Balneário Piçarras e Barra Velha perdem quatro médicos cubanos

26 Novembro 2018 09:24:25

A saída é fruto do rompimento do acordo entre as duas nações e vai ao encontro das decisões administrativas do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), que estipulou novas condicionantes

FELIPE BIEGING, JORNALISTA
111201713321964799_cizur.jpg
Foto: Divulgação
Os quatro médicos estavam focados no atendimento voltado à Estratégia Saúde da Família (ESF).

Com o rompimento do contrato entre Brasil e Cuba, os municípios de Balneário Piçarras e Barra Velha perderam quatro médicos cubanos que atuavam pelo programa “Mais Médicos”. Eles já não atendem mais nas unidades em que estavam lotados e agora os gestores municipais buscam soluções para manter os atendimentos médicos.

Em Balneário Piçarras havia uma profissional, que atendia na Unidade Básica de Saúde (UBS) do Morro Alto. Em Barra Velha, os médicos cubanos prestavam atendimentos na UBS Central, UBS São Cristóvão e UBS Itajuba. Os quatro médicos estavam focados no atendimento voltado à Estratégia Saúde da Família (ESF).

O município de Balneário Piçarras informou que está direcionando uma médica do plantel para atendimentos três vezes por semana até a contratação de outro profissional. “Tivemos um impacto para o município na questão que a médica já estava a algum tempo na unidade e conhecia a população, tinha um vínculo que agora demandará de um tempo maior para o outro médico conhecer a população”, lamentou a secretária, Bruna Emanuela Machado.

Barra Velha um dos profissionais já foi substituído por uma médica brasileira.  A Secretaria de Saúde diz ainda que vai aguardar o resultado do edital federal para a contratação pelo programa Mais Médicos para suprir as três saídas. “Mas enquanto isso estamos fazendo a contratação de médicos e revezamento dos colegas para atender toda a demanda”, afirmou a pasta, por intermédio da assessoria de imprensa.

A profissional que atuava em Balneário Piçarras regressou a Cuba no dia 21. Os que trabalhavam em Barra Velha ainda aguardam pela viagem de volta.  As cidades de Penha e Luiz Alves também foram consultadas, mas afirmaram não possuírem médicos cubanos em seu plantel.

O rompimento do acordo entre as duas nações vai ao encontro das decisões administrativas do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), que condicionou a permanência dos profissionais à realização de exame de capacitação (Revalida) – não aplicado a médicos de outras nacionalidades que integram o programa -, pagamento integral do salário aos médicos e também maior liberdade para que seus familiares também pudessem vir ao Brasil. “Além de explorar seus cidadãos ao não pagar integralmente os salários dos profissionais, a ditadura cubana demonstra grande irresponsabilidade ao desconsiderar os impactos negativos na vida e na saúde dos brasileiros e na integridade dos cubanos”, disse Bolsonaro.

As condicionantes não foram aceitas por Cuba. Em nota, o governo cubano citou que “as mudanças anunciadas impõem condições inaceitáveis e violam as garantias acordadas desde o início do programa, que foram ratificadas em 2016 com a renegociação da cooperação entre a Organização Pan-Americana da Saúde e o Ministério da Saúde do Brasil e o Convênio de Cooperação entre a Organização Pan-Americana da Saúde e o Ministério da Saúde Pública de Cuba. Essas condições inadmissíveis impossibilitam a manutenção da presença de profissionais cubanos no Programa”.

“O povo brasileiro, que fez do Programa Mais Médicos uma conquista social, que contou desde o início com os médicos cubanos, aprecia suas virtudes e aprecia o respeito, sensibilidade e profissionalismo com que o atenderam, poderá entender sobre quem recai a responsabilidade que nossos médicos não podem continuar fornecendo sua contribuição solidária nesse país”, encerra a nota do Governo de Cuba, datada de 14 de novembro.






14322344777940.png

Copyright © 2011. Todos os direitos reservados | Associação dos Jornais do Interior de Santa Catarina