A situação do Rio Iriri volta a ilustrar as páginas do Jornal do Comércio. Depois de ser citado por sua situação emergencial de assoreamento, na obra de dragagem emergencial e recusa de projeto de licenciamento ambiental, a notícia do momento é um ultimato. Segundo o prefeito de Penha, Evandro Eredes dos Navegantes, ou a Fundação do Meio Ambiente (Fatma) emite a autorização ambiental ou a dragagem do rio será feita sem ela.
"A Fatma extraviou nosso projeto na Regional de Itajaí. Disseram que perderam. Reenviamos para Florianópolis, que se negou a analisar e encaminhou para Itajaí, que não aprovou sob a alegação de erros", explica o prefeito, referindo-se a uma possível atitude de realizar a obra sem o consenso do órgão ambiental. Após nova reprovação da Fatma, o projeto foi alterado e reenviado na última semana.
"Novamente fizemos as alterações que a Fatma solicitou, como das outras vezes", conta Evandro, que já adiantou a realização de uma visita ao escritório da Fundação, nesta próxima semana. "O projeto já está lá. Vou à Fatma na próxima semana para uma reunião. Depois vamos decidir o que fazer", comentou na manhã de sexta-feira, 20. O projeto ambiental já tramita no órgão há mais de dois anos.
"Essa obra será feita de qualquer forma, com o seu o aval da Fatma. Penha está em situação de emergência e podemos tirar proveito deste decreto para realizar a obra", garante o prefeito. Entretanto, Evandro afirma que qualquer obra no rio será realizada somente após a Festa do Marisco, já que o bota fora de todo o material retirado do fundo do Iriri será depositado no terreno da festa.
O prefeito citou ainda que o Governo Municipal já possui a garantia de liberação de R$ 400 mil, do Governo do Estado, para dragar o Rio Iriri e construir molhes de pedras. A Defesa Civil do Estado, também já licitou R$ 69 mil para que uma empresa realizasse um segundo trabalho emergencial no rio, mas que não foi realizado justamente pela falta da licença ambiental.
A situação
É preciso ficar atento ao relógio. Um olho nos ponteiros e outro na maré. Essa é a rotina dos pescadores do Rio Iriri, que precisam sair com as embarcações pelo local e na hora exata para não começarem suas pescarias com um grande prejuízo, o encalhe do bote.
"Já perdi hélices, quilhas e vários lemes. A pescaria já é difícil e ainda temos que enfrentar situações como estas? É complicado ter que ficar acordado durante toda noite esperando o momento certo para sair", reclama o pescador mais conhecido como 'Barra Velha'
Isso porque, desde a construção do novo molhe na margem direita do Rio, a maré passou a trazer um grande volume de areia para a boca da barra, impossibilitando a saída dos barcos nos momentos de maré baixa. Eles querem uma solução, urgente.
A reclamação é geral. Além disso, os pescadores não criticam apenas a situação caótica da boca da barra, questionam também o estado de toda extensão do Rio Iriri.