Estudo aponta agrotóxico em manancial utilizado pela Casan de Balneário Piçarras

Diagnóstico feito pelo MPSC apontou a concentração de 0,066 micrograma por litro de água de herbicida utilizado no combate a ervas daninhas; Casan garante água potável e define o fato como criação de pânico

Casan mananciais.jpg
“A água tratada e distribuída aos consumidores é potável”

Levantamento técnico realizado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), em 100 cidades do estado, apontou a existência de um tipo de agrotóxico no manancial utilizado pela Casan para abastecer Balneário Piçarras – e também vender para o município vizinho de Penha. O documento apontou a concentração de 0,066 micrograma por litro de água do herbicida “2,4-D”, utilizado no combate a ervas daninhas em plantações. Em nota, a Casan refutou com veemência o relatório do MPSC, que identificou outros 21 municípios com situação semelhante.

As amostras foram coletadas em 100 cidades, entre março e novembro de 2018, período de safras e cultivos. Elas foram coletadas pelo Programa da Qualidade da Água Tratada, do Centro de Apoio Operacional do Consumidor (CCO) do MPSC, em parceria com a Agência Reguladora Intermunicipal de Saneamento (Aris) e a Agência de Regulação de Serviços Públicos de Santa Catarina (Aresc). Em Balneário Piçarras, o monitoramento aconteceu no dia 10 de setembro. O herbicida, segundo o relatório, tem maior utilização na rizicultura.

“Apesar de todas as concentrações aferidas para os agrotóxicos analisados terem ficado abaixo dos limites estabelecidos pela Portaria de Consolidação número 5, de 28 de Setembro de 2017, do Ministério da Saúde, os dados apresentados indicam que nos 22 municípios em que foram encontrados agrotóxicos nas águas de abastecimento, essa contaminação repercute em riscos à saúde dos consumidores, uma vez que possivelmente há outros agrotóxicos e poluentes presentes interagindo com os poluentes aferidos, e que não foram abordados nas análises, com efeitos imprevisíveis sobre a saúde da população exposta”, alerta a Doutora em Engenharia Química, Sonia Corina Hess.

A citação de Sonia, que também é pós-doutora em Química e professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), faz parte de um diagnóstico produzido por ela após estudos dos resultados obtidos nas amostras. Ele foi apresentado no Seminário sobre “Agrotóxicos nos Alimentos, na Água e na Saúde", que acontece ao longo desta semana, na sede do MPSC, em Florianópolis.

Ao todo foram analisados 204 princípios ativos de agrotóxicos. As operadoras do sistema de água pesquisam somente 27 substâncias, conforme o parâmetro indicado pelo Ministério da Saúde. Dos 17 princípios ativos de agrotóxicos encontrados na água que chega aos municípios monitorados, sete são proibidos na União Européia devido aos efeitos negativos que podem provocar na saúde humana - atrazina, simazina, bromopropilato, metalacloro, permetrina, propargite, propiconazol.

As análises envolveram municípios na Grande Florianópolis, Oeste, Sul, Vale do Itajaí, Norte e Serra, que foram escolhidos com base na relação entre população, cultivo de alimentos e venda de pesticidas. O município com a maior variedade de agrotóxicos na água foi Rio do Sul, com sete substâncias diferentes, mas 13 cidades apresentaram mais de um princípio ativo simultaneamente.

Para a Coordenadora do CCO, Promotora de Justiça Greicia Malheiros da Rosa Souza, o resultado das análises aponta a necessidade de ampliação do monitoramento e a realização de pesquisa para identificação da origem de contaminação e adoção de medidas corretivas para diminuir os riscos ao cidadão.

“A água tratada e distribuída aos consumidores é potável”

Em nota oficial, a Casan afirmou que nenhuma amostra de água coletada na saída de suas estações de tratamento, em todo o Estado de Santa Catarina, apresenta qualquer inconformidade. “Todas as amostras coletadas atendem à Consolidação Número 5 do Ministério da Saúde, portaria que define os padrões de potabilidade da água. Sendo assim, a Companhia reitera que a água distribuída nos municípios do Sistema CASAN está completamente dentro dos níveis de potabilidade exigidos”, cita a nota.

Segundo um quadro comparativo entre os dados apresentados pelo diagnóstico do MPSC com os valores permitidos pelo Ministério, Balneário Piçarras está com percentual de 455 vezes menor do que o máximo permitido. “Para esclarecimento da população e da imprensa é preciso destacar que o próprio Ministério da Saúde admite pequenas concentrações de agrotóxicos na água, tanto que estabelece quais produtos são admissíveis e em que concentrações”, assegurou a Casan.

Sobre a suposta presença de agrotóxicos, a Agência Reguladora Intermunicipal de Saneamento (ARIS) também “assegura que a água tratada e distribuída aos consumidores é potável, está apta para o consumo humano” e não apresenta risco algum.  

A Casan reforçou ainda que “monitora permanentemente a qualidade de sua água justamente para garantir todos os padrões exigidos pela legislação e manter as condições de segurança hídrica e de saúde pública. E por isso garante que nenhuma análise da Companhia chega próximo do limite máximo permitido. No Estado, a Companhia realiza um total de 180 mil análises anuais nas suas 365 unidades de tratamento”

Para chancelar sua versão, a Casan diz que “para que não paire dúvida alguma, a empresa reitera a disponibilidade de seus laboratórios para eventuais comprovações – como sempre faz -, bem como coloca à disposição os relatórios para consultas junto aos bioquímicos, químicos e engenheiros responsáveis”.  

Por fim, a Casan tece críticas à imprensa que deu repercussão ao relatório do MPSC. “A Companhia lamenta a abordagem do material divulgado, inconsistente e sem contraponto, gerando alarmes e receios que direcionam a população a consumir água industrializada, mais cara ou até mesmo de fontes não confiáveis”, encerra a nota oficial.

Imagens






14322344777940.png

Copyright © 2011. Todos os direitos reservados | Associação dos Jornais do Interior de Santa Catarina e Jornal do Comércio