Fundema aponta que há barragens bloqueando captação de água em Balneário Piçarras

07 Janeiro 2019 14:53:10

A Fundação do Meio Ambiente realizou avaliação técnica de bacia hidrográfica do Rio Piçarras e verificou que o maior bloqueio está em Barra Velha, no Rio do Peixe, que é o principal afluente.

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Foto: Divulgação

A Fundação do Meio Ambiente de Balneário Piçarras (Fundema) realizou na semana passada uma avaliação técnica para delimitar a bacia hidrográfica do Rio Piçarras no trecho acima do ponto de captação de água para Estação de Tratamento de Água (ETA) da concessionária de prestação de serviços na cidade, a Casan. O estudo verificou que existem barragens no Rio Piçarras.

O desvio do fluxo do rio acontece principalmente para a atividade da produção de arroz, apontou a Fundema. "Já trabalhamos com a abertura de barreiras desde o ano passado, quando realizamos uma ação em conjunto com a Casan e a Secretaria de Obras. Agora, a concessionária informou haver outros pontos, o que gerou a necessidade da avaliação técnica aprofundada", explicou o presidente da Fundema, Marcos Zaleski.

Uma descoberta importante foi de que um ponto de grande relevância de barragem de água está em Barra Velha, no Rio do Peixe, que é o principal afluente do Rio Piçarras. O estudo verificou que mais de 54% da área superficial da bacia hidrográfica do Rio Piçarras, considerando como foz o ponto de captação de água bruta nas proximidades da ETA, está dentro do município de Barra Velha. "O dado permite observar a importância do trabalho integrado com Barra Velha", ressaltou Marcos.

A Fundema também está elaborando um mapa com todos os pontos de barramento georreferenciado e irá enviar a Casan. "Com o mapa, a concessionária poderá antecipar novos problemas e utiliza-lo de base para o planejamento de ações futuras e gestão. Observamos que existem poucos e específicos pontos de barramento do rio e, já estamos verificando a questão do licenciamento ambiental de cada atividade", informou Marcos.

"A união de todas as forças é fundamental para o desenvolvimento da nossa cidade. Estamos dando suporte técnico à Casan no que for necessário, porém, é importante avaliar que a cidade está crescendo, com a demanda de água aumentando significativamente a cada ano e, ainda, estamos com a mesma ETA, o mesmo reservatório e os mesmos processos de anos atrás. Necessita-se de investimentos e, principalmente, uma avaliação aprofundada sobre o uso do Rio Piçarras", finalizou o presidente da Fundema.

Mata ciliar preservada

A FUNDEMA realizou uma avaliação histórica dos últimos cinco anos da cobertura e uso do solo nas margens do Rio Piçarras acima do ponto de captação de água, verificando que não houve mudanças consideráveis na mata ciliar (vegetação nativa de margens de rios), sem indícios de desmatamento. A constatação garante a estabilidade do ambiente, não comprometendo a qualidade das águas no local.

Casan retira barreiras no interior

Um vídeo, postado pela Casan em sua rede social, mostra funcionários desobstruindo barreiras erguidas para irrigar lavouras de arroz na região de Piçarras. “Como o abastecimento humano é prioridade, o caso está sendo denunciado aos órgãos competentes. Nesta sexta-feira serão usadas retroescavadeiras para liberar barragens ilegais que reduzem a vazão do rio, deixam a água mais turva e dificultam o tratamento. O rio chegou a níveis tão baixos na madrugada que a Estação de Tratamento (ETA) foi desligada por três horas para não sujar a água. Mas foi religada às 6h, não chegando a afetar o abastecimento”, diz a nota.

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