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Nelson Dellagiustina

O ônibus da família Depiné (La linha dei Depinêdi)

Em 1951, como não havia transporte rodoviário coletivo de Rodeio para Timbó, Indaial e Blumenau, as pessoas que necessitavam se deslocar a tais lugares, precisavam pegar o trem (tchapár el trém) na estação de Ascurra e serem obrigados a atravessar de balsa o Rio Itajaí, o que não era tarefa fácil. Foi então que a Família de Germano Depiné, por iniciativa dos filhos Ângelo, José, Hilário e Joaquim, apoiados financeiramente (dárgue sóldi) e moralmente (fárgue corágio) pelo pai Germano, resolveram comprar um ônibus para fazer a linha até Blumenau. Como dispusessem de apenas um ônibus pegaram como reserva o micro-ônibus (linhóta) do Correio, em caso de emergência, pertencente a Arnaldo Fiamoncini, que era um Chevrolet 350 de cor azul. Este micro-ônibus levava passageiros até a estação férrea de Ascurra. O primeiro ônibus (la prima linha) dos Depiné era um micro-ônibus, marca International, com capacidade para 18 passageiros, comprado no Breitkopf em Blumenau, sendo motorista Hilário Depiné. Com a saída do Hilário, que foi morar em Massaranduba, outros motoristas foram contratados, sendo um deles Arnoldo Uller. Os outros irmãos ajudavam (aiutêa) como condutores. Mais tarde compraram um segundo ônibus da marca FARGO com carroceria feita em Brusque. A empresa teve o nome de "Coletivo Rodeiense" e as cores eram o amarelo e verde. Transportava 32 passageiros, mas chegava a colocar até 50 passageiros. Fazia uma viagem por dia (em viás al di) saindo de Ascurra, às 6h30min, retornando às 17h30min. Muitos iam fazer compras (ei nea proveder) em Blumenau e levavam produtos para vender, como: ovos, galinhas, queijo, banha (smólz), porquinhos, nata (pana), manteiga (botêr) etc. Tudo isso era colocado nos bagageiros do ônibus que havia embaixo ou na parte do bagageiro em cima do ônibus. Atrás do ônibus (dedrio de la linha) havia uma escada de ferro para subir. Até alguns passageiros ficavam sentados no bagageiro em cima e, muitas vezes, o cobrador ficava nos degraus da escada. O cobrador portava a tiracolo uma pequena bolsa de couro (bôlga) onde guardava o dinheiro das passagens. O ônibus voltava de Blumenau muito carregado com encomendas (cargá) e produtos comprados pelos passageiros, como: roupas (róbe de le feste e del di de didópra), rádios, utensílios de cozinha, couros, pequenas máquinas, produtos alimentícios etc. Realizavam também fretamento para pessoas, nos fins de semana, para ver o mar, o jardim zoológico de Pomerode, jogos de futebol (el zôk de la bola) e outros locais. Devido à concorrência de outras empresas que entraram no ramo de transportes a empresa encerrou suas atividades no início dos anos 1960, pois causava prejuízos. Naquele tempo, tudo era trabalho e alegria. As pessoas se divertiam muito dentro desses ônibus. (ei ne fea una per sort). Bei tempi!!!





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