André pedirá a absolvição de seu agressor

04 Dezembro 2018 11:07:24

“Desejo a liberdade dele o quanto antes para que ele retorne para família e construa uma nova vida”, afirmou o educador físico, que em abril foi agredido e passou semanas na UTI até se recuperar

FELIPE BIEGING, JORNALISTA
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Foto: Facebook

Inicialmente previsto para ocorrer no dia 27 deste mês, o júri popular de Jeferson Henrique Lima Lopes Cardoso foi transferido para 11 de junho do próximo ano. A decisão foi da juíza da Comarca, Regina Aparecida Soares Ferreira, que alegou "imperativo de pauta" para transferir o julgamento de tentativa de homicídio qualificado contra o professor de educação física de Balneário Piçarras, André de Borba. O educador físico lamentou a decisão e adiantou que pedirá aos jurados a absolvição de seu agressor.

Jeferson enfrentará o júri popular para defender-se da denúncia do crime oferecida pelo Ministério Público (MPSC), que tem como atenuantes o motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima - uma vez que teria se aproveitado da inconsciência de André para golpeá-lo com uma pedra. "O crime não se consumou por motivos alheios à vontade do denunciado, eis que um popular encontrou a vítima caída no local ainda com sinais vitais", detalhou o promotor, Luis Felipe de Oliveira Czesnat.

A advogada de defesa de Jeferson, Solange Serafim, compreendeu a decisão administrativa de transferência do julgamento, mas adiantou que entrou com Habeas Corpus no Tribunal de Justiça para tentar soltar seu cliente - preso desde abril no Complexo Penitenciário de Canhanduba. "Ingressei com um HC no Tribunal de Justiça e aguardo a liberação dele, para que aguarde pelo julgamento em liberdade", confirmou à reportagem.

Apesar de quase ter perdido a vida, André disse entrou em contato com a advogada de defesa de Jeferson, frisando que pedirá aos jurados a liberdade do réu. "Gostaria que o júri não tivesse sido adiado. Junho do ano que vem é uma data distante e tempo no presídio simplesmente passa. É uma eternidade lá dentro. O Jeferson tem apenas 18 anos e tem uma vida inteira pela frente. Desejo a liberdade dele o quanto antes para que ele retorne para família e construa uma nova vida", afirmou.

"Foi por isso que entrei em contanto com seu advogado. E sim, a proposta que tenho é pedir sua absolvição o quanto antes. Caso haja possibilidade de antecipar, ótimo. Caso não, infelizmente faz parte", completou o educador físico. Apesar de sua posição, a advogada de Jeferson pontuou que ela não tem mais influência sobre o processo criminal, mas que "a posição dele (André) ajudará no júri", finalizou Solange, já que os sete jurados são quem sentenciam.

Questionado se perdoaria Jeferson, André foi categórico em dizer que "não há nada o que perdoar, está tudo certo. Gratidão pela vida é o que sinto, grato a ele eu também sou. Mas se é isso o que querem ler: sim, está perdoado!". Sua postura empática vai ao encontro da filosofia de vida que adotou há dois anos, em que busca de um conhecimento espiritual e pessoal mais intenso.

O crime, ocorrido em abril, teria se iniciado após André ter trocado um celular - que não lhe pertencia - por drogas vendidas por Jeferson, que posteriormente questionou a posse do aparelho a uma testemunha arrolada no processo. O aparelho foi reconhecido pela testemunha, que ainda sugeriu a troca do celular por uma garrafa de bebida alcóolica para que a dívida de André fosse quitada e o celular devolvido ao real dono. Jeferson teria aceito o acordo, mas não o cumpriu, localizando André e o agredindo com violência. Os golpes levaram a vítima à UTI por algumas semanas.

 

EXTRAS

JC - Como você pode narrar ou definir o evento que quase tirou a sua vida?

André: Antes de responder sua pergunta, te faço outra: Qual a dimensão de sua consciência? Como narrar o evento e não aparentar insanidade diante da normalidade existencial deste mundo!? Toda a minha jornada, desde o início a quase dois anos ao ápice da experiência quase morte tiveram seus motivos, seus por quês... E de alguma "forma" tudo aconteceu como teve que acontecer, nem mais, nem menos, nem vírgula ou ponto. Já dizia William Shakespeare: Há mais coisas entre o céu e a terra, Horácio, do que sonha nossa vã filosofia! E realmente, há muito mais coisas neste mundo do que podemos imaginar ou simplesmente sonhar. A narrativa do episódio é muito extensa e complexa, por isso, apenas deixo dito que: nem eu e, muito menos ele, tivemos culpa pelo acontecido. Infelizmente ‘o acaso’ fez parte de toda aquela noite.

 

JC - Como está sua vida após a recuperação?

André: A vida está ótima, ainda com algumas peças do quebra-cabeça para serem encaixadas, mas faz parte. Estou 100%, tanto físico quanto mental e espiritualmente. Estou melhor do que antes do episódio que quase ceifou minha vida. Apenas com duas pequenas cicatrizes na testa. Porém, continuo ainda interagindo com dois mundos distintos na mesma linha de tempo. É complicado, irracional, mas farte do que me tornei! Em alguns momentos no dia-a-dia esses mundos se cruzam e felizmente/infelizmente autorizo o "botão do automático" para apenas seguir observando o desenrolar do contexto apresentado. Duas interpretações, um único mundo e todo um universo à frente. Porém, apesar de não aparentar, estou mais consciente do "limite do automático"!  

 

JC - O que deseja para o seu próprio futuro?

André: Desejo tanta coisa! Mas o principal é o equilíbrio de minha trajetória e o reescrever de uma nova história! Desde que tudo começou o antigo André foi deixado para trás e um novo ainda continua em processo intenso de metamorfoses. Desejo apenas sair de cima do muro e calçar meus pés no concreto do chão dos dois mundos e ali encaixar as peças restantes de minha intrigante história de vida neste tempo. A normalidade não me pertence mais, mas também a surrealidade não me é palpável, o que me resta misturar os dois mundos e abraça-los e ver o que a vida tem a me presentar futuramente.


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