macuco, Marrecão, Perdiz, Rola, Tucano, Uru, entre outras. Junto com os apitos vem um folheto com fotos de cada espécie, explicando qual é o apito de cada ave e com informações sobre ela, além de um CD com os sons de identificação da mesma  para que o usuário possa imitá-lo com o apito.
Sonia observa que os amantes de Observação de Aves, podem tornar o seu passeio ecológico muito mais agradável e interessante. “Observar pássaros e animais silvestres pode ser um divertimento acessível para pessoas de todas as idades, sendo uma atividade prazerosa junto à natureza”, comenta ela.
Em entrevista a redação do Jornal do Médio Vale, Sonia é questionada de como a empresa instalou-se em Benedito Novo e porque começou a produzir apitos. Segundo ela, no final do século 19, auge da imigração de europeus, que em busca de novas oportunidades ou fugidos da crise econômica enfrentada pela Europa na época, chegavam ao Brasil em grande número. “O Brasil de rica fauna e flora, na época oferecia aos recém chegados estrangeiros não apenas um espetáculo de beleza e encantamento, mas um meio de subsistência. Sendo a caça e a pesca parte indispensável do cardápio”, observa ela.
De acordo com Sonia, entre os imigrantes da época estavam os alemães Gustav Roeder e Otto Schlukat, verdadeiros aventureiros, desbravadores que aportaram no porto de Itajaí e instalaram-se no então Vale do Rio Benedito, hoje Benedito Novo, que pertencia ao município de Blumenau.
“O desafio de sustentar a família em meio a selva era imenso. A alternativa foi fabricar instrumentos que imitassem com perfeição o som das aves que habitavam a região, atraindo-as para captura”, conta a jovem ao relatar que os primeiros instrumentos “pios”, foram artesanalmente confeccionados por Gustav Roeder e Otto Schlukat utilizando apenas canivetes e restos de madeira.
Conforme Sonia em meados do século 20, Otto Schlukat começou uma pequena tornearia movida a roda d’água, dando início a uma importante fase do desenvolvimento econômico do município de Benedito Novo, pois muitos foram os que produziam algum tipo de artefato torneado.
“Até meados dos anos 60, estes apitos eram utilizados  somente para caça, que hoje é banida por uma sociedade consciente. Mas devido a sua rara beleza e importância num contexto histórico dos país, esse curioso invento ganhou um novo mercado. Hoje, a fabricação dos pios está voltada exclusivamente para fins educativos, sendo que o seu maior mercado se encontra nos adeptos a passeios ecológicos, dos quais tais instrumentos são indispensáveis, pois facilita a aproximação do ser humano das aves que habitam as matas que circundam as trilhas, ensinando e conscientizando pessoas de todas as idades da importância de preservar os sons da natureza”, destaca ela.
Atualmente, observa Sonia, existem no mundo cinco fábricas de pios, instrumentos que imitam as aves. Uma na Austrália, uma na França e três no Brasil, sendo uma delas a Newart do Brasil, com sede em Benedito Novo, que agora já está passando pela quarta geração.
“A empresa beneditense além da fabricação dos apitos de aves e sentindo  no mercado a falta com relação à brinquedos mais saudáveis e criativos, a partir de  2007 desenvolveu uma linha de produtos baseados em ideias simples que resgatam valores perdidos em busca de uma infância mais feliz e saudável: brinquedos de madeira, que tem como diferencial sua resistência e capacidade de assimilar cores, além de estimular os sentidos pela textura, sons, peso e cheiro”, explica a jovem ao comentar que as peças são confeccionadas em madeira ecologicamente correta. Uma combinação perfeita entre a ação educativa e a preservação do Meio Ambiente.

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Adjori  Brasil
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