POLÍTICA

Raimundo Colombo é citado em documentos apreendidos pela Polícia Federal

28 Março 2016 08:11:41

Outros catarinenses também

Paulo R Ferreira
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Foto: ASCOM/SC
Governador de Santa Catarina Raimundo Colombo

Documentos apreendidos pela Polícia Federal listam possíveis repasses da Odebrecht para mais de 200 políticos de 18 partidos políticos. É o mais completo acervo do que pode ser a contabilidade paralela descoberta e revelada pela força-tarefa da Operação Lava Jato, na ultima terça-feira, 22.

Na lista são citados os seguintes políticos catarinenses: Raimundo Colombo, Cesar Souza Jr., Antonio Ceron, Carlito Merss, Jaison Cardoso e Roberto Carlos de Sousa.

Já na tarde de quarta-feira, 23, a assessoria de comunicação do Governo do Estado de Santa Catarina divulgou nota na qual a Odebrecht não executa nenhuma obra pública no estado e que pontos da lista divulgada não estão muito claros. O Juiz Sérgio Moro decretou sigilo sobre a planilha.

Confira nota na Íntegra:

“O Governo do Estado esclarece que, com relação às recentes divulgações de supostos recursos repassados para Santa Catarina pela empresa Odebrecht, alguns pontos precisam ficar claros.

1. A empresa Odebrecht não tem em Santa Catarina nenhum contrato, não executa nenhuma obra pública ou realiza qualquer serviço do Governo do Estado, tampouco não tem, desde 2011, período do atual governo, nada que justificasse a transferência desses recursos.

2. Os valores e a forma da suposta transferência são ainda fruto de divulgação fracionada que carecem de fundamentação, o que será aguardado pela autoridade pública estadual para posicionamento definitivo sobre quem possa ter dado causa a esses fatos, se verdadeiros.

3. Por fim, o governador Raimundo Colombo não reconhece qualquer relação com a empresa Odebrecht, tampouco conhecimento sobre qualquer transferência de valores a Santa Catarina, que não tenham sido fruto de doação direta e oficial ou através do partido nacional”.

O Governo do Estado apoia todas as investigações e vai colaborar com tudo o que estiver ao seu alcance para que o Brasil supere este momento crítico de sua história”.​

Governador Já Havia Sido Citado

O governador de Santa Catarina foi citado na delação premiada do senador Delcídio do Amaral (afastado do PT) na Operação Lava Jato, divulgada no dia 15 de março. Também foram citados representantes do judiciário catarinense Nelson Schaefer, então presidente, em 2015, do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), e Newton Trisotto, então ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Atualmente, ambos atuam como desembargadores no TJSC.

Quando cita o governador, Delcídio relata tentativas em 2015 do então ministro da Justiça José Eduardo Cardozo (PT) de “tentar promover a soltura de réus presos” na Operação Lava Jato. Segundo a delação, "A ideia era indicar para uma das vagas do STJ o presidente do TJ/SC, Dr. NELSON SCHAEFER".

"Em contrapartida, o ministro convocado, o Dr. Trisotto, votaria pela libertação dos Acusados MARCELO ODEBRECHT e OTÁVIO MARQUES DE AZEVEDO (ANDRADE GUTIERREZ). A investida foi em vão porque o Desembargador convocado Trisotto se negou a assumir tal responsabilidade espúria. Mais um fracasso de JOSÉ EDUARDO CARDOZO em conseguir uma nomeação”, conforme a delação.

                Em outro trecho do documento se explica melhor o esquema. "A ideia era ver se TRISOTTO 'aliviava na mão' e, em troca, Santa Catarina 'ganharia' um novo Ministro do STJ". Outra parte da delação relata que "CARDOZO achava que COLOMBO iria convencer TRISOTTO a participar da 'estratégia'".

Em nota divulgada ainda no dia 15, Raimundo Colombo afirmou que Cardozo "nunca pediu para que intermediasse ou fizesse qualquer contato com o Judiciário".

Segundo reportagem publicada pelo G1, o portal procurou os gabinetes de Schaefer e Trisotto no TJSC, mas não obteve posicionamento de nenhum dos dois até a publicação.

Na época, Colombo minimizou as acusações feitas contra ele. Segundo nota divulgada pela assessoria de comunicação, o governador catarinense afirma que não participou de atos ilícitos. A imprensa catarinense também deu pouca atenção ao caso. Aliado declarado de Dilma Rousseff, Colombo segue as negociações para tentar reduzir a dívida do estado.

Os principais jornais do estado produziram pequenas notas sobre o caso. Os jornais do interior também não acabaram por dar destaque a matéria. Na internet os registros estão feitos nos portais da internet G1 Santa Catarina, mantido pelo Grupo RBS e também em alguns portais regionais.

GOVERNADOR ASSINA CARTA DE APOIO A DILMA

Chamada de Carta pela Legalidade, o texto diz que "o processo de impeachment (...) carece desta fundamentação. Não está configurado qualquer ato da presidente da República que possa ser tipificado como crime de responsabilidade".

Raimundo Colombo e mais governadores assinaram o documento de apoio a questão. Eles participaram de uma reunião com a presidente para tratar do tema impeachment, antes de um encontro que reuniu todos os governadores estaduais e debateu o enfrentamento do zika vírus. Colombo não falou com a imprensa na saída do Planalto.

DÍVIDA DE SANTA CATARINA

                O Governo do Estado continua trabalhando na elucidação da proposta para o aumento do prazo para que os estados brasileiros mantenham a dívidas, mas, recebam mais tempo para quitar a dívida. A proposta foi feita pelo Governo Federal e é vista por alguns analistas como uma negociata em troca do apoio político para manutenção de Dilma Rousseff no poder.

O assunto é tratado constantemente pelo governador. A renegociação da dívida pública do Estado foi novamente o tema da entrevista semanal do governador Raimundo Colombo. Sobre a proposta para o pagamento da dívida com a União, Colombo adiantou que os estados estão perto de um acordo. O novo modelo consiste na mudança do indexador, que sai do IGPDI+6% para IPCA+4%, o alongamento da dívida por 20 anos e um desconto de 40% no valor da parcela por dois anos. Na prática, em vez de R$ 90 milhões, Santa Catarina passaria a pagar, por mês, cerca de R$ 30 milhões, ao longo dos próximos 24 meses.

“Com a crise se agravando e a receita em queda, a proposta é vantajosa para Santa Catarina. O desconto nos dá um equilíbrio financeiro significativo para a manutenção de serviços essenciais, como os da área da Saúde”, salientou Colombo.

Para fechar o acordo, está marcada uma nova reunião entre os governadores e o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, em Brasília, já que os estados pediram um tempo para estudar uma lista de contrapartidas exigida pelo Governo Federal.



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