ELEIÇÕES 2016

Gestão é Fundamental II

22 Agosto 2016 14:19:46

Coluna Política em Rede dos Jornais Ótimo e Diário do Planalto

Paulo R Ferreira
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Foto: Reprodução/Internet
ELEIÇÕES

DEVIDO A REPERCUSSÃO DO TEXTO PUBLICADO NA SEMANA PASSADA, VALE RECORDAR UMA FRASE DE GEORGE ORWELL, ENSAÍSTA POLÍTICO BRITÂNICO NASCIDO EM 1903. ISSO MESMO, 1903:

“Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade”.

Gestão é Fundamental II

Antes de adentrar ao assunto é bom deixar claro que escrever sobre gestão não tem a ver com proteger candidato “A”, “B” ou “C” – apesar das lideranças de Canoinhas e Três Barras terem insistido em dualismos neste pleito -. Escrever sobre GESTÃO tem a ver com a qualidade de vida da população e com a OBRIGAÇÃO de os eleitos, sejam eles quem forem, ADMINISTRAR os MUNICÍPIOS com RESPONSABILIDADE nos próximos quatro anos. Agora, voltemos nossos olhos a Três Barras como havia prometido na semana anterior. O Município tem quase 20 mil habitantes, pequeno do ponto de vista populacional e gigante do ponto de vista econômico. Talvez seja o mais industrializado da região com uma arrecadação de encher os olhos de qualquer prefeito. Infelizmente, no entanto, a cidade ainda padece pagando a conta de GESTÕES equivocadas ao longo do tempo. Se por um lado se constrói muito, se operacionaliza pouco e cada Prefeito que passou pelo município contribui com isso. A máquina pública é pesada, mesmo pagando pouco aos professores, profissionais da saúde e serviços básicos do município. Poucos ganham muito, muitos ganham pouco. A malha viária pavimentada era quase que inexistente há alguns anos. Buracos se espalham por todas as partes. As calçadas não existem fora do centro. A cidade não tem lixeiras. Sofre com enchentes e enxurradas. O terminal rodoviário mais parece um cenário de filme de terror do que um embarque de passageiros. Some a isso as ocupações dos moradores “sem terra” ou “sem teto”, como preferir. Ainda existem os elefantes brancos e também os bolsões de pobreza entre tantas outras mazelas que encheriam uma página deste jornal, ou mais. Três Barras não é nem de longe um exemplo de como aplicar com eficiência e eficácia o recurso público. As gestões não dão conta. Culpa de quem, do Prefeito Elói Quege? NÃO. A culpa é do Shimoguiri então? Também não. A culpa disso tudo soma-se ao longo do tempo e de toda uma estrutura polico-administrativa que parece não conseguir resolver os problemas que a cidade encontra. Talvez falte Gestão e um pouquinho de bom senso. Politicamente a cidade vai escolher sobre dois modelos velhos de gestão. Ultrapassados talvez. O jeito Shimoguiri todos já conhecem. Rígido, tem na cobrança por efetividade do funcionalismo o seu trunfo. Alguns o definem como “Mão de ferro”. Costuma ter um grande apreço pela área social e é extremamente atuante nas áreas mais pobres. Diga-se de passagem, nunca foi um grande líder na geração de empregos para retirar as pessoas da situação de vulnerabilidade. Gosta de construir coisas grandes e coloridas. É caprichoso com o que já está de pé, costuma manter bem as estruturas públicas. Do outro lado, apresenta-se com cara de renovação – e também não é – o modelo do Partido Progressista encabeçado por Emílio Gazaniga. Como o PP foi escola para Luiz Shimoguiri, o que se faz não foge muito da lógica do antecessor e agora candidato opositor. Gazaniga, no entanto, deve trabalhar pela continuidade de Quege. E aqui entra um conceito de Gestão Pública muito importante: O Urbanismo. Quege foi o primeiro prefeito de Três Barras a olhar para o município como um espaço de vivência social. Construiu alguns quilômetros de asfalto. Reurbanizou o centro. Construiu alguns postos de saúde e áreas esportivas. Deu cara nova ao hospital e apostou na tentativa de aumento da qualidade de vida. Em sua gestão estimulou o brio tresbarrense e deu importantes passos no setor cultural. Pecou, no entanto, na manutenção básica. As obras de Elói se arrastam por tempos. Há muita coisa que ainda não foi concluída. E talvez o pior de seus pesadelos seja a Avenida Rigesa. Gazaniga promete planejar o município, mas, me parece um discurso vazio quando olho para os dois modelos de gestão e percebo que a conta nunca fecha. É sempre 8 ou 80. Nunca se faz o outro sem deixar um desassistido. Três Barras tem um problema estrutural. O que se tem não é suficiente. Ainda falta gestão e ela é fundamental. Infelizmente para este pleito deveríamos estar escolhendo alguém bom de diagnóstico e resolução. Infelizmente, parece que apenas vamos jogar a poeira pra debaixo do tapete e continuaremos andando com os sapatos sujos pela sala.

Renovação:

Ambos os candidatos majoritários acreditam que a renovação está nos seus vices, ambos, mais novos que os candidatos a prefeito.

Município Ecológico:

Dos 104 candidatos a vereador homologados até agora no município, 9 são de partidos relacionados a Meio Ambiente e Ecologia.

10%

Alguns empresários afirmam que já tem candidato cobrando dízimo por serviço contratado.

Não entendi:

O Arco-Íris no material de propaganda de Shimoguiri e Nagano. Será referência a uma cidade mais colorida ou a um pote de ouro no final do pleito?

Não entendi também:

O desenho de uma tomada no material de Gazaniga e Joel. É referência para desligar o município ou vão retirar a concessão de energia da CELESC para criar uma nova autarquia municipal?

Pra encerrar:

Mais um trecho de um escrito de Orwell: “Lembrem-se, camaradas, não deve haver mudança em nossos planos: serão cumpridos a risca. Pra frente, camaradas! Viva o moinho de vento! Viva a granja dos bichos”. George Orwell – A Revolução dos Bichos, 1945. Reino Unido.

Abraços e até a próxima semana.

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