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Nelson Dellagiustina

Dia da Independência: 7 de setembro (Séte de setémbre)

Por Nelson Dellagiustina

Quando os primeiros imigrantes chegaram a Rodeio em 1875, deixando sua pátria, demonstraram muito entusiasmo e amor pela nova terra que os acolheu: o Brasil. Com o passar dos anos e a chegada dos franciscanos em 1892, ainda mais cresceu o ardor e o respeito pela nova Pátria, aprendidos nas escolas paroquiais. Mesmo guardando seus costumes e cultura trazidos da Itália, foram lhes transmitidos acatar as autoridades aqui constituídas, comemorar datas cívicas brasileiras e uma profunda reverência ao maior símbolo nacional: a bandeira. Conta a história, que o dia 7 de setembro já era comemorado pela população e pelas escolas de Rodeio desde 1896, com missa solene, representações, poesias e jogos diversos. Em 1922, no centenário da Independência, houve grandes e memoráveis festejos, com a participação das escolas dos bairros e do povo em geral. A concentração foi na praça da Matriz, com hasteamento da bandeira e a participação de 400 crianças, tocando a banda de Rodeio o Hino Nacional. Falou o Pe. Frei Abelardo sobre o significado de tão importante data. Cantou-se o Hino à Bandeira e em seguida missa solene na Igreja. As crianças almoçaram no Convento. Mais homenagens cívicas foram realizadas à tarde. Neste dia foi também inaugurado o monumento comemorativo na praça da Matriz e de noite inaugurou-se a iluminação pública. Consta, porém, que não houve desfiles cívicos pelas ruas. Com a fundação do Grupo Escolar Osvaldo Cruz, em junho de 1942, grandes desfiles passaram a ser realizados nas ruas, com fanfarra, bandeiras e pelotões de crianças, palanque com autoridades e hasteamento das bandeiras em frente à Prefeitura. Essa data era aguardada com muita ansiedade pelo povo e pelos alunos da escola. Nos anos iniciais não participavam escolas dos bairros. Cada escola realizava o seu desfile na própria localidade. Havia ensaios desde junho na escola e nas ruas da cidade, com muita disciplina e espírito cívico dos alunos. No dia do desfile, as crianças se reuniam no pátio da escola, ganhavam um lanche, cuca e capilé, antes de sair para o desfile. Impecavelmente uniformizados, com muito orgulho, crianças formando pelotões de meninos e meninas saindo para as ruas com muito garbo e estufando o peito em homenagem à Pátria. Em frente à Prefeitura a grande concentração para entoar os hinos cívicos, poesias e discurso do Prefeito. À tarde nas dependências do Osvaldo Cruz, atividades esportivas com corrida de saco (sáck de ruf), onde os alunos iam dentro e começavam a correr. Quem chegava primeiro ganhava um prêmio. A corrida do ovo (ôf em del cutchár) na colher, não podia deixar cair o ovo. Corrida em dupla com cintos amarrados nas pernas, um à esquerda e outro à direita, abraçados deviam correr juntos e quem chegasse antes ganhava. Corrida de estafetas, quebra pote e outros jogos. Não podemos esquecer das grandes evoluções e pirâmides humanas dirigidas pela excelente, incansável, saudosa e competente professora de Educação Física Luigia Margherita Vota Ferrari, que abrilhantava o Dia da Independência com muita disciplina, rigor, amor e respeito aos símbolos nacionais. Nesta época existia civismo e tinham que saber de cor a letra e cantar os hinos cívicos. E isso acontecia ano após ano, com muita preparação para este dia memorável da Pátria. Anos mais tarde, escolas dos bairros também começaram a desfilar no centro de Rodeio. Saudades dessa época. Béi tempi!!!





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