Vereadora convoca Casan para explicar sobre agrotóxico no manancial de Balneário Piçarras

26 Abril 2019 10:09:39

A Casan será oficiada e terá quinze dias para comparecer em plenário.

FELIPE BIEGING, JORNALISTA
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Foto: Divulgação
O requerimento de Dalva vai ao encontro do documento do MPSC

A Câmara de Vereadores de Balneário Piçarras aprovou a convocação do responsável pela Casan para prestar explicações em tribuna a respeito do recente estudo do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), em que apontou a existência de um tipo de agrotóxico no manancial utilizado pela estatal para abastecer o município.  A convocação foi imposta por requerimento de iniciativa da vereadora Dalva Cristiane Teixeira dos Santos (PP).

“A população está preocupada para saber sobre esse agrotóxico que está na água do Rio de Balneário Piçarras. Que venha alguém da Casan para explicar se realmente esse agrotóxico não está fazendo nenhum mal para a população”, declarou a parlamentar durante a sessão ordinária do dia 23 – momento em que o requerimento foi aprovado. A Casan será oficiada e terá quinze dias para comparecer em plenário.

O requerimento de Dalva vai ao encontro do documento do MPSC que apontou a concentração de 0,066 micrograma por litro de água do herbicida “2,4-D”, utilizado no combate a ervas daninhas em plantações. O estudo foi realizado com amostras coletadas em 100 cidades, entre março e novembro de 2018, período de safras e cultivos.

Elas foram coletadas pelo Programa da Qualidade da Água Tratada, do Centro de Apoio Operacional do Consumidor (CCO) do MPSC, em parceria com a Agência Reguladora Intermunicipal de Saneamento (Aris) e a Agência de Regulação de Serviços Públicos de Santa Catarina (Aresc). Em Balneário Piçarras, o monitoramento aconteceu no dia 10 de setembro. O herbicida, segundo o relatório, tem maior utilização na rizicultura.

“Apesar de todas as concentrações aferidas para os agrotóxicos analisados terem ficado abaixo dos limites estabelecidos pela Portaria de Consolidação número 5, de 28 de Setembro de 2017, do Ministério da Saúde, os dados apresentados indicam que nos 22 municípios em que foram encontrados agrotóxicos nas águas de abastecimento, essa contaminação repercute em riscos à saúde dos consumidores, uma vez que possivelmente há outros agrotóxicos e poluentes presentes interagindo com os poluentes aferidos, e que não foram abordados nas análises, com efeitos imprevisíveis sobre a saúde da população exposta”, alerta a Doutora em Engenharia Química, Sonia Corina Hess.

Em nota oficial, a Casan afirmou que nenhuma amostra de água coletada na saída de suas estações de tratamento, em todo o Estado de Santa Catarina, apresenta qualquer inconformidade. “Todas as amostras coletadas atendem à Consolidação Número 5 do Ministério da Saúde, portaria que define os padrões de potabilidade da água. Sendo assim, a Companhia reitera que a água distribuída nos municípios do Sistema CASAN está completamente dentro dos níveis de potabilidade exigidos”, cita a nota.

Segundo um quadro comparativo entre os dados apresentados pelo diagnóstico do MPSC com os valores permitidos pelo Ministério, Balneário Piçarras está com percentual de 455 vezes menor do que o máximo permitido. “Para esclarecimento da população e da imprensa é preciso destacar que o próprio Ministério da Saúde admite pequenas concentrações de agrotóxicos na água, tanto que estabelece quais produtos são admissíveis e em que concentrações”, assegurou a Casan.






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