A luta dos professores municipais pela reivindicação do piso nacional, que acabou em 2011 num reajuste de 20%, teve um embate da prefeitura no primeiro mês do ano. De acordo com a administração municipal o salário do magistério com reajuste aprovado ano passado não será aplicado na folha de pagamento de janeiro.
O presidente da Associação dos Professores Municipais de Barra Velha, Jossias Coutinho, informou que apesar do Plano de Cargos e Salários ter estabelecido uma valorização do pessoal do magistério, incluindo todos os trabalhadores da educação do piso base, o benefício não poderá ser pago por problemas argumentados pela prefeitura referentes à lei de responsabilidade fiscal.
"Criou-se uma expectativa para os professores. Segundo o prefeito, o compromisso somente poderá ser honrado a partir de fevereiro. Isto nos deixa com uma pergunta, se em dezembro do ano passado, com R$ 700 mil do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (Fundeb), foi possível pagar a 393 funcionários do Magistério, mais a liquidação da segunda parcela do décimo-terceiro salário, além da rescisão dos contratos dos professores temporários, como agora não há dinheiro, sendo que temos somente 170 funcionários e o repasse do Fundeb é praticamente o mesmo?", questionou Jossias.
O novo piso da educação municipal é de R$ 1.187,90 entanto já existe uma defasagem com o piso do magistério nacional que em abril passará a ser de R$ 1.729,40.
Para o presidente da associação dos professores as explicações da prefeitura não tranquilizaram ninguém da educação. "A partir de fevereiro a prefeitura terá que pagar novamente salários para cerca de 390 funcionários da educação, mais férias ainda não pagas para os efetivos, então isto nos remete a questionar: será que em fevereiro não vai ter problema com a lei de responsabilidade fiscal?", disse Jossias, que considerou as desculpas da administração como um engano à classe. "Quando recebermos em fevereiro o salário pela tabela nova, já estaremos com o salário defasado. Como será que a Prefeitura vai administrar esse impacto na folha de pagamento a partir de abril com o aumento do piso nacional?. Pelo visto quem paga os patos sempre é o professor. É muito fácil fazer política e não administrar, ou será que estão aguardando a entrada dos recursos do IPTU para cobrir o que foi retirado do Fundeb?", declarou o presidente.