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PROCESSOS DE ENSINO E APRENDIZAGEM À LUZ DAS ABORDAGENS SOCIONTERACIONISTAS

11 Fevereiro 2018 16:12:27

Pós-Doutor pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); Especialista em Gestão Educacional, em Psicopedagogia e em Supervisão, Orientação e Administração Escolar; Reitor da Universidade Alto Vale do Rio do Peixe (UNIARP); Advogado (OAB/SC nº 4912), Administrador (CRA/SC nº 21.651) e Jornalista (MTE/SC nº 4155).

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Adelcio Machado dos Santos 1

A abrangente compreensão dos processos de ensino e aprendizagem demandam análise das abordagens sociointeracionistas a respeito da matéria.

Em última análise, tais abordagens suplantam a dicotomia internalismo “versus” externalismo, ou racionalismo “versus” empirismo, que colocaram em posições antípodas pensadores relevantes, tais como, à guisa de exemplo, Platão e Aristóteles e Descartes e Locke.

Ao invés de entender a aprendizagem como apenas oriunda de impulsos psíquicos, sem o concurso ambiental, ou, pelo inverso, sem impulsos internos e sim condicionada pela ambiência, as abordagens em foco se assemelham, posto que exibam peculiaridades, ao vislumbrar na interação psíquico/ambiental a chave para compreensão do fenômeno. Em suma, na interação endógeno/exógeno se configura o aprendizado.

Entre os pesquisadores de tal corrente epistemológica avultam Wallon, Vygotsky, Lurian e Leontiev. Reiter-se que as visões não são, “in verbis”, iguais; todavia, isto sim, compartilham a relevância outorgada à interação psiquismo-exterior no processamento do aprendizado.

No entanto, a compreensão adequada da obra de tais pesquisadores demanda, previamente, colimar a principiologia do Materialismo Histórico Dialético, codificado por Marx, porquanto este paradigma fulcra a abordagem em foco. Aliás, estes pesquisadores chegaram a militar nesta doutrina, tal como Wallon.

Ente outros postulados, o Materialismo Histórico Dialético ressalta a relevância da infra-estrutura material na formação da esfera ideológica (super-estrutura). Em outros termos, não é que se pensa que instaura a visão ideológica, mas, pelo inverso, a conjuntura material condicional o pensamento. Outro postulado consiste na luta de classes, ou seja, da posição de grupos em relação aos meios de produção geral conflito de interesse de tal ordem que configura contenda entre as classes, desde a criação da propriedade privada, até a conjuntura em curso, em que proletários, despojados dos meios de produção, digladiam-se com a burguesia e suas frações (burguesia industrial, financeira, agrária), detentora exclusivamente dos aludidos meios de produção (terra, indústrias, organizações financeiras e prestadoras de serviços).

Nunca se constitui em exagero ressaltar o contributo do Materialismo Histórico e Dialético no substrato nas abordagens interacionistas da aprendizagem. Trata-se do fundamento a deslevar a gênese da relevância do social, ao inverso do que se apresenta, à guisa de exemplo, na Epistemologia Genética, da lavra de Piaget, que tanto prezava a dimensão biológica.

De outro vértice, também não redunda frisar que se tratam de abordagens com o mesmo fulcro, entretanto não iguais, porquanto se assemelham ao mar, que, malgrado exibir aparente homogeneidade, hospeda correntes próprias, logo discerníveis a olhar percuciente.

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[1] Pós-Doutor pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); Especialista em Gestão Educacional, em Psicopedagogia e em Supervisão, Orientação e Administração Escolar; Reitor da Universidade Alto Vale do Rio do Peixe (UNIARP); Advogado (OAB/SC nº 4912), Administrador (CRA/SC nº 21.651) e Jornalista (MTE/SC nº 4155).

 

 

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