CAIXA PRETA

Michel Temer dá primeiros passos na Economia com Tutela Henrique Meirelles

22 Maio 2016 09:32:54

Notícia foi recebida com respeito pelo mercado, mas ainda não foi suficiente para reestabelecer a confiança no Brasil

Paulo R Ferreira com Agências
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Foto: LULA MARQUES
Presidente Temer

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, anunciou na terça-feira, 17, os principais nomes da equipe econômica do governo Michel Temer. A notícia foi recebida com muito respeito pelo mercado, mas ainda não foi suficiente para reestabelecer a confiança do investidor que deseja ver agora se essa equipe, conseguirá ou não avançar as pautas necessárias.

Ilan Goldfajn, economista-chefe do grupo Itaú Unibanco, será o presidente do Banco Central. Para tomar posse, porém, Goldfajn ainda tem de ser sabatinado pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado e ter seu nome aprovado nesse colegiado e, em seguida, no plenário – assim como os diretores que forem por ele indicados.

Goldfajn, além de ser sócio do Itaú Unibanco, foi diretor de Política Econômica do Banco Central entre 2000 e 2003, quando trabalhou com Armínio Fraga e, depois, Henrique Meirelles. Entre 1996 e 1999. Trabalhou também no Fundo Monetário Internacional (FMI).

A trinca econômica de Temer ainda tem o senador Romero Jucá no Ministério do Planejamento, completando o trio com Meirelles e Goldfajn. Jucá estipulou como um dos primeiros desafios a ser enfrentados pelo novo governo no Legislativo deve ser a aprovação de um projeto que altera a meta fiscal para este ano.

Meirelles avalia que a retomada de confiança do novo governo será gradual. Para ele, o nível de tributação brasileira é elevado e precisa ser rapidamente enfrentado, mas a prioridade é o equilíbrio das contas públicas e a retomada do crescimento com criação de emprego.

Secretaria da Previdência

A Secretaria de Previdência do Ministério da Fazenda será ocupada por Marcelo Caetano, que já trabalhou no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). Ele irá tocar a reforma da Previdência que, no prazo de 30 dias, deverá ser enviada ao Congresso Nacional. Caetano é economista formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Secretaria de Acompanhamento Econômico

Mansueto Facundo de Almeida Júnior será o novo secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda. É formado em Economia pela Universidade Federal do Ceará e mestre em Economia pela Universidade de São Paulo (USP). Cursou Doutorado em Políticas Públicas no MIT, Cambridge, nos Estados Unidos, mas não defendeu a tese. É funcionário licenciado do Banco Central.

Secretaria de Política Econômica

A Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda será ocupada por Carlos Hamilton e Jorge Rachid foi mantido na Secretaria da Receita Federal. Meirelles disse que Rachid “é um profissional de alta qualidade e de grande respeito”. Otávio Ladeira ficará na Secretaria do Tesouro Nacional

BNDES

A economista Maria Silvia Bastos Marques será a nova presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Ela será a primeira mulher a chefiar a instituição, que tem, entre as atribuições, o financiamento de grandes obras e projetos no país. Ex-presidente da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), ex-secretária de Finanças da Prefeitura do Rio de Janeiro e ex-diretora do próprio BNDES. Ela assumirá no lugar de Luciano Coutinho, que ocupava o cargo desde 2007, indicado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Remédio Amargo

                Ambos integrantes da pasta econômica já foram alertados das dificuldades que estão por vir. Michel Temer estabeleceu um plano de contenção de gastos e redução da dívida pública colocando os novos indicados para analisar e ampliar o contingenciamento dos custos.

                Vários Economistas apontam para medidas bem duras para cobrir as pedaladas fiscais. Essas medidas que têm sido definidas como “remédio amargo”. É consenso entre investidores, consultores e economistas liberais que se as medidas forem “fracas demais” há uma possibilidade de piora da crise.

O novo governo terá um limite restrito de atuação, uma vez que as prováveis medidas para as contas públicas – como a Desvinculação de Receitas da União (DRU), que dá mais liberdade para gastar recursos do orçamento, além de eventuais aumentos de impostos ou uma reforma da Previdência Social – precisarão de grande consenso na Câmara dos Deputados.

O rombo das contas públicas neste ano, segundo cenários da nova equipe econômica, pode superar os R$ 150 bilhões, valor muito acima do que o estimado pelo governo Dilma Rousseff. Inicialmente, a equipe do presidente interino Michel Temer trabalhava com a informação de que o deficit primário (despesas menos receitas, descontados os juros) de 2016 iria ficar acima dos R$ 120 bilhões.



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