ESPECIAL

SUPERDOTAÇÃO / ALTAS HABILIDADES

15 Maio 2016 16:56:38

Canoinhas é uma das Regionais a discutir o assunto em seminário

Paulo R Ferreira
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Foto: Reprodução/Internet
ILUSTRAÇÃO

Canoinhas e região estão recebeu durante essa semana o primeiro Seminário para debater e apresentar um tema pouco discutido na classe educacional: A Superdotação.  A partir deste ano, o polo regional do Serviço de Atendimento Educacional Especializado (Saede) de Altas Habilidades/Superdotação irá promover o treinamento de educadores para o tema.

Para isso, a equipe da Fundação Catarinense de Educação Especial (FCEE) em conjunto com a Agência de Desenvolvimento Regional (ADR) de Canoinhas, através da Gerência de Educação, realizou durante todo dia desta quarta-feira, 11, o 1° Seminário Regional de Altas Habilidades/ Superdotação, com grande participação de diretores, professores e representantes de órgãos educacionais de toda região. O encontro foi realizado no Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) Campus Canoinhas.

O Seminário foi conduzido pelas palestrantes da FCEE, a coordenadora do Núcleo de Atividades de Altas Habilidades/ Superdotação (NAHS), Andréa Rosélia Alves Panchiniak; psicóloga do NAHS, Gabriela Dietrich; e a professora da oficina de lógica e matemática do NAHS, Ananda Burin.

A presidente da FCEE, Rosemeri Bartuchiski, explicou em sua fala que as pessoas com altas habilidades, superdotação, assim como as com deficiência, são resguardadas por leis, e devem receber atendimento educacional especializado, visando seu plano desenvolvimento.

Rosemeri destacou que “é muito importante que as escolas estejam preparadas e consigam detectar a potencialidade de cada criança. Ela pode não ser muito boa numa determinada matéria, mas pode ser excelente em outra. E o nosso trabalho vem ao encontro dessas necessidades dos professores, de descobrir, conhecer esses alunos dentro da sala de aula”, destacou.

Secretário executivo regional em sua fala também frisou que a região de Canoinhas foi escolhida entre outras cinco no Estado para esse trabalho tão especial e necessário dentro das escolas. “Precisamos saber como descobrir os talentos que estão muitas vezes escondidos dentro da sala de aula. Como professor há mais de 35 anos na rede pública estadual, sei da importância de incentivar e orientar o melhor caminho, e o Governo do Estado e equipe da FCEE estão de parabéns por essa atitude corajosa, que irá mudar para melhor a vida de muitas crianças e adolescentes de nosso estado”, finalizou.

A ideia é transformar o olhar da educação pública para os alunos que possuem Altas Habilidades. O local escolhido para o atendimento do serviço na região será no espaço da Escola de Ensino Fundamental (EEF) Sagrado Coração de Jesus. Nesta primeira etapa o Governo pretende ajudar os educadores na preparação para reconhecer os alunos com habilidades especiais. Nas próximas etapas do projeto inicia a proposição de ideias para melhorar o acesso desses alunos a atividades condizentes com suas capacidades.

O QUE É SUPERDOTAÇÃO?

Superdotação Intelectual é caracterizada pelo desenvolvimento de uma habilidade significativamente superior a da média da população em alguma das áreas do conhecimento, podendo se destacar em atividades como: acadêmicas, criativas, de liderança, artísticas, psicomotoras ou de motivação. O sujeito da Superdotação é conhecido como superdotado, talentoso ou portador de altas habilidades. Existem ainda outras caracterizações, como precocidade, prodígio e genialidade, estas últimas são mais raras.

Muitas vezes, por falta de conhecimento ao tema, alunos que apresentam essas características são vistos como problemáticos ou com transtornos de atenção. Isso normamente ocorre porque é comum que o aluno Superdotado encerre suas atividades ou chegue a compreensão do tema antes de seus colegas em sala de aula, o que faz com que o mesmo fique com tempo ocioso, o que abre espaço para que ele venha de fato a atrapalhar os colegas que ainda não dominam o assunto.

O déficit de identificação desses alunos em Santa Catarina é preocupante. No senso interno do sistema educacional de 2015, apenas 314 alunos foram detectados com Superdotação, quando as estatísticas apontam para que na rede estadual deva existir aproximadamente 50 mil alunos com algum tipo de alta habilidade.

É importante ressaltar que possuir uma habilidade bem desenvolvida, não significa, especificamente, ser bom em tudo o que faz. A pessoa com superdotação em matemática, por exemplo, pode vir a enfrentar dificuldades de aprendizado com palavras e textos, por exemplo.

A superdotação ainda é um assunto novo para a classe educacional.  Para o diretor de Ensino, Pesquisa e Extensão da Fundação Catarinense de Educação Especial – FCEE, Pedro de Souza, “esse é um assunto que precisa de estudo, precisa de pesquisa, precisa consciência sobre a inclusão” comenta.

Em sua passagem por Canoinhas ele relembrou que a falta de informação sobre o assunto faz com que o professor identifique o superdotado como um problema porque “fala na hora errada, quando o professor está explicando um conceito simples ele já conseguiu assimilar e tem uma pergunta muito adiante do que a complexidade daquele assunto permite e o professor acaba por não gostar” ressalta.

Souza também comenta que oportunizar uma aprendizagem diferenciada para os Superdotados é responsabilidade do Estado, dos Educadores e da Própria Sociedade com garantia do direito previsto na constituição de 1988. Por isso ele destaca o trabalho da FCEE afirmando que “a educação de Santa Catarina ganha uma qualidade a mais por ter um setor que vai fazer que a nossa inclusão social aumente”.

Ao lembrar do sistema educacional Norte Americano, o que se vislumbra no estado é oportunizar as atividades que auxiliem ainda mais no desenvolvimento dos alunos com Superdotação. Segundo o professor Souza “Santa Catarina tem decisões pioneiras em muitas áreas e que além da base educacional comum está desenvolvendo bases com metodologias diferenciadas” esclarece.

A visão é compartilhada pela presidente da FCEE, Rosemeri Bartuchiski, que em entrevista apontou para uma nova interpretação do sistema de educação catarinense: “o que é importante, é sabermos que cada um aprende de uma maneira diferente e que toda escola, todo corpo técnico dessa escola tem que olhar para cada criança com uma certa individualidade” finaliza.



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