Boias proibidas são usadas na maricultura de Penha

15 Abril 2019 09:56:33

Após denúncia de acondicionamento de boias tóxicas em um terreno, elas também foram localizadas no alto mar; órgãos ligados ao setor afirmam que o fato é isolado e que não afetam a qualidade do produto

FELIPE BIEGING, JORNALISTA
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Foto: Felipe Bieging | JC
“É um caso isolado. Completamente isolado"

Uma preocupante situação colocou a maricultura de Penha em evidência na mídia estadual. Após denúncia de moradores – um inclusive diagnosticado com intoxicação por inalação de produto químico – foi constatada a utilização de bombonas tóxicas como boias para a fixação dos mexilhões na costa de Armação de Itapocorói. Órgãos públicos e privados ligados à atividade pesqueira categorizam que o fato é isolado e que irão intensificar as fiscalizações.

A denúncia partiu de uma moradora, que se manteve anônima, e relatou o acondicionamento de uma série de boias em um terreno ao lado de sua casa. O cheiro forte chamou a atenção, principalmente após a adoecimento de um dos moradores. As mesmas boias – que na realidade são bombonas utilizadas para o armazenamento de produtos químicos – também foram localizados sendo utilizados no cultivo dos mariscos.

“É um caso isolado. Completamente isolado. Nós não podemos generalizar isso para Santa Catarina e para Penha. A grande maioria é consciente e sabe que não pode utilizar isso”, relatou o diretor da Associação dos Maricultores de Penha e também professor da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), Gilberto Manzoni. O fato já havia sido constatado em 2017, quando o Instituto do Meio Ambiente (IMA) notificou os maricultores e recolheu o material.

“Para nós foi uma surpresa, porque tínhamos a expectativa que isso já havia morrido e que não estava mais ocorrendo”, complementou o professor. A fiscalização da questão fica direcionada à Polícia Ambiental e também ao IMA, mas também pode ser monitorada pelo próprio município – que alega falta de efetivo profissional. Contudo, agora procederá com a identificação da situação e determinação para troca das boias.

 O secretário da Pesca de Penha, Ronaldo Laurentino, afirmou que os maricultores serão orientados a fazerem a troca. “Daqui para frente iremos aumentar a fiscalização. Terão que trocar imediatamente”, garantiu Tito, como é conhecido. Manzoni acrescenta que esse modelo de bombona pode ser utilizado, mas há um critério muito claro. “Não se pode colocar um produto de origem tóxica dentro da água. A Lei permite que utilize bombonas, desde que sejam tenham acondicionado material para uso humano” e que “claro, sempre te maus exemplos e alguns usaram essas bombonas (proibidas)”, lamentou o professor.

“Não dá para generalizar”

O professor da Univali e entusiasta da maricultura, reforçou que a situação constatada é isolada e que “não dá para generalizar”, colocando em xeque a qualidade do produto. “O que eu posso dizer a nível técnico é que nós nunca detectamos, nesses 25 anos, níveis de poluentes orgânicos na água que dê um indicativo de que a área está poluída”, ratificou.

“Nós, a nível de Universidade, temos um trabalho de monitoramento das águas [...] análise de metais que estão dissolvidos na água – que são poluentes organoclorado. Não fizemos específico de um reagente, mas temos informações que de metais na água e no tecido dos mexilhões que estão dentro do padrão normal”, acrescentou Manzoni.

 Na quarta-feira, 10, técnicos da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (CIDASC) estiveram na cidade para sua rotineira atividade de análise da água e do produto. Nada de anormal foi localizado. “Nossa defesa é a análise laboratorial, que diz que está tudo certo”, finalizou Tito.

 

 

 

 






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