Dia Mundial Sem Tabaco tem histórias de vitória e luta em Balneário Piçarras

Dados oficiais da Secretaria de Saúde de Balneário Piçarras revelam que atualmente há 1.853 fumantes no município; reportagem do JC traz duas histórias opostas sobre a vitória e a luta contra o vício do tabagismo

FELIPE BIEGING, JORNALISTA
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Foto: FREEPIK.COM
“Eu enfartei e fui obrigado a parar de fumar

31 de maio, Dia Mundial Sem Tabaco. A campanha, criada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), busca ser o viés individual na vida dos fumantes através da mobilização sobre os malefícios do tabagismo. Para muitos, a data ganha tons de comemoração. Para tantos outros, ela remete à batalha diária da luta contra o vício.

Dados oficiais da Secretaria de Saúde de Balneário Piçarras revelam que atualmente há 1.853 fumantes no município. Roberto Danker fazia parte desse número. “Parei de fumar há dois anos e meio”, comemora, após diversas outras tentativas. A vitória só veio após um susto. Um grande susto.

 “Eu enfartei e fui obrigado a parar de fumar. Desde que tive o enfarto nunca mais fumei”, recorda-se. Ele foi atendido emergencialmente no Pronto Atendimento e depois remetido ao Hospital de referência. Desde então, a vida mudou. “A vida tem outra qualidade, onde o apetite aumenta, o paladar fica mais apurado. Sem contar aquele cheiro nas mãos e na roupa”.

A reportagem também conversou com M.C.S. Ela pediu para não ser identificada. M ainda forma o quadro de fumantes piçarrenses. Ela trava uma batalha pessoal contra o vício – do qual conseguiu se manter livre por seis meses. “Tive um acidente de moto em agosto (2018) e já aproveitei, já que no hospital não podia fuma e o tabaco prejudicava na cicatrização”, contou.

Logo, problemas pessoais a fizeram retomar o vício – de forma mais ponderada. “Um pouco foi a perda do meu pai... logo ele que pediu pra eu parar de fumar. Fumar me acalma”, lamentou M. Mas, ela segue tentando. Balneário Piçarras, por exemplo, possui dois grupos gratuitos contra o tabagismo: Nas Unidades Básicas de Saúde do Itacolomi (10h, às sextas) e Centro (14h, às segundas).

A luta contra o vício, apesar de dura, remeterá a ganhos incalculáveis. O da vida, por exemplo. O médico da família, Virlei Primo Junior, pontua alguns dos problemas relacionados ao tabagismo. “Os maiores malefícios hoje são as doenças cardiorrespiratória e nesse contexto o infarto é a campeã entre pessoas na faixa dos 50 anos de idade, seguido do AVC, bronquite crônica, enfisema pulmonar e a pior de todas o câncer que pode se desenvolver em diversas partes do corpo.”

Segundo a Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (Dive), o tabagismo é a principal causa de morte evitável em todo o mundo, sendo responsável por 63% dos óbitos relacionados às doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), conforme dados da OMS. Destes, o tabagismo é responsável por 85% das mortes por doença pulmonar crônica (bronquite e enfisema), 30% por diversos tipos de câncer (pulmão, boca, laringe, faringe, esôfago, pâncreas, rim, bexiga, colo do útero, estômago e fígado), 25% por doença coronariana (angina e infarto) e 25% por doenças cerebrovasculares (acidente vascular cerebral – AVC). Além disso, o fumo é um fator importante de risco para o desenvolvimento de outras enfermidades, como tuberculose, infecções respiratórias, úlcera gastrintestinal, impotência sexual, infertilidade em mulheres e homens, osteoporose, catarata, entre outras (INCA, 2018).

Logo, Virlei ressalta que parar de fumar é a única maneira de reestabelecer a saúde. “Parando de fumar a saúde da pessoa se reestabelece e passa a ter uma vida mais saudável. Mas sempre é bom deixar claro que uma vez dependente do cigarro a pessoa passa a ser eternamente um dependente devido às condições neurológicas que o cigarro causa nos neurônios. Ter a cabeça no lugar, apoio familiar e de amigos e a consciência do mal que o cigarro causa ajuda e muito a pessoa a parar de fumar”, indicou.

Para a enfermeira da Gerência de Doenças e Agravos Crônicos (Gevra) da Dive, Adriana Elias, parar de fumar sempre vale a pena em qualquer momento da vida. “Mesmo que o fumante já esteja com alguma doença causada pelo cigarro, como câncer, enfisema ou derrame, é importante. Já foi comprovado que a qualidade de vida melhora muito ao parar de fumar”, afirma. Virlei endossa a recomendação. “É possível sim (parar de fumar), basta ter força de vontade e procura e ajuda profissional. Como eu disse a dependência pode não sair mas o vício sim e ter apoio da família, amigos e principalmente querer parar de fumar se torna possível sim sair desse vício”, encerrou.

Veja o que acontece ao parar de fumar:

- Após 20 minutos, a pressão sanguínea e a pulsação voltam ao normal;

- Após duas horas, não há mais nicotina circulando no sangue;

- Após oito horas, o nível de oxigênio no sangue se normaliza;

- Após 12 a 24 horas, os pulmões já funcionam melhor;

- Após dois dias, o olfato já percebe melhor os cheiros, e o paladar já degusta melhor a comida;

- Após três semanas, a respiração se torna mais fácil e a circulação melhora;

- Após um ano, o risco de morte por infarto do miocárdio é reduzido à metade;

- Após 10 anos, o risco de sofrer infarto será igual ao das pessoas que nunca fumaram.






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