logo
Mergulho de cabeça
9/1/2012 11:11:05
Acidentes no mar, piscina e lagoas aumentam muito no verão. Confira alguns cuidados e como socorrer as vítimas
$alttext

Com a chegada do verão o índice de acidentes em águas rasas aumenta muito no Brasil. As causas são diversas, mas na maioria dos casos a pessoa “mergulha de cabeça” sem conhecer o local e a profundidade. Nos casos mais graves a vítima pode sofrer Traumatismo Raqui-Medular, um trauma na coluna que pode desligar totalmente as conexões de mensagens do cérebro para os membros, e a pessoa pode ficar paraplégica ou tetraplégica.

Episódios como este acontecem com muita frequência. Segundo dados do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas (Faculdade de Medicina da USP), o mergulho em água rasa é a 4ª causa de lesão medular no Brasil.

E em época de verão, o acidente ocupa a 2ª maior incidência do país. Os números preocupam especialistas porque a cada semana 10 pessoas ficam paraplégicas ou tetraplégicas ao bater a cabeça em mergulhos, incidência de 60,9% do total dos casos.

Para Marcelo Pero-cco, neurocirurgião especializado em coluna os cuidados começam na prevenção de acidentes: “Antes de mergulhar em um local desconhecido é recomendável verificar a profundidade, se adaptar ao local e dar a primeiro o mergulho em pé. Caso aconteça o acidente é muito importante que o socorro seja feito o mais rápido possível, caso contrário as chances de a vítima ficar tetraplégica são ainda maiores, o socorro rápido pode evitar quadros mais graves.” - alerta o especialista.

A coluna cervical é um dos órgãos mais vulneráveis do corpo humano e quando sofre um grande impacto há grandes chances de todo o corpo ficar paralisado. “Esse tipo de acidente é mais comum do que se imagina, às vezes uma brincadeira de verão pode trazer sequelas para toda vida.

Recentemente recebi o caso de um paciente que chegou ao hospital tetraplégico por ter bebido demais, numa brincadeira ele se jogou na piscina de casa de cabeça”. - conta o neurocirurgião.

Abaixo seguem alertas e recomendações de socorro do especialista Marcelo Perocco:

.Nunca mergulhar de cabeça em um local onde não se conheça a profundidade;

.Em locais rasos só mergulhar em pé;

.Ao socorrer uma vítima de mergulho em água rasa primeiro verifique se a pessoa está respirando;

.Imobilize com muito cuidado a cabeça/pescoço do acidentado, deixe-o com os braços para baixo e espere o socorro chegar;

.Os primeiros socorros devem ser realizados por uma pessoa que entenda da situação da vítima, ou então é mais seguro esperar o socorro chegar, é importante NUNCA levar a vítima para o hospital por meios próprios, se não for imobilizada de maneira correta o quadro do acidentado pode se agravar.

.O mais importante no socorro de uma vítima de acidente em água rasa é que ela seja socorrida o quanto antes, o tempo conta muito para que a vítima tenha mais chances de se recuperar. (Fococross Comunicação)

* DR. MARCELO PEROCCO LUIZ DA COSTA - Médico pela Faculdade de Medicina Unoeste e neurocirurgião pela Real e Benemérita Sociedade Portuguesa de Beneficência de São Paulo

 

É verdade que é perigoso deixar a criança nadar depois de comer?

Não é verdade que brincar na piscina ou entrar no mar depois de comer cause a chamada “congestão”. Afogamentos são a segunda causa de morte acidental de crianças de 1 a 14 anos no Brasil, mas esse tipo de acidente não está ligado ao fato de a pessoa ter ou não se alimentado logo antes de entrar na água.

É até possível imaginar que a criança vá sentir dor de barriga ou enjoo se for nadar depois de comer muito. Mas, em princípio, o mal-estar não provoca desmaio.
É provável que o mito te-nha surgido na praia, com o afogamento de adultos que comiam e bebiam muito (especialmente álcool) e depois entravam no mar sem os cuidados de segurança.

Especialistas recomendam que, após uma refeição completa, a criança descanse cerca de meia hora antes de iniciar uma atividade física muito intensa -- e qualquer brincadeira na água costuma ser bem intensa. O mesmo vale para adultos e para atividades fora d’água. O objetivo é evitar um eventual mal-estar, mas que não seria suficiente para causar um afogamento.

Depois que comemos, os vasos sanguíneos de todo o sistema digestório dilatam, para que ocorra o processo de digestão e absorção dos nutrientes da comida. É por isso que ficamos sonolentos depois de comer bastante. Só que essa dilatação não chega a ser suficiente para “tirar o oxigênio do cérebro” e provocar um desmaio em plena água.

O mais importante para evitar afogamentos é estar sempre por perto e de olho na criança enquanto ela brinca na água, mesmo que seja numa piscininha bem rasa. Uma criança pequena pode se afogar em menos de um minuto.

Caso seu filho faça aula de natação, é melhor dar um intervalo de pelo menos uma hora entre a comida e a atividade.

E, a propósito, tomar banho logo depois de co-mer também não representa nenhum perigo, a não ser de uma grande sujeira no caso de bebês pequenininhos.

PORÉM...

No final das contas, o filho é seu e quem manda é você. Se você acha que não é para entrar na água, então não é para entrar na água e ponto final. E você ainda aproveita para fugir de discussões com certos parentes tradicionalistas, que acham um absurdo “deixar a pobre criança entrar na água de barriga cheia”. 

Ver comentários
Escrever comentários
104 107 ,9