Mastro de São Sebastião repete tradição de mais de 200 anos no próximo domingo

O ponto de partida dos devotos será a tradicional Praça do Baiano, reunindo também foliões do Divino Espírito Santo, com cantorias, homenagens e presença dos promesseiros

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Foto: Divulgação
“Patrimônio de Natureza Imaterial de Penha”

O ritual religioso considerado o mais antigo do Vale do Itajaí – com tradição superior a 200 anos – retorna mas uma vez junto aos devotos católicos de Penha. Neste próximo domingo, dia 12, o “Mastro de São Sebastião” percorre as ruas de Armação do Itapocorói, em direção à Capela São João Batista.

O ponto de partida dos devotos será a tradicional Praça do Baiano, reunindo também foliões do Divino Espírito Santo, com cantorias, homenagens e presença dos promesseiros, que são os responsáveis por içar a bandeira de São Sebastião – composta por flores e folhagens – ao seu mastro.

Na praça, os participantes entoam músicas católicas e começam a enfeitar o tronco que é selecionado para se transformar no chamado “mastro”. De acordo com o diretor de Cultura da Prefeitura de Penha, professor Eduardo Bajara, a devota Ana Malburg será a promesseira deste ano.

Toda essa preparação é para garantir o ritual, que ocorre há cerca de 200 anos, a cada janeiro, para homenagear São Sebastião, lembrado no dia 20 deste mês – o entendimento dos devotos é que a decoração do mastro deve ocorrer sempre num domingo anterior ao dia do santo.

Em Santa Catarina, o ritual ocorre somente em Penha, e segundo Bajara, têm sua origem entre vicentistas, inicialmente em São Francisco do Sul, onde a tradição se perdeu. “Depois, a crença veio para Penha, e é a mais antiga do litoral norte”, observa o professor.

Além de flores e folhagens repassados pelos devotos, os promesseiros ficam responsáveis por servir broas de coco e consertada – bebida à base de cachaça, típica de Penha – e especiarias. Em seguida, o mastro é levado em procissão à igreja, ao som de cantos, rezas e foguetório, na chamada “Puxada do Mastro". O evento é aberto a toda comunidade.

PATRIMÔNIO IMATERIAL

O jornalista  escritor Vilmar Carneiro lembra que em 2018, essa tradição de herança católica foi elevada à categoria de “Patrimônio de Natureza Imaterial de Penha”, pela Câmara de Vereadores. O tronco, em média, tem 10 a 12 metros, e é fincado na Praça São Pedro, em frente à Capela São João Batista, considerada marco zero de Penha. Na ponta, é fixada a bandeira com a imagem do santo.

“A intenção é avisar a todos que avistem o mastro que no dia 20 de janeiro é dia de São Sebastião”, detalha Bajara. Após a fixação, há aplausos por parte dos devotos. Outra tradição é a produção da consertada duas semanas antes, para que a bebida seja servida durante o ritual. Ainda segundo Vilmar Carneiro, tradição antiga em Penha garante que flores retiradas do mastro são garantia de um casamento feliz.

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