Gestão do camarão sete-barbas ganha atenção do Governo Federal

Uma reunião do projeto do Manejo Sustentável da Fauna Acompanhante na Pesca de Arrasto na América Latina e Caribe aconteceu em Penha; foco foi ouvir os pescadores e colnhecer a realidade local

FELIPE BIEGING, JORNALISTA
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Foto: Felipe Bieging | JC
“Hoje começamos a constituir a partir do olhar de quem pesca o Plano de Gestão da Pesca de Camarões. É o momento de vocês falarem todas as questões que dificultam a pesca”,

Penha recebeu ao longo de quarta-feira, 29, uma reunião estratégica que construirá, de forma coletiva e participativa, o futuro da Pesca de Camarões para toda a região sul do Brasil. Um grupo de pescadores e representantes do setor participaram, no salão da Capela de São João Batista, da apresentação e reunião de trabalho do projeto do Manejo Sustentável da Fauna Acompanhante na Pesca de Arrasto na América Latina e Caribe.  Os pescadores presentes identificaram a alteração do período de defeso como o principal tema para melhorar a gestão da pesca de camarões.

De iniciativa do Ministério da Pesca e Aquicultura (atual Secretaria de Aquicultura e Pesca do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), o projeto visa a gestão sustentável da pesca e a redução de desperdícios na captura de camarões. “Hoje começamos a constituir a partir do olhar de quem pesca o Plano de Gestão da Pesca de Camarões. É o momento de vocês falarem todas as questões que dificultam a pesca”, apresentou a consultora do projeto Ana Silvino.

O projeto está sendo desenvolvido em todo o território nacional e inclui diferentes espécies de camarões. Para definição do defeso, há duas frentes de atuação: um grupo de trabalho formado por cientistas coordenado pela Secretaria de Aquicultura e Pesca, em Brasília, e o grupo do Projeto de Manejo que possibilita a escuta do saber tradicional. “Se ao final do ano os grupos chegarem a uma opinião de consenso sobre um novo período do defeso para essa região do Brasil, muito provavelmente a alteração ocorra já para o ano que vem – antes do fim do Projeto”, complementou a consultora.

Na região do camarão sete-barbas, o objetivo principal é zelar pela pescaria artesanal e preservar espécies menores de peixes – que acabam sendo arrastadas pelas redes de malha fina e depois disperdiçados pelos pescadores por não possuirem apelo comercial. “Um dos pontos chaves da reunião foi a confirmação de que o período do defeso do camarão está equivocado. Esse trabalho é algo inédito para nossa região, para essa categoria de pescadores que estão há décadas clamando por atenção e valorização. Acredito que algo raro está para acontecer”, valorizou o presidente da Comissão da Pesca do Litoral Norte, Luiz Américo.

A Comissão foi criada no ano passado e tem se reunido para discutir a temática do defeso – entre outros benefícios aos artesanais. O movimento chegou à Brasília, ganhando destaque no discurso da deputada federal, Geovânia de Sá (PSDB). “Tenho plena certeza de que Penha só recebeu essa audiência do Plano de Manejo por conta da mobilização de toda a classe regional. É mais um passo rumo a dias mais frutíferos para a pesca artesanal camaroneira”, acrescentou Luiz.

O Projeto de Manejo – conhecido no meio como REBYC II-LAC -  pretende ampliar o conhecimento sobre a captura incidental e fauna acompanhante associada a pescarias de camarão no país, assim como desenvolver tecnologias para mitigar o impacto dessa atividade, considerando também aspectos socioeconômicos e o empoderamento das mulheres nesse sistema pesqueiro.

REBYC II-LAC, é uma iniciativa conjunta da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e do Fundo para o Meio Ambiente Mundial (FMAM) (Global Environment Facility – GEF, por sua sigla em inglês), que visa a gestão sustentável da pesca e a redução de desperdícios na captura de camarões. Ainda participaram da reunião técnicos da Epagri de diversas cidades do Estado, do Cepsul e o professor Roberto Wahrlich, do Laboratório de Tecnologia e Extensão Pesqueira da Escola do Mar, Ciência e Tecnologia da UNIVALI.

Ainda participaram da reunião técnicos da Epagri de diversas cidades do Estado e o professor Roberto Wahrlich, Laboratório de Tecnologia e Extensão Pesqueira EMCT/UNIVALI – um dos mais entendidos no assunto discutido.

 

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