Derenne recebeu a reportagem do Linha Popular na tarde do último domingo, dia 22, para falar de política e de gestão pública. Com larga experiência administrativa e defendendo sua ligação estreita com a cidade onde nasceu, o pré-candidato do PMDB expôs opiniões fortes e listou projetos para a cidade, caso seja eleito prefeito. Nesta entrevista, ele fala também de composição política, cenário eleitoral e da sua popularidade, sempre questionada pelos opositores políticos.
Linha Popular - Estamos aqui em um domingo à tarde, porque sua agenda é super disputada, com compromissos em vários lugares do Brasil. O senhor acha que isso pode prejudicar sua busca pela Prefeitura?
Hélio Derenne - Estou construindo uma casa em Camboriú e ela ainda não ficou pronta. Já fiz até notificação extrajudicial porque o cara não termina a casa e isso me gerou um problema sério. Estou morando na casa de parentes. Mas eu faço política a nível municipal, estadual e federal também. Nesta semana eu tenho compromissos em Florianópolis com lideranças estaduais do PMDB. E eu também tenho empresa, que me gera compromissos. Fui policial quase 40 anos ativo e tinha foco, por isso cheguei onde cheguei. Agora eu tenho foco na campanha em Camboriú. Essa minha agenda é intensa porque eu não sou um político profissional, eu sou um gestor público. Agora nós temos que fazer composições com os partidos para construir uma grande aliança, porque nós vamos enfrentar a reeleição da Luzia e a Prefeitura é a maior empresa de Camboriú. É exatamente para mudar isso que nós temos proposta. Queremos uma Prefeitura forte, mas com transparência administrativa. Hoje você não consegue saber quais os funcionários da Prefeitura e seus salários. Também estou esperando que outros partidos se manifestem. Essa aliança com os partidos é importante, mas a mais importante é a aliança com o povo. Quem conseguir fazer esta, será prefeito. Atualmente um grupo entra no poder e faz projeto para permanecer 20 anos. Eu não quero ser prefeito de grupo, quero ser prefeito da cidade. Não vou começar a fazer campanha política nos primeiros meses de governo.
LP - Noticiamos na semana passada a possibilidade de um frentão formado por partidos da oposição. O senhor acha que este é o caminho para fortalecer uma terceira via?
Derenne - Eu quero fazer um governo participativo, se for eleito. Mas seria amador da minha parte dizer agora que esse é o caminho. Precisamos consultar nossas bases eleitorais para sentir. Eu acho que essa aliança é importante, mas eu repito que a mais importante é a aliança com o povo. Infelizmente partido político no Brasil é complicado. Alguns são até de aluguel. O meu compromisso é com o meu partido, até porque sou militante há mais de 40 anos, mas o maior compromisso é com povo.
LP - No caso de uma aliança maior, o senhor estaria disposto a abrir mão da cabeça de chapa?
Derenne - Em política a coisa é muito dinâmica. Sou pré-candidato do PMDB e ainda haverá uma convenção do partido e eu só participarei da convenção se for candidato único. Pelo pacto que eu firmei, não vou participar de outra disputa interna. Tenho esse compromisso assinado moralmente. Se não houver disputa, eu poderei ser candidato, ou poderei apoiar alguém, mas os jornais não vão noticiar mais disputa interna no PMDB.
LP - O atual cenário eleitoral mostra uma polarização entre as campanhas de Edinho e Luzia. Ela tem a máquina administrativa, ele trabalha com a popularidade que mantém. Neste contexto, o senhor acha que o PMDB tem condições de concorrer sozinho nestas eleições?
Derenne - Sozinho não tem condições, tem que fazer a aliança com o povo e os outros partidos são muito importantes. Mas eu descobri que na política existem vaidades e isso é incontrolável. O futuro a Deus pertence.
LP - Qual a sua análise do cenário eleitoral atual?
Derenne - Vejo a Luzia com uma administração que tem feito algumas coisas, e o Edinho é extremamente popular. Mas quero focar mais no que eu pretendo fazer do que ficar julgando as pessoas. Até porque não sei o que acontece na Prefeitura hoje. A Prefeitura não é transparente. Isso é uma afirmação que eu faço.
LP - E quais serão as principais bandeiras da sua campanha?
Derenne - Transparência na Administração Pública, com utilização de um site que trará todas as informações sobre gastos. É o que diz a lei, que não está sendo cumprida hoje. Tenho também uma grande preocupação com o meio ambiente e fico triste de ver que na minha terra não tem um metro de esgoto. Temos que buscar recursos em Brasília, e eu sei como fazer isso. Precisamos de projetos técnicos e trânsito político. Projeto a gente contrata, e eu tenho trânsito político. Tem muito recursos para o meio ambiente lá. Outro problema aqui é trânsito. Temos que planejar o futuro porque vamos chegar a 100 mil habitantes muito em breve. Precisamos sair daqui e chegar a Balneário em cinco minutos com uma via rápida. Você vai dizer que eu sonho alto, mas eu vou buscar este recurso em Brasília. É difícil, mas dá para fazer. O turismo rural, da forma que está posto, não funciona. Mas se tivéssemos um barco vindo de Balneário, para integrar com um ônibus para nosso interior seria viável. Há investidores do turismo querendo fazer, mas os gestores públicos têm que despoluir o rio. A mobilidade urbana passa por tudo isso. Na educação quero investir de forma gradativa na educação integral. Temos hoje uma nova realidade. Os pais trabalham o dia todo e as crianças precisam ter onde ficar. Tem dinheiro no Governo Federal para isso também. Tenho sentido que os profissionais da educação estão desmotivados. E a nossa merenda escolar tem que melhorar também. O estado vai investir em educação, mas vai colher o resultado nos cidadãos formados. Essa é a verdadeira revolução. A saúde também não está bem. Não sou eu que estou dizendo, eu tenho ido à rua e tenho sentido isso. Falando em saúde, eu falo da Previdência Social. Aqui não temos um posto da Previdência. Como ficam nossos aposentados? Vamos criar aqui um prédio da Previdência. Eu já falei com o ministro Garibaldi Alves e só falta a Prefeitura dar o terreno. Isso vai gerar emprego na construção, funcionários da previdência morando aqui. A Prefeitura também tem que se empenhar para que as pessoas sejam atendidas de forma mais ágil no sistema de saúde. Na área da segurança pública, precisamos criar uma Guarda Municipal, mas ela sozinha não vai resolver. Temos que ter tecnologia à disposição. Vou criar uma Secretaria de Defesa Social. É caro, mas o Pronasci tem recurso, e eu vou buscar. Vamos dar segurança para a sociedade. A constituição diz que segurança é dever do estado e obrigação de todos. Então temos que nos envolver. Além disso, o nosso distrito industrial é muito mal localizado. Quero uma nova área para o distrito industrial mais perto das rodovias. Tem também a questão do IPTU, que tem que ter o cálculo refeito. Uma família de classe média mora há mais de 20 anos em uma casa e a Prefeitura avalia que vale X, mas a renda da pessoa não corresponde ao valor venal da casa. Na nossa administração vai ter um imposto social. Vamos ver o que é especulação imobiliária e dar outro tratamento. Como um aposentado vai pagar imposto com base no valor de venda? Tem que recadastrar os imóveis e rever os critérios de valorização. Eu firmo o compromisso de que o imposto será reduzido, se eu for eleito.
LP - Voltando à corrida eleitoral, o ex-prefeito Andrônico é uma figura importante no PMDB local e ele já declarou que não vai trabalhar para o senhor nesta eleição. Isso pode lhe prejudicar?
Derenne - Eu e Andrônico somos amigos há mais de 40 anos, e todos têm direito de errar. Eu já errei muito. Acho que ele está momentaneamente equivocado. Continuamos amigos e acho que antes de outubro ele vai voltar a ser amigo do Deca.
LP - E como está a conversa para que o PMDB de Balneário oficialize apoio a sua candidatura? O PDT também está buscando este apoio em Balneário.
Derenne - Sou amigo do Piriquito e acho que politicamente ele é muito inteligente. Não vejo ele apoiando outro candidato que não seja do PMDB. Poderia te adiantar mais coisa, mas por respeito ao Piriquito vou parar por aqui. Mas tudo indica que ele apoiará o PMDB em Camboriú.
LP - Por que o senhor quer ser Prefeito de Camboriú?
Derenne - Tenho muita fé em Deus. Ele me deu ferramentas para vencer várias etapas da vida. Eu acredito que Deus aprove o meu projeto. Eu quero ser prefeito porque eu fui gestor público muitos anos, com responsabilidades muito grandes. Eu estou credenciado. Tive todas as contas aprovadas durante minha gestão na Polícia Rodoviária Federal, nunca respondi nenhum processo administrativo e nunca respondi nenhuma improbidade administrativa. Eu acredito na honestidade e acho que posso contribuir com a minha cidade. Eu estou aposentado, com 61 anos, e tenho ainda muita coisa para somar com Camboriú. Esse trânsito político que eu tenho precisa ser usado para beneficiar Camboriú. Eu sempre fiz isso. Prova é ajuda que dei quando a Luzia foi buscar recursos para o Parque Linear. E fiz isso preocupado somente com a nossa cidade, sem pensar em partido político. É assim que eu acho que se faz política. Aqui em Camboriú se faz muita política com fígado, eu quero fazer política com o coração. Muita gente fala sobre a minha popularidade. Dizem que não sou tão popular quanto Luzia e Edinho. É verdade. Mas eu não sou político profissional. É a primeira vez que me lanço em uma campanha. E um motorista de caminhão daqui me disse uma vez: “Eu viajo para fora de Camboriú durante 25 anos, depois eu me aposento e quero ser candidato na cidade. Também vão dizer que eu não sou de Camboriú?”. Há muito interesse em divulgarem que eu não sou conhecido. O interessante é que em todo lugar que eu vou, encontro alguém que me conhece. Mas a gente tem que lembrar que Camboriú não tem mais 10 mil habitantes, antes todo mundo se conhecia, agora não é mais assim. Vou te contar que o maior período que fiquei sem vir em Camboriú foram os 10 meses que servi o Exército, eu sempre estive presente aqui. Eu tenho atividade econômica aqui, mas mais do que isso, eu tenho orgulho de ser daqui. Eu tenho várias ofertas de trabalho pelo Brasil, mas será que eu não posso contribuir um pouco com a minha cidade? Eu aprendi a ler no José Arantes, tenho um carinho grande por tudo isso. Se eu for prefeito, ou não, vou sempre seguir estas minhas bandeiras. Vou fazer tudo por agradecimento a esta cidade, às minhas professoras. Em respeito a elas e a todos os eleitores de Camboriú.